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Gilson Kleina: de criticado à solução

Em 2003 ele passou de interino a técnico do Tigre. Saiu chamado de burro e retorna com moral
Por Lucas Renan Domingos Criciúma, SC, 14/03/2019 - 07:27
Foto: Reprodução Tribuna do Dia de 6 de agosto de 2003
Foto: Reprodução Tribuna do Dia de 6 de agosto de 2003

A imagem acima é do jornal Tribuna do Dia de 6 de agosto de 2003. E o título do texto pode ser repetido hoje. Dois dias depois da apresentação de João Carlos Maringá como diretor executivo de futebol do Criciúma, houve acertou com um novo técnico. O substituto de Doriva é Gilson Kleina. Com o nome oficializado pelo clube, essa será a segunda passagem dele pelo Tigre. É que, em 2003, Kleina já comandou a equipe Tricolor, mesmo que, inicialmente, o projeto do time não fosse esse.

Lori Sandri era o contratado para treinar o clube na Série A do Campeonato Brasileiro, depois da demissão de Edson Gaúcho. Kleina seria seu auxiliar técnico. O último clube de Lori havia sido o Verdy Tokyo, do Japão. Foi dispensado do time japonês, mas ainda tinha um contrato vigente. Apalavrado com o presidente do Tigre a época, Moacir Fernandes, Lori veio para Criciúma. O contrato acabou não sendo assinado por um impasse, lembra o jornal Tribuna do Dia de 22 de maio de 2003. O Verdy Tokyo soube da negociação e interviu.

“Um dirigente do Verdy enviou duas mensagens de fax para a residência do treinador, em Curitiba. Num, constava uma ameaça de ele não receber, no dia 25, seus honorários, que serão depositados num banco. Em outro, ter de cumprir o restante do contrato com validade até julho”, trazia a notícia do Tribuna do Dia.

Gilson Kleina assume

O caminho encontrado foi deixar Lori se acertar com o time do Japão. Enquanto isso, a oportunidade caiu no colo de Kleina. “Gilson Kleina é o técnico do Criciúma para os próximos jogos. Esta é uma definição da diretoria do Criciúma. Até que Lori Sandri acerte sua saída definitivo do Verdy Tokyo”, publicou a edição do jornal Tribuna do Dia de 28 de maio de 2003.

O auxiliar virou interino e não foi por pouco tempo. Foram oito jogos comandando o Tigre. Assumiu na décima rodada e saiu na 17ª. Estreou contra o Goiás, fora de casa. Venceu por 2 a 0. Gols de Paulo Baier e Luciano Almeida. Até que, finalmente, Lori conseguiu resolver seu imbróglio com o time japonês.

Reprodução Tribuna do Dia de 23 de maio de 2003

“A novidade no Tigre foi a oficialização de Lori Sandri, que assume o comando da equipe. Gilson Kleina passa a ser auxiliar técnico. Com Kleina, o Criciúma disputou oito jogos. Foram seis vitórias e duas derrotas. A equipe vem de três vitórias consecutivas e sem tomar gol nesses jogos”, noticiava o Tribuna do Dia em 12 de julho de 2003.

Só que ele retornou

E, por mais que o Tigre tenha esperado um desfecho do treinador por quase dois meses, a passagem de Lori no Tricolor durou pouco. Assumiu o Tricolor na 18ª rodada e saiu na 23ª. Seis jogos. Três vitórias, um empate, duas derrotas e um acerto com o Vitória o tiraram do Criciúma.

“Lori abandona o Tigre”, mancheteava a edição de 5 de agosto do Tribuna do Dia. “Lori Sandri não é mais técnico do Criciúma. Ele é o novo treinador do Vitória da Bahia para o Campeonato Brasileiro. Sandri apresenta-se no Barradão amanhã e deve assistir à partida do time baiano contra o Paysandu, em Salvador. Gilson Kleina assume oficialmente o comando técnico do Tigre”, dizia o primeiro parágrafo da matéria interna do jornal.

Veio então o texto cuja a imagem de abertura desta matéria reproduz, do dia 6 de agosto de 2003. “A novidade do jogo de hoje é a estreia, de forma oficial, do técnico Gilson Kleina. O treinador, que já comandou o Vila Nova de Nova Lima e Iraty do Paraná, está confiante que fará um bom trabalho no Criciúma”, completou.

Reprodução Tribuna do Dia de 5 de agosto de 2004

Efetivado, Gilson Kleina perdeu na estreia, na 24ª rodada. Recebeu o São Caetano de Silvio Luiz, Fábio Santos, Mineiro e companhia e foi derrotado por 1 a 0. Terminou o Campeonato da Série A de 2003 com seis vitórias, cinco empates e 12 derrotas. Ficando na 14ª posição, naquele tempo em um campeonato com 24 equipes.

Estadual ruim

Mantido no cargo, Kleina também comandou a equipe no Campeonato Catarinense do ano seguinte, em 2004. O início ruim no estadual, acabou culminando em sua demissão. Depois de seis jogos, o Tigre era o quarto colocado no Grupo A. O desempenho acabou com a demissão do técnico. O último confronto foi um empate em 1 a 1 contra o Avaí, no Heriberto Hülse.

“O empate diante do Avaí, por 1 a 1, deixou o torcedor do Criciúma irritado. No final do jogo, a torcida não poupou o técnico Gilson Kleina, o chamando de burro”, contava também o Tribuna do Dia, em 19 de fevereiro. No dia seguinte, o clube oficializou a saída do treinador. “Quando você chega no momento de transformação de uma equipe nova, você paga o preço”, disse na época o técnico sobre sua saída.

Reprodução Tribuna do Dia de 20 de fevereiro de 2004 

Uma volta em alta após 15 anos

Se naquele ano a transformação era em desfavor do treinador, agora a história é outra. Depois do Criciúma, Kleina se consolidou na carreira como treinador. Treinou outras 19 equipes. Entre elas, Paraná, Ponte Preta, Palmeira, Bahia, Avaí, Coritiba, Goiás e Chapecoense. Agora, depois de sair sendo chamada do burro, o treinador chega como a solução para os problemas do Criciúma.

O nome dele já vinha sendo cogitado desde o fim da última semana. Na terça-feira, o empresário do treinador desembarcou na cidade. Reuniões no mesmo dia e ontem pela manhã selaram o retorno do treinador.

Daniel Búrigo/A Tribuna

“O Gilson é uma vontade antiga tanto do torcedor, quanto da diretoria. E o presidente (Jaime Dal Farra) fez um esforço enorme para trazê-lo. Ele recebeu propostas de praticamente todos os times da Série B e até de Série A”, destacou o diretor executivo de futebol do Criciúma, João Carlos Maringá, em entrevista ao programa Ponto Final, da Rádio Som Maior.

O treinador tem um contrato até o fim de ano, com premiações em caso de título no Campeonato Catarinense e acesso a Série A. “O presidente quer muito que o Criciúma volte a vencer. E trouxe um técnico vencedor. A própria torcida já está mais confiante. Esperamos que se concretize com bons resultados”, completou Maringá. Gilson Kleina deve desembarcar hoje na cidade e apresentado nesta sexta-feira. É pouco provável que ele comande a equipe contra o Atlético Tubarão, mas deve acompanhar os últimos treinos do Tigre comandados pelo interino Wilsão.