A qualidade do ar em Criciúma registrou índices considerados insalubres nos últimos dias. Enquanto o nível ideal é o mais próximo possível de zero, a média histórica da região costuma variar entre 12 e 15, mas nesta semana os indicadores chegaram a atingir a marca de 170.
O monitoramento é realizado por meio de sensores importados instalados em três pontos da cidade: na Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), no Colégio Marista e na comunidade de Linha Batista. Os equipamentos acompanham a qualidade do ar em tempo real, minuto a minuto.
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As partículas em suspensão podem ter diferentes origens, como emissões industriais, gases liberados por veículos e até mesmo queimadas ocorridas a milhares de quilômetros de distância.
"As partículas são extremamente pequenas. Podemos dizer que equivalem a um milímetro dividido por mil. Por serem tão minúsculas, conseguem penetrar profundamente nos pulmões, atingir a corrente sanguínea e até entrar em células do organismo. Elas estão presentes em toda parte e podem chegar até aqui transportadas pelos ventos, inclusive a partir das queimadas que ocorrem na região amazônica, algo bastante comum nesta época do ano", explica o climatologista e meteorologista Michael Peterson.
Segundo o especialista, as concentrações mais elevadas dessas partículas costumam ocorrer nas primeiras horas da manhã e no final da tarde. As condições meteorológicas também influenciam diretamente a qualidade do ar.
"Nos dias de frio intenso, acontece um fenômeno em que o ar frio fica preso próximo ao solo e impede a circulação do ar. Com isso, poluentes e outras partículas acabam se concentrando na atmosfera, piorando a qualidade do ar. Ao longo do dia, quando o vento aumenta e a temperatura sobe, essas partículas se dispersam. Já no início da manhã e no fim da tarde, quando as temperaturas voltam a cair, a qualidade do ar tende a piorar novamente", detalha.
A chuva também exerce papel importante nesse processo. De acordo com Peterson, as precipitações ajudam a remover partículas suspensas da atmosfera, promovendo uma espécie de "limpeza" natural do ar.
Sol avermelhado pode indicar maior concentração de partículas
Um fenômeno que ajuda a indentificar é a coloração intensa do sol em alguns momentos do dia. Embora o tom alaranjado ou avermelhado seja considerado bonito por muitas pessoas, ele pode ser um indicativo de maior concentração de partículas na atmosfera.
"Quando observamos o sol muito vermelho ou alaranjado, isso geralmente significa que há uma quantidade maior de partículas suspensas no ar. Cada elemento químico reage de uma forma diferente à luz solar, provocando alterações na coloração que enxergamos", explica o meteorologista.
Cuidados com a saúde
Pessoas mais sensíveis, como crianças, idosos e indivíduos com doenças respiratórias, devem redobrar a atenção nos horários em que a concentração de partículas costuma ser maior.
"Além de evitar atividades físicas e caminhadas no início da manhã e no final da tarde, é importante manter uma boa hidratação e seguir corretamente os tratamentos e medicamentos prescritos pelo médico para amenizar sintomas como tosse, irritação nas vias respiratórias e falta de ar", orienta Peterson.
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