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Economista da Fiesc diz que mercado exagerou e dólar deve recuar dos R$ 5,60

Pablo Bittencourt afirma que juros altos são o maior problema da indústria catarinense e que ajuste fiscal é esperado

Por José Demathé Criciúma, SC, 26/10/2026 - 17:09 Atualizado há 46 minutos
Pablo Bittencourt, economista-chefe da Fiesc, analisa reação do mercado à reeleição de Lula | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/4oito
Pablo Bittencourt, economista-chefe da Fiesc, analisa reação do mercado à reeleição de Lula | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/4oito

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O economista-chefe da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Pablo Bittencourt, avalia que o mercado exagerou na reação ao resultado do segundo turno e que o dólar, acima de R$ 5,60 nesta segunda-feira (26), deve recuar nos próximos dias. A análise foi dada ao programa 60 Minutos. Segundo ele, a Bolsa chegou a ter circuit breaker pela manhã, com ações cíclicas caindo quase 40% e bancos entre 20% e 25%. O dólar estava em R$ 5,56 quando ele saiu da federação.

“Me parece que o mercado hoje está exagerando um pouco. Deve haver uma correção nos próximos dias, tanto no patamar do dólar quanto no da Bolsa”, disse.

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Por que o mercado reagiu

De acordo com Bittencourt, na sexta-feira (23) quase todas as pesquisas apontavam vitória do candidato da oposição, e os ativos brasileiros subiram com a expectativa de que Flávio Bolsonaro faria um ajuste fiscal que derrubasse os juros. Com a reeleição de Lula, essa aposta se desfez. Os títulos do Tesouro Nacional passaram a pagar 15,40% ao ano para 2029 e 15,78% para 2032, bem acima do que era visto antes do primeiro turno.

O que a indústria quer

Para o economista, o industrial quer investir em produção e inovação, e para isso precisa de juros bem menores do que os dos últimos anos. Ele afirma que a taxa alta “envenena” a economia, com famílias e empresas endividadas, e que programas como o Desenrola são paliativos.

“O que precisa mesmo é uma queda consistente da taxa de juros. E para isso é preciso um ajuste de contas capaz de reduzir a velocidade de crescimento do gasto público sem reduzir a de crescimento da arrecadação, de maneira a preservar a capacidade produtiva”, afirmou.

Dólar passou de R$ 5,60 e Bolsa teve circuit breaker nesta segunda-feira (26) | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil/4oito 

Dois cenários para o câmbio

No primeiro, nada muda. Sem um ajuste fiscal mínimo, o dólar ficaria perto de R$ 5,20 a R$ 5,30 até o fim do ano, segundo ele, mas o resultado também depende dos Estados Unidos: se os republicanos perderem as eleições legislativas, deve haver fluxo de capitais para lá, o que pode desvalorizar mais o real.

No segundo, o governo não faz ajuste fiscal. Aí o câmbio pode chegar a R$ 6, R$ 6,20 ou R$ 6,30, e a economia pode entrar em depressão. Pablo acredita que haverá medidas, mesmo que menos intensas do que as esperadas na candidatura da oposição, e que o ajuste ficou para depois porque 2026 foi ano de eleição.

“Algum ajuste fiscal é esperado por todo mundo, porque o ritmo de crescimento das despesas é incompatível com as próprias metas de superávit primário. O que importa é a intensidade e a forma como vai vir”, disse.

Dólar alto ajuda exportador?

Questionado sobre os exportadores catarinenses, o economista disse que quem exporta ganha com mais reais no caixa, mas que o efeito sobre o volume exportado e o emprego só aparece com muito tempo de câmbio alto. Já quem depende de insumos importados e os consumidores são prejudicados. Ele alerta que um dólar muito alto por muito tempo pressiona os preços e pode levar à chamada dominância fiscal.

“Os empresários que estão a ponto de exportar podem até estar sorrindo, mas a economia não tende a sorrir com um câmbio muito desvalorizado”, afirmou.

 

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