O assoreamento da Barra do Camacho, em Jaguaruna, voltou a mobilizar pescadores e lideranças da região. A poucos dias da previsão de chegada do fenômeno El Niño ao Sul do país, o presidente da Associação de Pescadores de Garopaba, Jaime Mariano Porto, afirma que o principal entrave para resolver o problema não é a falta de recursos, mas a ausência de vontade política.
Em entrevista à Rádio Som Maior, Mariano defendeu a necessidade de manter o canal aberto para garantir a renovação das águas da lagoa e favorecer a entrada dos peixes. Segundo ele, a situação se agravou novamente e exige uma solução definitiva.
"A gente precisa do canal aberto, precisa que a água entre com vontade na lagoa por causa do peixe, mas é político aquilo ali, não é dinheiro, é político", afirmou durante o Programa Adelor Lessa.
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O presidente também criticou a atuação do poder público diante do problema. "Eles vão sempre fazer política em cima da Barra do Camacho. Não querem resolver o problema", acrescentou.
A preocupação aumenta com a previsão de chuvas mais intensas associadas ao El Niño. Além dos impactos para a atividade pesqueira, o assoreamento também acende o alerta para o escoamento das águas da bacia da região em caso de temporais.
Na quinta-feira (25), uma reunião entre representantes de municípios e entidades debateu alternativas para evitar o fechamento do canal. Jaime informou que passou a integrar o grupo de trabalho criado em Tubarão para discutir o desassoreamento e o enrocamento da barra. Conforme Mariano, o projeto elaborado pela Associação dos Municípios da Região de Laguna (Amurel) já está pronto e aguarda execução.
Mesmo após obras, problema voltou
Porto também questionou a eficácia das intervenções realizadas nos últimos anos na Barra do Camacho. De acordo com o pescador, mesmo após investimentos milionários e duas reformas na draga utilizada para a manutenção do canal, o assoreamento voltou a comprometer a passagem de água. "O pessoal gastou um monte de dinheiro e não resolveu o problema", criticou.
O presidente ainda afirmou que uma empresa chegou a disponibilizar uma draga para atuar na retirada da chamada "coroa" de areia formada na barra, mas, segundo ele, faltou articulação do poder público para viabilizar a autorização necessária.
"A Barra do Camacho agora está ali com uma baita de uma coroa. Ainda bem que os cinco municípios parecem que vão se mexer", concluiu.
Ouça a entrevista de Jaime Mariano Porto na íntegra:
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