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Menos nomes nas urnas e candidatos mais fortes: a Amrec a 48 dias do 1° turno

Por Artur Fabro 17/08/2026 - 07:00 Atualizado há 1 hora

Encerrado o prazo de registro anteontem (15/08) e liberada a propaganda desde ontem (16/08), restam 48 dias até 04/10, data do primeiro turno das eleições. O fechamento das candidaturas permite uma primeira leitura do que a Região Carbonífera colocou em campo.

O alvo do texto de hoje, caro leitor, são as eleições para cargos proporcionais na AMREC.

Com a proibição das coligações proporcionais começando a valer nas eleições municipais de 2020, a antiga estratégia de inflar as nominatas para encorpar o quociente partidário está perdendo força. Ao disputarem isolados, os partidos tendem a priorizar listas mais enxutas, compostas por candidatos com bases eleitorais consolidadas e votos fidelizados. Esse cenário é amplificado pelas federações partidárias e pelas fusões forçadas pela cláusula de desempenho. O efeito se acumula: menos legendas aptas a competir geram um volume menor de candidaturas. A expectativa é que a AMREC siga essa predisposição nacional, embora a real proporção do enxugamento regional dependa da homologação final dos registros pelo Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina.

As listas encolheram e ficaram mais competitivas.

Chamo de competitivo o candidato que chega à campanha com base testada nas urnas, seja por ocupar ou ter ocupado um cargo do sistema proporcional (vereador, deputado estadual ou deputado federal), seja por ocupar ou ter ocupado um cargo do sistema majoritário (senador, prefeito, governador ou presidente da república), seja por ocupar ou ter ocupado um cargo comissionado importante (delegado-geral do estado, ministro de estado, secretário municipal/estadual etc.). Por esse critério, a AMREC reúne hoje uma concentração de candidatos competitivos para os cargos proporcionais bastante interessante.

Na disputa pela Câmara dos Deputados, quatro parlamentares de peso buscam a recondução. Júlia Zanatta (PL) obteve 111.588 votos em 2022. Daniel Freitas (PL), 108.001. Geovania de Sá (PSDB) somou 84.454 e chegou a Brasília pela primeira suplência da Federação PSDB-Cidadania, assumindo quando Carmen Zanotto (Cidadania) foi para o governo do Estado e, posteriormente, para a prefeitura de Lages. Ricardo Guidi (PSD) fez 74.066 e depois migrou para o PL, tentando vencer a prefeitura de Criciúma em 2024, eleição que perdeu para o atual prefeito Vaguinho (PSD). A eles se junta Julio Garcia (PSD), presidente da Assembleia Legislativa, que abriu mão do cargo de deputado estadual que ocupou com 49.958 votos e passa a disputar vaga de federal. Um quinto nome completa a lista, com mandato proporcional em curso numa escala menor: a vereadora de Criciúma Giovana Mondardo (PCdoB), que tentará pela segunda vez entrar na Câmara, sendo a primeira quando ficou na 2ª suplência da Federação PT-PCdoB-PV em 2022, com 38.862 votos.

Há um sinal nessa série histórica para a eleição de deputado federal que merece atenção. Em 2018, Daniel Freitas fez 142.571 votos e foi o segundo deputado federal mais votado de Santa Catarina; Geovania de Sá, hoje no Republicanos, teve 101.937, e Ricardo Guidi, 61.830. Quatro anos depois, Freitas recuou para 108.001 e Geovania para 84.454, ao passo que Guidi subiu para 74.066. Júlia Zanatta não disputou o pleito de 2018 e estreou em 2022 com 111.588 votos, a maior votação da região naquela eleição. Os dois nomes que ocupavam o topo perderam juntos mais de 52 mil votos exatamente na eleição em que uma candidatura nova, de perfil próximo ao deles, apareceu com mais de 111 mil.

Na Assembleia, Jessé Lopes (PL, 55.013 votos) e Rodrigo Minotto (PDT, 28.685 votos) tentam a reeleição. Ao lado deles concorrem o ex-prefeito de Criciúma e ex-deputado estadual Clésio Salvaro (PSD) e o ex-secretário de saúde de Criciúma Acélio Casagrande (Republicanos), além do ex-delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina Ulisses Gabriel (PL) e de Jorge Koch (MDB), ex-prefeito de Orleans.

Um cenário com candidatos mais fortes oferece ao eleitor da AMREC opções de maior peso, o que parece favorecer a representação regional. Entretanto, esses candidatos disputam um mesmo estoque de votos, vindo de um eleitorado cujas preferências políticas a maioria deles também comunga. A região pode chegar ao primeiro turno com uma das listas de candidatos mais competitivas de sua história recente e sair dele com uma bancada menor do que a atual.

 

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