O ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues (PSD) afirmou que saiu "vitorioso da urna" na disputa pelo Governo de Santa Catarina, apesar da derrota para o governador Jorginho Mello (PL) no primeiro turno. Em entrevista nesta terça-feira (6), ele atribuiu o resultado à polarização nacional, disse que não há culpados e que não descarta deixar o PSD, decisão que depende de conversa com o grupo político e do desfecho do segundo turno da eleição presidencial.
"Eu saio vitorioso da urna, agradecido, sem mágoa, sem ressentimento. Nem dos meus adversários", declarou. Segundo ele, a primeira pessoa para quem ligou após o resultado foi o governador, a quem desejou boa sorte.
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"Fui vítima do processo"
Para Rodrigues, a eleição foi verticalizada pela polarização entre direita e esquerda, o que dificultou uma candidatura alternativa. "O Brasil está cansado desse governo que aí está, me refiro a Brasília. Ele polarizou de cima a baixo, ele acabou verticalizando a eleição e, de qualquer forma, eu acabo sendo vítima do processo", disse.
Ele afirmou que, em uma avaliação mais profunda, talvez aquele não fosse o seu momento, mas disse não se arrepender. "Foi uma escola. Conheci o Estado inteiro, sei das demandas, das dificuldades, das necessidades", afirmou. Rodrigues também reconheceu que o momento era do governador. "É dele o momento, não era meu."
Alianças e a sigla desgastada
Questionado sobre a divisão de partidos aliados, como MDB e PP, ao longo da campanha, o ex-prefeito negou problema de comando. Para ele, o movimento é comum e se repetiu com o ex-governador Moisés, porque candidatos a deputado tendem a se alinhar a quem tem mais chance de vitória.
Rodrigues citou ainda o desgaste do PSD no cenário nacional e lembrou que o partido perdeu deputados que pareciam ter eleição garantida. Mesmo assim, destacou o desempenho. "De um sistema polarizado, você fazer mais de 500 mil votos, dividir a direita, não é fácil, ainda mais contra o 22 e numa sigla, que é a nossa, o 55, que está extremamente desgastada no cenário nacional", afirmou.
Ele lembrou que já disputou dez eleições e foi prefeito cinco vezes. Em Chapecó, segundo ele, obteve 62% dos votos. "Onde o povo me conhece eu ganhei", disse.
Futuro político e segundo turno
Sobre os próximos passos, Rodrigues disse ainda não ter projeto definido e afirmou que vai aguardar o resultado do segundo turno. Questionado se permanece no PSD, respondeu que não descarta sair, mas que não afirma que fará isso agora. Disse que vai conversar antes com aliados, entre eles Clésio, Vaguinho, Júlio e Pavão. "Vamos juntos para um novo grupo ou vamos permanecer onde estamos? É muito cedo qualquer anúncio", afirmou.
Ele declarou torcer pela eleição de Flávio Bolsonaro, que, segundo ele, ajudaria a melhorar a economia, e pelo sucesso do governo Jorginho Mello, especialmente em autismo, saúde e habitação popular. "Eu não tenho que fazer projeto no fracasso, tenho que fazer projeto no sucesso", disse.
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