O monitoramento de um furgão branco e a movimentação suspeita em um galpão de Balneário Piçarras foram fundamentais para a Polícia Civil de Santa Catarina chegar às 4,4 toneladas de cocaína apreendidas nessa quinta-feira (29). Os detalhes da investigação foram apresentados durante uma coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta-feira (30), na Delegacia-Geral, em Florianópolis.
Segundo o delegado Eduardo Dallo, responsável pela Delegacia de Combate às Drogas (Decod) de Itajaí, a investigação durou aproximadamente um mês. Nesse período, os policiais identificaram a circulação de veículos, monitoraram um imóvel e estabeleceram a ligação de seis estrangeiros provenientes do Reino Unido com as atividades consideradas suspeitas.
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A operação terminou com a apreensão de 4.426,2 quilos de cocaína, a maior quantidade já registrada em uma única ação em Santa Catarina, e a prisão em flagrante dos seis investigados. A apreensão havia sido divulgada pela Polícia Civil na quinta-feira, mas os detalhes do trabalho investigativo foram apresentados somente nesta sexta-feira.
Furgão branco passou a ser monitorado
Conforme explicou Dallo, os trabalhos começaram após a identificação de movimentações suspeitas em Balneário Piçarras, no Litoral Norte catarinense.
A partir do cruzamento de informações e de ações de inteligência, os policiais passaram a acompanhar a circulação de um furgão branco pela região.
Os levantamentos permitiram relacionar o veículo a um galpão utilizado pelo grupo e identificar inicialmente cinco suspeitos. Durante o avanço das investigações, os policiais descobriram a participação de um sexto estrangeiro, que, segundo a Polícia Civil, exercia a função de vigilância no imóvel.
O delegado destacou que as últimas 72 horas anteriores à apreensão foram decisivas para a operação.
Na quinta-feira (29), os investigadores abordaram o furgão e, posteriormente, realizaram buscas no galpão, onde encontraram a grande quantidade de cocaína armazenada.
Polícia encontrou droga em paletes dentro de galpão
Durante as buscas, os policiais localizaram a cocaína distribuída em diversos paletes protegidos.
Segundo a Polícia Civil, os investigadores também perceberam um forte odor de produto químico no interior do imóvel. A suspeita é de que a substância estivesse sendo utilizada para disfarçar o cheiro da droga, hipótese que ainda depende de esclarecimento.
“Foi um golpe gigantesco na narcotraficância. Foi emocionante o momento em que o policial encontrou a droga e, logo depois, um dos indivíduos confirmou que havia uma grande quantidade de entorpecentes no local”, relatou Eduardo Dallo.
A operação contou com o apoio do Núcleo de Operações com Cães da Polícia Civil. Ainda na quinta-feira, a Polícia Científica realizou exames em amostras do material, confirmando que se tratava de cocaína.
Destino da droga ainda é investigado
Apesar da quantidade apreendida e da presença de estrangeiros entre os suspeitos, a Polícia Civil ainda trabalha para esclarecer a origem e o destino final do carregamento.
A localização do galpão na região de Itajaí, que concentra uma importante estrutura portuária, é um dos fatores considerados pelos investigadores na apuração da logística utilizada pelo grupo.
Até o momento, não houve confirmação oficial de que a carga seria enviada ao exterior ou de que seria transportada por meio dos portos catarinenses.
As investigações também buscam identificar eventuais outros participantes da organização e reconstruir as etapas de movimentação dos entorpecentes.
Seis estrangeiros tiveram prisão preventiva solicitada
Os seis suspeitos provenientes do Reino Unido foram presos em flagrante pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Durante a coletiva, a Polícia Civil informou que já solicitou à Justiça a conversão das prisões em flagrante em preventivas. O pedido ainda depende de decisão judicial.
A operação foi conduzida pela Decod de Itajaí, unidade criada há pouco mais de um ano, segundo a corporação.
O delegado-geral da Polícia Civil, Marcelo Sampaio Nogueira, destacou a dimensão da apreensão e afirmou que há indícios de que o volume também represente um recorde nacional em uma única operação.
A estimativa apresentada na coletiva aponta para um prejuízo potencial superior a R$ 450 milhões ao narcotráfico. Na divulgação inicial, a Polícia Civil havia estimado o valor em mais de R$ 486 milhões, considerando a possível comercialização da droga no mercado britânico.
As investigações continuam para identificar a origem do carregamento, sua destinação e a participação de outros possíveis envolvidos.
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