Aproximadamente 30% da população mundial convive com algum tipo de alergia, segundo dados da Organização Mundial de Alergia (WAO). No Brasil, a realidade segue a mesma proporção. Para a presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), Fátima Rodrigues Fernandes, o número de brasileiros com doenças alérgicas é tão expressivo que representa "um país dentro do próprio país".
As alergias são provocadas por alterações no sistema imunológico, que passa a reagir de forma exagerada a determinados estímulos, desencadeando processos inflamatórios no organismo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, até 2050, cerca de metade da população mundial poderá desenvolver algum tipo de alergia. Entre os fatores que contribuem para esse cenário estão as mudanças climáticas, que favorecem a circulação e a exposição a agentes alergênicos.
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Entre as condições mais comuns está a rinite alérgica, que afeta aproximadamente 30% dos brasileiros. Entre as crianças, a incidência chega a 26%, enquanto entre adolescentes alcança 30%, conforme dados do Estudo Internacional de Asma e Alergias na Infância (ISSAC).
A asma alérgica também apresenta elevada prevalência no país, atingindo cerca de 20% da população. Em nível global, a doença acomete aproximadamente 260 milhões de pessoas e está relacionada a mais de 450 mil mortes anuais. Os sintomas incluem falta de ar, chiado no peito, tosse, fadiga e desconforto torácico, podendo surgir após esforços físicos ou até durante conversas e risadas.
Outra enfermidade que impacta significativamente a qualidade de vida é a dermatite atópica, uma doença crônica e não contagiosa da pele. O problema afeta pessoas de todas as idades, mas é mais frequente na infância, atingindo cerca de 20% das crianças. Desse total, aproximadamente 5% apresentam quadros mais severos.
Cerca de 60% dos casos têm início ainda no primeiro ano de vida. Entre os adultos, a estimativa é de que 3% convivam com a doença. A coceira intensa e as lesões cutâneas podem contribuir para o desenvolvimento de ansiedade e até depressão.
Semana Mundial da Alergia
Entre os dias 21 e 27 de junho, ocorre a Semana Mundial da Alergia, promovida pela WAO e, no Brasil, pela Asbai. A iniciativa busca conscientizar a população sobre a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das doenças alérgicas, cuja incidência cresce ano após ano.
Neste ano, a campanha tem como tema "Cuidado com a Alergia é Cuidado Essencial", destacando a importância da atenção à saúde de toda a família.
A rinite alérgica, uma das condições mais frequentes, é caracterizada por sintomas como coceira no nariz e nos olhos, espirros repetitivos, coriza e obstrução nasal, mesmo sem a presença de resfriados.
Segundo especialistas, muitas pessoas se acostumam aos sintomas e acabam acreditando que eles fazem parte da rotina normal, quando, na verdade, podem ser controlados com acompanhamento adequado.
Como a campanha coincide com o início do inverno no Hemisfério Sul, a entidade reforça o alerta para as doenças respiratórias e incentiva a busca por avaliação médica especializada, seja com alergistas ou imunologistas.
Embora a maioria das alergias tenha origem genética e não possua cura definitiva, os especialistas destacam que elas podem ser controladas de forma eficaz. Com o tratamento correto, muitos pacientes conseguem permanecer sem sintomas por longos períodos.
Para isso, é fundamental identificar qual substância desencadeia a reação alérgica e adotar a abordagem terapêutica mais adequada para cada caso.
Além de conteúdos educativos disponibilizados no site e nas redes sociais da Asbai, a campanha contará com atividades presenciais em diversas regiões do país para esclarecer dúvidas e demonstrar como funcionam os exames utilizados no diagnóstico das alergias.
Diagnóstico e prevenção
Especialistas orientam que a população esteja atenta aos sinais do corpo. Sintomas recorrentes como falta de ar, tosse persistente, espirros frequentes e irritações na pele não devem ser ignorados.
No inverno, período em que os problemas respiratórios costumam se intensificar, a recomendação é procurar atendimento médico, preferencialmente com profissionais especializados na área. O diagnóstico pode ser realizado por meio de testes cutâneos ou exames laboratoriais de sangue, capazes de identificar os agentes responsáveis pelas reações alérgicas.
De acordo com a Asbai, identificar a causa da alergia é essencial para prevenir novas crises, melhorar o controle da doença e proporcionar mais qualidade de vida ao paciente. Além das alergias respiratórias, especialistas alertam para as alergias alimentares, que podem provocar reações graves, as dermatites e as urticárias, que também causam grande impacto na rotina dos pacientes.
Cuidado que envolve toda a família
A campanha deste ano também chama a atenção para o papel dos familiares no cuidado com as doenças alérgicas. Como muitas dessas condições possuem caráter hereditário, é comum que vários integrantes da mesma família apresentem sintomas semelhantes.
Por isso, a orientação é que não apenas a criança alérgica receba acompanhamento, mas que todos os familiares observem e tratem possíveis manifestações da doença. Medidas como o controle da poeira, dos ácaros e da umidade dentro de casa fazem parte do tratamento e contribuem para a melhoria da qualidade de vida de toda a família.
Recomendações
- O diagnóstico representa o primeiro passo para o controle da doença e para a prevenção de crises mais graves;
- Tosse frequente, espirros constantes, coceira na pele e falta de ar não devem ser considerados normais.;
- Alergia é uma condição médica séria e deve ser tratada com orientação profissional;
- O tratamento não se limita ao uso de medicamentos; cuidados com o ambiente doméstico também são fundamentais para o controle dos sintomas.
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