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Geovania e o voto contra a opinião do próprio pai

Deputada explicou, na Som Maior, as razões para votar a favor da reforma da Previdência
Denis Luciano
Por Denis Luciano Criciúma, SC, 11/07/2019 - 18:36Atualizado em 11/07/2019 - 18:40
Geovania em uma das reuniões do PSDB que tratou da reforma. O partido fechou questão / Divulgação
Geovania em uma das reuniões do PSDB que tratou da reforma. O partido fechou questão / Divulgação

"Um abraço para todos e um beijo especial para o meu pai". As últimas palavras, notadamente emocionadas, resumiram o dilema que a deputada federal Geovania de Sá (PSDB-SC) viveu nas últimas semanas até votar a favor do texto-base da reforma da Previdência. Passada a pressão mais forte, a parlamentar comentou os difíceis momentos em entrevista ao programa Ponto Final, na Rádio Som Maior.

Ocorre que o pai de Geovania, o sindicalista Itaci de Sá - presidente do Sindicato dos Trabalhadores Ceramistas de Criciúma e Região há muitos anos - é totalmente contrário à reforma. Trabalha neste sentido. Daí veio o dilema de Geovania, que tem no seu pai uma referência também na política.

"Eu estou eleita pelo povo. Ele é o meu pai, é fundamental, me aconselha, me orienta, ele tem posições firmes, é contrário à reforma, mas eu fui eleita por uma grande massa. Eu ouvi prefeitos, lideranças, todos os segmentos que eu represento. Eu tenho uma responsabilidade com a minha família, com certeza, mas tenho responsabilidade com o meu Estado e o País. Ele continua contrário mas me respeitou e entende que o voto é da Geovania como representante de uma massa", comentou Geovania.

A deputada citou o recado que recebeu do pai quando decidiu pelo voto. "Ele disse, o voto é teu, se fosse eu, votaria contra, me disse o pai. Claro que ele não está feliz, ele está defendendo a classe, principalmente os ceramistas. Não vamos desistir, sempre defendi o trabalhador. Mas vou ter muito espaço para discutir isso na reforma", afirmou.

Mas Geovania não desistiu de buscar alternativas à reforma para contemplar aposentadorias especiais de mineiros, ceramistas e químicos, trabalhadores com classes significativas e emblemáticas na região de Criciúma. "Eu disse ao Rodrigo Maia (presidente da Câmara) que vou entrar com o projeto, ele disse para eu entrar. Se conseguir, será uma grande conquista para mineiros, ceramistas, químicos. Não vamos desistir. Meu pai sabe bem da minha luta, e virão outras lutas importantes. A aposentadoria é importante, mas para manter temos que ter empresas funcionando", destacou a tucana.

Como decidiu o voto

A jornada de Geovania para definir o voto pela reforma envolveu uma série de reuniões. "Fizemos várias análises, levamos reuniões em consideração, pesquisas, audiências, reuniões com associações, empregados e empregadores, ouvindo as pessoas", destacou. "Lutamos para alterações em muitas questões, estamos votando agora os destaques que vão suprimir do texto algumas questões como os policiais, professores, destaques até com votos unânimes", salientou. "Para o meu voto ouvi a todos. Tentamos construir o melhor texto, tivemos muitas conversas com o relator, o secretário nacional, e conseguimos nas aposentadorias especiais apresentar emendas e destaques, nenhum foi aceito pois o governo não queria manter as aposentadorias especiais, pois teria impacto na economia", comentou a deputada.

Geovania confirmou que, nos próximos dias, ingressará com um Projeto de Lei Complementar para tentar incluir as aposentadorias especiais na reforma. "Não era o que nós queríamos, mas pela expectativa de vida do cidadão que vai aumentar, para manter as aposentadorias, votamos favoráveis. O meu partido fechou questão, o que foi importante na decisão do voto, mas também ouvimos os eleitores", enfatizou.

Na bancada do PSDB houve apenas um voto contrário à reforma. O partido de Geovania havia fechado questão. Questionada sobre a situação da deputada Tábata Amaral (PDT-SP), que está sujeita a punição por ter votado contra a orientação do seu partido - o PDT fechou questão contra, mas ela votou a favor -, Geovania argumentou que cada sigla tem a sua característica. "Nós tivemos 19 votos da oposição favoráveis à reforma, não é só ela que está passando por isso. Depende do regimento de cada partido. O relator da reforma é do PSDB, meu colega desde o outro mandato. Realmente para o PSDB ficou muito difícil, essa decisão vai ter um impacto para quem votou contrário à reforma", sublinhou.