Os professores da Associação Feminina de Assistência Social de Criciúma (Afasc) decidiram, em assembleia realizada na noite desta sexta-feira (8), aderir à greve da categoria. A reunião ocorreu às 19h30, no Sindicato dos Ceramistas, e contou com a participação de profissionais da rede.
A categoria definiu que a greve terá início a partir de terça-feira (13), caso não seja apresentada uma nova proposta considerada satisfatória.
De acordo com o presidente do sindicato dos professores, José Argente Filho, a decisão foi tomada em assembleia após a rejeição da oferta feita pela Afasc. A oferta foi levada à assembleia e rejeitada por unanimidade pela categoria.
“Diferente dessa última semana que passaram e que tiveram aula normalmente, o próximo passo agora vai ser realmente ficar parado se a proposta não for melhor”, afirmou.
LEIA MAIS:
- Após suspensão da greve, Afasc garante atendimento para mais de 6 mil crianças nesta sexta
- Greve da Afasc é suspensa e sindicato dos professores convoca nova assembleia-geral
- Greve na Afasc cria incerteza sobre atendimento de 6 mil crianças em Criciúma
- Prefeitura de Criciúma notifica Afasc e cobra manutenção do atendimento nas creches
Reajuste de 6,36% é rejeitado em assembleia
Segundo o presidente, a proposta apresentada prevê a aplicação de 6,36% de reajuste sobre o salário percebido no mês de março para todos os trabalhadores da instituição.
“Foi colocado em votação e a unanimidade esmagadora foi não. Na segunda-feira vamos comunicar que não houve acordo e, se não houver uma proposta melhor, na terça-feira inicia o movimento de greve”, afirmou.
Durante a assembleia, professores relataram preocupação com a continuidade das reivindicações e destacaram que a decisão foi tomada após esgotarem as tentativas de negociação sem resultados práticos.
A decisão foi tomada após diálogo entre os educadores sobre a insatisfação com a questão salarial e a falta de avanço nas negociações com a instituição. A maioria optou pela paralisação das atividades nas unidades.
Categoria reforça abertura para negociação
A categoria reforçou que permanece aberta ao diálogo e à construção de um acordo com a Associação Feminina de Assistência Social de Criciúma (Afasc), desde que a proposta apresentada se aproxime do que está sendo reivindicado pelas profissionais.
“A gente sempre quis uma boa negociação com a Afasc, mas que atenda a nossa reivindicação ou que chegue perto disso. É isso que a gente deseja da parte deles para nós”, afirmou Gabriela de Aguiar Gonçalves.
Sindicato acompanha e orienta categoria
Na avaliação jurídica do movimento, o advogado do sindicato dos professores, Rodrigo Custódio , destacou que a categoria foi orientada sobre os cuidados legais e os riscos envolvidos na paralisação.
Segundo ele, a greve possui regramento próprio que precisa ser respeitado e, diante da falta de consenso, a tendência é que a situação seja levada à Justiça.
“A partir de terça a paralisação vai acontecer e ponto. A não ser que tenha alguma decisão judicial que impeça. Quando não se chega a um consenso e se deixa o tribunal decidir, às vezes a decisão não agrada nenhum dos dois lados, e esse é o risco que a gente está correndo”, explica.
Prefeitura notifica Afasc e cobra continuidade dos serviços
Criciúma conta com cerca de 40 Centros de Educação Infantil (CEIs) mantidos pela Afasc, que atendem aproximadamente 6 mil crianças no município. Em nota, a Prefeitura de Criciúma informou que notificou a associação para garantir a continuidade dos serviços.
No fim do mês passado, em vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito Vaguinho Espíndola afirmou que a cidade não ficaria sem atendimento nas creches e criticou a possibilidade de paralisação.
“Reivindicar é direito, mas prejudicar as famílias da nossa cidade para barganhar aumento é chantagem. E com chantagista não se negocia. Eu vou cobrar isso todos os dias. Do contrário, vamos tomar as medidas previstas em contrato. Criciúma não vai ficar sem creche”, declarou.
Impasse gira em torno do piso do magistério
Na última quarta-feira (6), sindicato e Afasc se reuniram para discutir o pagamento do piso nacional do magistério, fixado em R$ 5.130,64. Nenhuma nova proposta foi apresentada pela associação.
Os professores reivindicam a aplicação do piso, enquanto atualmente recebem cerca de R$ 3,1 mil. A categoria anunciou paralisação e estima a adesão de aproximadamente 450 profissionais.
A proposta anterior da Afasc previa reajuste de 3% referente à inflação e 2% de aumento real, mas, segundo relato de professores, a oferta foi retirada durante as negociações.
Caso deve ser discutido na Justiça
A Afasc argumenta que o piso salarial é garantido apenas para profissionais concursados e que a discussão envolve interpretação jurídica. Segundo a instituição, o valor reivindicado representaria um acréscimo de cerca de 63% na folha de pagamento, o que é considerado financeiramente inviável.
“Não é uma condição negocial, é uma condição jurídica, se o piso é ou não aplicável à categoria. O piso é um conceito jurídico determinado. A admissão de um piso cuja diferença é de 63% gera um impacto muito grande e pode inviabilizar o funcionamento da Afasc”, explicou o advogado da instituição, Alexandre Barcelos.
DEIXE AQUI SEU PALPITE PARA O JOGO DO CRICIÚMA!