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O que esperar do Governo Bolsonaro?

Novo presidente foi eleito com mais de 55% dos votos válidos
Por Redação Criciúma - SC, 29/10/2018 - 12:48
(foto: reprodução)
(foto: reprodução)

Com 55% dos votos válidos, Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito o novo  presidente do Brasil neste domingo (28), depois de uma campanha marcada  pela mobilização social e pela força das redes sociais. Agora, as especulações giram em torno da composição do próximo  governo e de quais serão as primeiras medidas tomadas por Bolsonaro na  presidência.

O professor e cientista político da Universidade de Brasília Leonardo  Barreto, por exemplo, explica que já se pode esperar do governo  Bolsonaro uma tentativa rápida de criar uma agenda de estímulo para a  economia por meio de Reformas econômicas.

Na avaliação do especialista, a aprovação de reformas como a da  Previdência e a Tributária pode ser um grande desafio para o novo  governo, porque toda reforma enfrenta interesses políticos já  consolidados.

“É difícil escapar de uma agenda de reformas, no caso do Bolsonaro,  existe uma influência muito importante de economistas liberais e alguns  setores do mercado financeiro e setor produtivo de promover algumas  reformas que abram espaço fiscal no orçamento. Desregulamentação de  negócio para que as pessoas tenham uma facilidade maior de fazer  negócios, talvez uma redução do imposto de renda para pessoa jurídica  para estimular as empresas a fazer investimentos. Toda uma agenda que  ajude esse cenário de investimentos”.

Já o cientista político Eduardo Grin, da Fundação Getúlio Vargas,  lembra que Bolsonaro prometeu reduzir o número de ministérios  existentes, com o objetivo de diminuir gastos desnecessários do Estado.  Nesse sentindo, Eduardo acredita que o ex-militar enfrentará algumas  dificuldades, principalmente em relação à unificação do Ministério do  Meio Ambiente e da Agricultura.

"Há um primeiro desafio no curto prazo que será como ele vai fundir  ministérios, porque a fusão de ministérios não é simplesmente juntar  duas ou três áreas. Significa mudanças orçamentárias, mudanças de  política pública, várias diretorias e áreas que hoje são responsáveis  por um conjunto de programas que em curto prazo vai abrir um período de  fusão, mantida essa promessa de fundir os ministérios”.

O cientista político Antonio Flavio Testa acredita que Bolsonaro já  vai, desde agora, decidir qual será sua bancada aliada no Congresso.  Além disso, Testa lembra que o presidente eleito já pode tomar  iniciativas que envolvem articulações no poder Executivo.

“Ele terá condições de propor algumas mudanças porque sua equipe  técnica já está trabalhando há vários meses, levantando informações e  redirecionando a possibilidade do presidente tomar algumas medidas. As  medidas que o presidente pode tomar é no âmbito executivo. Ele pode  reorganizar as secretarias de governo, pode redirecionar ação do  executivo, eliminar medidas que são superpostas que geram muita  burocracia, muito trabalho. E isso tudo ele pode fazer nesses três meses  sem se envolver com o Congresso.”

Para Leonardo Barreto, Bolsonaro precisa se aproveitar da  popularidade com que foi eleito neste domingo para tomar decisões  rápidas e efetivas no início de governo.

“A popularidade é o grande ativo dele na negociação com o Congresso.  Então ele tem que colher resultados rápidos daquilo que ele prometer.  Ele tem duas questões fundamentais para o sucesso dele: escolher bem as  prioridades nesse início de governo para aproveitar o capital político. E  o segundo ponto é manter essa popularidade para continuar influenciando  dentro do Congresso, escapar daquelas crises promovidas pelos seus  oponentes por declarações desastradas, restabelecer um bom diálogo com a  imprensa, promover uma conciliação entre as agendas setoriais, uma da  economia e uma pro país, restabelecer um novo equilibro”.