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Policiais acusados de abuso no Rincão continuam nas ruas

Câmera de segurança flagra momento em que policiais agiram de forma truculenta. Houve disparo de bala de borracha e agressão física
Heitor Araujo
Por Heitor Araujo Balneário Rincão - SC, 19/02/2020 - 17:25Atualizado em 19/02/2020 - 23:55
Foto: Reprodução / NSC Total
Foto: Reprodução / NSC Total

Chute na cadeira, safanão na cara, garrafa no chão e tiro de borracha pro alto. Um vídeo da câmera de segurança de um estabelecimento na Zona Sul do Balneário Rincão flagra a ação truculenta de três policiais militares no local. A proprietária fez denúncias à Polícia Civil por abuso de autoridade. Contra os policiais está aberto um inquérito na própria Polícia Militar (PM), mas eles continuam trabalhando normalmente. "Se eu afastar qualquer policial que tenha qualquer problema que um dia não atendeu uma ocorrência de forma totalmente correta, eu vou ficar sem policiamento na cidade", justificou o comandante da 6ª RPM, o coronel Cosme Manique Barreto.

A ação aconteceu na última quinta-feira, por volta das duas horas da madrugada. De acordo com o próprio coronel, o local tinha alvará para funcionar até esse horário com a música no interior. Porém, depois de receber ligações de vizinhos, os policiais foram deslocados para a ocorrência no bar. O comandante da PM afirma que houve sim excesso por parte dos policiais, mas aponta que o erro maior é o local funcionar até "altas horas". As imagens foram divulgadas pela NSC TV:

"A gente entende que, por mais que havia uma repetição de retorno àquele estabelecimento, houve um erro. Nós pedimos para não ter som alto, aí há também o erro de ter um alvará de um estabelecimento tipo bar até as duas horas da manhã. Prejudica todo o entorno. A PM ia lá porque havia perturbação do sossego com som alto, pessoas que entram e saem do bar de carro, normalmente alcoolizadas", afirmou Barreto.

O coronel também alega que o bar "não era de família e frequentado por pessoas que não trabalham e tem seus desajustes sociais", pelo fato de funcionar até as 2h. "A gente não coaduna com o tipo de ação (dos policiais), mas também há um erro de contexto, de quem deu alvará para um boteco, com pessoas que gostam de beber cachaça e com moças que não são nada familiares. Não é como um restaurante em que as famílias vão para comer pizza, por exemplo".

O inquérito contra os policiais foi aberto na sexta-feira pela polícia de Içara. Eles devem ser ouvidos nesta semana ou na próxima, mas continuam trabalhando normalmente. "Ao término do inquérito poderemos dizer se houve um crime ou se foi um erro disciplinar", apontou Barreto.

Para o comandante, as ações dos policiais, que incluem um soco na cara de um cliente do bar que tentava fugir da ação truculenta, não indicam que eles não podem atuar nas ruas. "Se eu afastar qualquer policial que tenha qualquer problema, que um dia não atendeu uma ocorrência de forma totalmente correta, eu vou ficar sem policiamento na cidade. Se eu ver um fato que realmente demonstra que ele não pode estar na rua, aí sim. Ali, pra mim, apenas se excederam. Vamos apurar, mas não é por isso que vamos tirá-los da rua", concluiu. 

A reportagem do Portal 4oito tentou o contato com a proprietária do estabelecimento, mas não conseguiu retorno. Ao NSC Total, ela disse que encaminhou as imagens para a Polícia Civil e que não havia mau relacionamento com os vizinhos e reafirmou que o local tinha alvará para funcionar até as 2h.