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Febre do Nilo Ocidental: conheça a doença rara que matou idosa em Santa Catarina

Apesar da morte recente em Imbituba, especialistas destacam baixa letalidade da doença

Por Davi Brabos Criciúma, SC, 26/08/2026 - 15:08 Atualizado há quase um minuto
Febre do Nilo Ocidental é uma infecção causada por um arbovírus, grupo que também inclui os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela | Foto: Fiocruz/Divulgação
Febre do Nilo Ocidental é uma infecção causada por um arbovírus, grupo que também inclui os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela | Foto: Fiocruz/Divulgação

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A morte de uma mulher de 77 anos, em Imbituba colocou a febre do Nilo Ocidental no radar das autoridades de saúde. A doença é rara no Brasil e, segundo o Ministério da Saúde, Santa Catarina já confirmou dois casos humanos, sendo um deles com evolução para morte.

Apesar da gravidade que pode ocorrer em alguns pacientes, especialistas destacam que a maioria das pessoas infectadas não desenvolve sintomas ou apresenta apenas manifestações leves. Menos de 1% dos casos evolui para formas graves da doença.

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A febre do Nilo Ocidental é uma infecção causada por um arbovírus, grupo que também inclui os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. A transmissão ocorre principalmente por mosquitos do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos ou muriçocas.

Como ocorre a transmissão?

O ciclo da doença envolve principalmente aves e mosquitos. O inseto se infecta ao picar uma ave contaminada e posteriormente pode transmitir o vírus a seres humanos por meio de outra picada.

O infectologista Furtado da Costa, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, explica que o contato direto com aves não significa, por si só, risco de transmissão. “Os mosquitos picam as aves infectadas [reservatórios do vírus] e, picando o ser humano, podem transmitir a doença. Os sintomas são muito parecidos com os de arboviroses como dengue, zika, que são vírus ‘primos’”, contou.

O especialista também ressalta que a ocorrência da doença deve ser acompanhada pelas autoridades, principalmente diante de registros de mortalidade anormal entre aves. “Não há motivo para preocupação, mas é preciso mapear os casos e manter vigilância às aves e locais com mortalidade de aves fora do normal”

Quais são os sintomas da Febre do Nilo Ocidental?

Cerca de 20% desenvolvem sintomas, na maioria dos casos de forma leve | Foto: Canva/4oito

A maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas. A estimativa é de que aproximadamente 20% desenvolvam alguma manifestação clínica, geralmente de forma leve.

Entre os sintomas possíveis estão:

  • febre e mal-estar;

  • falta de apetite;

  • náuseas e vômitos;

  • dor de cabeça;

  • dores musculares;

  • dor nos olhos;

  • manchas na pele;

  • aumento dos gânglios linfáticos.

Em uma parcela pequena dos pacientes, porém, a infecção pode atingir o sistema nervoso e provocar sintomas mais graves, como confusão mental, rebaixamento do nível de consciência, tremores e convulsões.

Formas graves podem atingir o sistema nervoso

Nos casos mais severos, a febre do Nilo Ocidental pode provocar encefalite, meningite e outras alterações neurológicas. Nessas situações, é necessária avaliação médica e, dependendo do quadro, internação hospitalar.

O tratamento é feito de acordo com os sintomas e pode envolver hidratação intravenosa, suporte respiratório e medidas para prevenir ou tratar complicações. Não existe, atualmente, vacina ou antiviral específico disponível para seres humanos. “Ainda não há estudo idealizando uma vacina para essa doença, que tem um número muito pequeno de casos pelo mundo, totalmente diferente de outras arboviroses com um número bem maior de casos como zika e dengue”, explicou o infectologista.

Casos confirmados no Brasil

Além dos registros em Santa Catarina, o Ministério da Saúde acompanha casos em outros estados. Em São Paulo, duas pessoas tiveram a infecção confirmada: uma mulher de 34 anos, de Ribeirão Preto, que havia viajado recentemente para a região amazônica e já se recuperou, e uma adolescente de 18 anos, de São José do Rio Preto, que permanecia internada.

Segundo a pasta federal, Santa Catarina confirmou dois casos humanos, com um deles evoluindo para morte, enquanto o Piauí possui um caso considerado provável.

Diante dos registros, o Ministério da Saúde mantém ações de vigilância epidemiológica e laboratorial para identificar novos casos e possíveis áreas de transmissão.

Como é feito o diagnóstico?

A identificação da doença considera os sintomas apresentados pelo paciente, o histórico de exposição a áreas onde há circulação do vírus e exames laboratoriais.

Como os sintomas iniciais podem ser semelhantes aos de outras arboviroses, a investigação é importante principalmente quando há sinais neurológicos ou indicação de exposição ao vírus.

A principal forma de prevenção é evitar picadas de mosquitos, com uso de repelentes, roupas que reduzam a exposição da pele e medidas para diminuir a presença de mosquitos nas áreas de circulação.

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