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Há um ano sem a JBS, Morro Grande busca se reerguer

Município procura investidores interessados em novo frigorífico para abater até 150 mil aves
Por Bruna Borges Morro Grande, SC, 19/11/2018 - 09:38Atualizado em 19/11/2018 - 11:01
Foto: Daniel Burigo / A Tribuna / Arquivo
Foto: Daniel Burigo / A Tribuna / Arquivo

O dia a dia da pequena cidade de Morro Grande, no Extremo Sul Catarinense, mudou completamente há um ano, quando a empresa JBS encerrou as atividades do seu frigorífico localizado no município. O fechamento da unidade afetou diretamente a vida de cerca de 600 funcionários que foram demitidos e indiretamente toda a população da cidade que possui aproximadamente três mil habitantes e tinha na JBS sua principal fonte de renda. Atual-mente, apenas a fábrica de rações da companhia segue operando em Morro Grande e emprega em torno de 50 pessoas.

Um ano após o encerramento dos abates de aves no frigorífico, o município tenta se reerguer e buscar um alternativa que injete novo ânimo na economia. Inicialmente, trabalhava-se com a ideia de que outra empresa pudesse adquirir a estrutura da própria JBS e reativar a unidade. Essa possibilidade já foi descartada pelo prefeito Valdionir Rocha. 

“Nós não trabalhamos mais com essa hipótese. Na verdade, a gente percebe que a JBS quer manter o monopólio e, por esse motivo, eles não vão querer vender a unidade para que outra empresa se instale”, declara Rocha.

Investimentos públicos

O prefeito comenta que ter que desistir das instalações que já estão prontas e sem utilidade não foi uma tarefa fácil. “É lamentável, porque o Município investiu muito naquela unidade. Foi dada toda a infraestrutura, o terreno doi doado, foram feitas obras, tudo pensando na geração de empregos”, relata.

“Naquela época, foi uma empresa muito bem-vinda, a população esperava por essa unidade, foi uma coisa muito boa para a cidade. A gente não imaginava o que nos esperava para o futuro”, lamenta. 

Possibilidade de novo frigorífico renova esperanças

Superada a tentativa de utilizar a estrutura da empresa, o chefe do Poder Executivo morrograndense revela que uma nova possibilidade, que já está em negociação, pode ser a renovação das esperanças para a cidade.

“Estamos encaminhando com investidores um projeto de construção de um novo frigorífico. Temos uma equipe que tem muito conhecimento na área montando esse projeto, que deve estar pronto para ser apresentado ainda este ano. Estamos em contato com esses investidores e eles demonstram muito interesse”, afirma Rocha.

Com receio de atrapalhar as negociações, o prefeito prefere não divulgar os nomes ou mesmo a nacionalidade dos possíveis investidores, mas antecipa alguns detalhes projetados. “A intenção é abater 150 mil aves por dia e toda a produção será para o mercado externo, tudo para exportação”, comenta. 

“Nós já temos a área pronta, água e energia instaladas. Esses investidores têm interesse, têm dinheiro, mas eles também querem ter garantias. E aqui é o lugar certo para instalar um frigorífico de aves, porque já temos a mão de obra qualificada, temos os avicultores”, pontua. 

Resultado para longo prazo

Ainda que consiga fechar o negócio, Rocha ressalta que nada será imediato. “Precisa de muita reunião para construir um projeto como esse. Não gosto de criar falsas esperanças, o caminho é longo, mas temos que ter pensamento positivo”, declara.

Até lá, outras alternativas são buscadas para resolver a situação daqueles que perderam seus empregos. “O Município está pagando o transporte para aproximadamente 40 moradores de Morro Grande que foram transferidos para a unidade da JBS de Nova Veneza. Se eles tivessem que utilizar os veículos próprios, eles não teriam condições, então a Prefeitura está ajudando”, conta. 

“Algumas pessoas conseguiram em- prego em outras empresas e no comércio, mas muitas estão vivendo com dificuldade, fazendo bicos para sobreviver”, afirma o prefeito. “E muitas pessoas também foram embora da cidade, principalmente as que não são daqui e vieram para Morro Grande justamente para trabalhar na JBS. Eu calculo que 30% dos demitidos foram embora, são pessoas da Bahia, do Ceará e também de outros países”, declara. 

Queda de 40% na arrecadação

O fechamento do frigorífico, que chegou a abater 110 mil aves por dia, afetou também as contas públicas da cidade. Segundo o prefeito, sem a JBS, Morro Grande teve uma queda de 40% no arrecadação de impostos. Para controlar os números, medidas foram tomadas.

“No final do primeiro semestre de 2018 anunciamos os cortes de 30% nos salários do prefeito, vice, secretários e assessores, além de corte de 25% nos salários dos diretores. Isso representa uma economia de quase R$ 800 mil por ano”, coloca.