Em meio ao período eleitoral, empresários e representantes da educação discutiram nesta segunda-feira (31), no programa Adelor Lessa, da Rádio Som Maior, quais devem ser as prioridades dos próximos governos para Santa Catarina.
A conversa reuniu representantes de diferentes setores da economia e da educação e teve como principal ponto de convergência a necessidade de pensar políticas de longo prazo, que ultrapassem os mandatos de quatro anos.
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Participaram da conversa o empresário Guilherme Maia, da Maibem; Deisi Nunes, diretora-proprietária da Consultoria Nunes; Bernardo Zilli, diretor das Lojas Adelino; Ruan Teixeira, diretor e sócio da Vox; e Gisele Coelho Lopes, reitora em exercício da Unesc.
Ouça o que disseram os empresários:
Planejamento para além dos mandatos
Para Ruan Teixeira, os candidatos precisam apresentar propostas voltadas aos desafios que já estão transformando o mercado, como inteligência artificial, automação, tecnologia e logística. Segundo ele, o debate eleitoral ainda está muito concentrado em problemas antigos e falta uma visão de futuro.
O empresário defendeu que o planejamento público não fique restrito ao período de um mandato. "A gente precisa parar de pensar nos próximos quatro e começar a pensar em 10, 20."
Ruan também destacou a necessidade de preparar profissionais para as mudanças provocadas pela tecnologia e lembrou que a formação de mão de obra qualificada exige planejamento e tempo.
Na avaliação dele, o país precisa de um projeto de longo prazo que não esteja condicionado a interesses partidários ou eleitorais. "Eu acho que falta a gente se desprender um pouco desses quatro anos e pensar a longo prazo."
Segurança jurídica é apontada como essencial para investimentos
Representante do setor industrial, Guilherme Maia colocou a segurança jurídica e a previsibilidade como algumas das principais preocupações dos empresários. Segundo ele, os investimentos na indústria muitas vezes começam anos antes de um produto chegar ao mercado.
Por isso, mudanças frequentes nas regras podem aumentar custos e dificultar decisões de longo prazo. "Nós precisamos de previsibilidade. Precisamos ter realmente uma direção."
Maia também defendeu um ambiente mais seguro para os investimentos nacionais e estrangeiros e afirmou que o Estado precisa atuar na fiscalização e na organização, mas sem criar obstáculos excessivos para quem produz.
Outro ponto levantado pelo empresário foi a situação fiscal do país e o impacto dos gastos públicos sobre os juros, a inflação e o custo do dinheiro.
Burocracia e insegurança jurídica preocupam setor produtivo
Deisi Nunes também colocou a insegurança jurídica entre os principais entraves para os negócios. Para ela, a burocracia e a demora na aprovação de projetos, licenciamentos e outros processos acabam aumentando os custos e dificultando investimentos.
"A gente faz um investimento e chega no meio do caminho, e o entendimento que existia três anos atrás não é mais o mesmo."
Na avaliação da empresária, a simplificação de processos poderia tornar o ambiente de negócios mais atrativo e estimular novos investimentos.
Ao falar sobre uma medida prioritária para o próximo governo, Deisi apontou a necessidade de uma solução para o Morro dos Cavalos, considerando os impactos do trecho sobre a logística e o desenvolvimento da Região Sul.
Educação como base para o desenvolvimento
A educação foi o principal foco da fala da reitora em exercício da Unesc, Gisele Coelho Lopes. Para ela, não é possível discutir desenvolvimento econômico sem tratar da formação de pessoas.
Gisele destacou a necessidade de profissionais qualificados para atender às demandas atuais e futuras das empresas e citou um estudo do InovaSul, realizado com diferentes segmentos econômicos, que apontou a qualificação de pessoas como uma das necessidades prioritárias.
A reitora também defendeu o fortalecimento do Programa Universidade Gratuita e das universidades comunitárias de Santa Catarina. "A educação é algo que não dá para nós abrirmos mão."
Segundo Gisele, a discussão também precisa envolver a educação básica, a permanência dos estudantes e o fortalecimento da formação técnica.
Tecnologia e inovação precisam estar na agenda
A inteligência artificial e a inovação apareceram em diferentes momentos do debate. Para Gisele, além da formação profissional, Santa Catarina precisa ampliar investimentos em pesquisa e desenvolvimento, aproximando universidades e setor produtivo.
A reitora defendeu que o Estado não fique apenas dependente da importação de tecnologias e destacou a importância de desenvolver soluções próprias.
Ela também citou a necessidade de ampliar a infraestrutura de conectividade e mencionou o 5G como elemento importante para o desenvolvimento da indústria e dos demais setores econômicos.
Para Ruan, a transformação tecnológica já está acontecendo e precisa ser considerada nas políticas públicas atuais, especialmente diante do avanço da automação e da inteligência artificial.
Inadimplência e juros preocupam o comércio
Representando o comércio, Bernardo Zilli chamou atenção para um problema que, segundo ele, tem sido pouco abordado nos debates eleitorais: a inadimplência.
O empresário afirmou que o aumento do número de consumidores endividados afeta diretamente o varejo, principalmente em um cenário de juros elevados. "É um assunto que nos afeta bastante, que afeta todos os dias o setor do comércio, do varejo."
Zilli também demonstrou preocupação com os impactos da reforma tributária sobre o fluxo de caixa das empresas e defendeu uma discussão mais ampla sobre os efeitos da carga tributária e dos juros sobre os negócios.
Outro ponto levantado por ele foi o chamado pacto federativo. Na avaliação do empresário, Santa Catarina produz e arrecada muito, mas recebe uma parcela menor dos recursos de volta.
Logística aparece como uma das principais prioridades
A infraestrutura logística foi outro tema comum entre os participantes. O Morro dos Cavalos foi citado como um dos principais gargalos para o Sul de Santa Catarina.
Guilherme Maia destacou que, em determinadas situações, consegue entregar mercadorias de Araranguá para o interior de São Paulo mais rapidamente do que para Chapecó, no Oeste catarinense.
Gisele também defendeu investimentos em diferentes modais logísticos para melhorar a conexão entre o Oeste, o Norte e o Sul do Estado.
Além do Morro dos Cavalos, a extensão da Via rápida eté o Balneário Rincão foi citada por Gisele como uma demanda importante para a Região Sul.
Turismo, infraestrutura e fortalecimento das empresas catarinenses
Gisele também defendeu que o próximo governo desenvolva estratégias para estimular o consumo dentro do próprio Estado e fortaleça setores como o turismo.
Segundo ela, investir no turismo significa também investir em infraestrutura, transporte, conectividade e qualificação profissional.
A reitora ressaltou ainda que, além de atrair novos empreendimentos, o Estado precisa fortalecer as empresas que já estão instaladas em Santa Catarina. "É necessário fortalecer os negócios que estão aqui."
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