Ir para o Conteúdo da página Ir para o Menu da página
Carregando Dados...
DEIXE AQUI SEU PALPITE PARA O JOGO DO CRICIÚMA!

El Niño: fenômeno se antecipa e muda inverno em SC

Chuvas e temperaturas devem ser afetadas já em julho

Por Maryele Cardoso Criciúma, SC, 02/05/2026 - 13:30 Atualizado há meio minuto
Fenômeno pode influenciar chuvas e temperaturas no inverno catarinense I Foto: Canva/4oito
Fenômeno pode influenciar chuvas e temperaturas no inverno catarinense I Foto: Canva/4oito

Quer receber notícias como esta em seu Whatsapp? Clique aqui e entre para nosso grupo

Os efeitos do El Niño em Santa Catarina podem começar a ser sentidos antes do previsto. Embora a expectativa inicial apontasse para a primavera, o fenômeno vem se desenvolvendo mais rapidamente e já deve apresentar sinais a partir de julho, ainda durante o inverno.

A avaliação foi apresentada durante o 241º Fórum Climático Catarinense, que reuniu especialistas da Secretaria da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina, da Epagri/Ciram, do AlertaBlu, do IFSC e da UFSC.

LEIA MAIS:

O El Niño ocorre quando há um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na faixa próxima à Linha do Equador. Para ser caracterizado, esse aumento de temperatura precisa superar 0,5°C acima da média e se manter por meses, alterando padrões de circulação atmosférica e influenciando o regime de chuvas em diferentes regiões.

Segundo os especialistas do fórum, há consenso de que o fenômeno deve se formar entre o inverno e a primavera deste ano, com probabilidade superior a 80% de se estabelecer no trimestre de junho a agosto. A tendência é de intensificação gradual, podendo atingir forte intensidade na primavera, quando as anomalias no Pacífico Equatorial podem ultrapassar 1,5°C.

Defesa Civil amplia monitoramento e ações preventivas I Foto: Canva/4oito

Em termos gerais, o El Niño costuma provocar aumento das chuvas e temperaturas mais altas que o normal. No caso do inverno catarinense, isso se traduz em precipitações mais frequentes e períodos de frio menos intensos. O pico de influência no Sul do Brasil deve ocorrer entre setembro e novembro, quando o volume de chuva tende a ser ainda maior.

“É importante reforçar que um El Niño forte não significa, obrigatoriamente, eventos extremos, mas sim uma atmosfera mais propícia à ocorrência deles”, explica a meteorologista Nicolle Reis, da Secretaria da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina.

O cenário para os próximos meses

A tendência para o curto prazo é de transição gradual. Em maio, as chuvas seguem irregulares e abaixo da média em várias regiões, mesmo com a passagem frequente de frentes frias e ciclones extratropicais.

A mudança no padrão climático deve ficar mais evidente a partir de junho, quando aumentam as áreas de instabilidade no estado. Em condições normais, os acumulados de chuva em junho e julho ficam entre 100 mm e 150 mm na maior parte de Santa Catarina, podendo ser maiores no Oeste. Neste ano, as projeções indicam precipitações mais frequentes e temporais mais fortes, com volumes acima da média em diversas regiões, acompanhando a evolução do El Niño.

No que diz respeito às temperaturas, maio marca o início de uma queda gradual, com entrada de massas de ar frio mais significativas. Junho tende a ser um dos meses mais frios, com mínimas abaixo de 10°C e máximas próximas dos 20°C. Ainda assim, ao longo do inverno, as ondas de frio devem ocorrer com menor frequência e duração reduzida.

Massas de ar frio tendem a ser menos frequentes e duradouras I Foto: Canva/4oito

Ações da Defesa Civil

Diante das projeções climáticas, a Secretaria da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina vem reforçando medidas preventivas em todo o estado. No Vale do Itajaí, região historicamente afetada pelo El Niño, três barragens de contenção de cheias estão operacionais. A Barragem Sul, em Ituporanga, passou por uma modernização completa, incluindo automação e troca de equipamentos.

O sistema de monitoramento climático também foi ampliado, contando atualmente com 172 estações meteorológicas e hidrológicas e quatro radares em funcionamento. Além disso, houve aumento de 25% na equipe de meteorologistas e reforço no setor de previsão hidrológica.

LEIA MAIS:

Na preparação operacional, equipes regionais passaram por treinamentos em gestão de desastres e sistemas de comando de operações, enquanto gestores municipais foram capacitados para atuação em situações de emergência. O estado também realizou dois simulados gerais recentes, em maio de 2025 e março de 2026, para testar respostas e protocolos de atuação conjunta.

No cotidiano, a Defesa Civil trabalha junto aos municípios em ações preventivas como limpeza de rios e drenagens, manejo de árvores em áreas de risco e inspeções em pontos vulneráveis. Os Planos de Contingência também são constantemente atualizados.

Nos próximos meses, o Fórum Climático Catarinense seguirá acompanhando a evolução do El Niño para orientar as ações de prevenção no estado. A população, por sua vez, é orientada a acompanhar os boletins oficiais da Defesa Civil de Santa Catarina e seguir as recomendações do órgão.

Copyright © 2026.
Todos os direitos reservados ao Portal 4oito