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Jornalista Rodrigo Lopes comenta prisão na Venezuela

Profissional foi detido quando estava cobrindo uma manifestação pró Nicolás Maduro
Por Émerson Justo Criciúma, SC, 11/02/2019 - 15:01Atualizado em 11/02/2019 - 17:01

O jornalista Rodrigo Lopes do Grupo RBS, do Rio Grande do Sul, foi como enviado especial a Venezuela cobrir a crise em que o país enfrenta. Mas durante o trabalho acabou sendo detido pelas autoridades do regime Chavista, em Caracas, sendo acusado de ser militante da oposição. O profissional contou sobre o caso e os momentos difíceis que passou no Programa Adelor Lessa desta segunda-feira (11).

A confusão começou quando o jornalista foi fazer a cobertura de uma manifestação a favor de Nicolás Maduro, após cobrir a oposição. “Tirei o celular do bolso e fiz três fotos mostrando a manifestação, neste momento dois ou três seguidores do Maduro vieram na minha direção, já arrancaram meu celular e perguntaram quem eu era e o que estava fazendo. Olharam meu celular e viram que tinha imagens do comício que havia coberto meio-dia, e imediatamente começaram me acusar de militante da oposição”, relatou.

Lopes teve o celular retido e foi encaminhado para uma zona de segurança. “Chamaram um oficial superior, ele veio até mim e me identifiquei como jornalista brasileiro. O oficial começou a dizer que o Brasil não reconhece nosso presidente, a imprensa brasileira diz que nosso presidente é ditador e nós vamos te meter no cárcere e você vai aprender o que é bom”, contou.

O profissional foi levado para um sala para interrogação, sendo questionado em qual jornal trabalhava, qual sua linha editorial e se era de direita ou esquerda. Em seguida, teve seu passaporte apreendido. “Pedi para falar com a Baixada Brasileira e não permitiam, pedi para falar com meu jornal, não permitiam, e a todo momento dizendo que era da oposição e que poderia ser espião”, ressaltou.

Lopes foi liberado após duas horas detido, mas foi fichado e ameaçado de ser preso novamente caso fosse pego outra vez, tendo que responder um processo perante as leis venezuelanas.  “Eu acabei sendo o primeiro jornalista a passar por isso, mas nos dias seguintes teve outros colegas que foram retidos e ficaram mais tempo. Foi um susto e eu tive que retornar ao Brasil, porque tudo que eu fizesse poderia ser encarado como crime e seria reincidente e pior”, afirmou.

“Foram duas horas que marcaram minha vida. Eu já havia coberto outras situações de crise no Paraguai, em Honduras, estive no Iraque, na Síria, no Líbano, mas nunca tinha passado por uma situação como esta, bastante constrangedor e não tem com quem intermediar”, destacou.

Ouça a entrevista completa de Rodrigo Lopes: