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Capítulo 9 - Nereu Ramos

Os homens que governaram Santa Catarina
Por Archimedes Naspolini Filho Criciúma - SC, 06/12/2018 - 09:05

NEREU DE OLIVEIRA RAMOS
17º Governador de Santa Catarina – 1937/1945

Época de interventores federais

A “Revolução de 30”, comandada por Getúlio Vargas, produziu, no Brasil, ação interventora em todos os governos estaduais. Aqui, em Santa Catarina, há uma coleção. Então tivemos: de 24 de outubro de 1930 a 28 de fevereiro de 1931, a Junta Governativa constituída por Acastro Jorge de Campos, Otávio Valgas Neves e Henrique Melquíades Cavalcanti. Interventores: Ptolomeu de Assis Brasil, titular, e os suplentes Manoel Pedro da Silveira, Luiz Carlos de Moraes, Cândido de Oliveira Ramos. Rui Zobaran, titular, Aristiliano Laureano Ramos (16º Governador, como Interventor Federal), titular, e os suplentes Plácido Olympio Nóbrega de Oliveira e Fontoura Borges do Amaral Mello. Período compreendido entre 24 de outubro de 1930 a 29 de abril de 1935.

Nesta data o povo elegeu o 17º Governador, Nereu de Oliveira Ramos que, em 1937, seria destituído – ainda por Getúlio Vargas - mas nomeado Interventor Federal. Enquanto Interventor Nereu seria substituído, eventualmente, por Ivo D’Aquino Fonseca e Altamiro Lobo Guimarães.
 

Nereu Ramos, 17º Governador do Estado


Nasceu na cidade de Lages a 3 de setembro de 1888. Faleceu em desastre aviatório, em São José dos Pinhais, dia 16 de junho de 1958. Foi sepultado no Rio de Janeiro. Seus restos mortais foram depois trasladados para Lages, sendo resguardados no Memorial Nereu Ramos, juntamente com um acervo de documentos e fotografias, e também partes do avião acidentado.

Filho de Vidal José de Oliveira Ramos Júnior – o 7º Governador do Estado (1910/1914) – e Tereza Fiúza de Carvalho Ramos.

Bacharel em Direito pela Faculdade de São Paulo, formado em 1909 e, já no ano seguinte, eleito Deputado Estadual. 

Aqui, no estado, juntou-se aos que faziam oposição ao governo de Hercílio Luz. Em 1910 foi eleito Deputado Estadual, reeleito em 1919 cumprindo mandato até 1921.

Ajudou a fundar a Reação Republicana, nome pelo qual ficou conhecida a chapa de oposição apresentada, em 1921, contra o candidato à presidência da República apoiado por Minas Gerais e São Paulo. 

Em 1927 assinou a ata de fundação do Partido Liberal Catarinense e eleito o seu Presidente.

Em 1929, o Presidente Washington Luiz, rompeu o acordo da “Política Café com Leite” e, paulista que era, escolheu como candidato à sua sucessão outro paulista, Júlio Prestes. Isso desencadeou um protesto nacional denominado Campanha Aliancista que, em 1930, foi liderado, em Santa Catarina, por Nereu Ramos ao lado de seu pai Vidal Ramos, Henrique Rupp Júnior e Aristiliano Ramos. Nesse mesmo ano era conduzido à Câmara Federal, mas, com a vitória da “Revolução de 30” o Congresso Nacional foi fechado e teve o seu mandato extinto. A Revolução de 1930 foi o movimento armado, liderado pelos estados de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul, que culminou com o golpe de Estado, o Golpe de 1930, que depôs o presidente da república Washington Luís, em 24 de outubro de 1930, impediu a posse do presidente eleito Júlio Prestes e pôs fim à República Velha. 

Nereu Ramos apoiou a Revolução Constitucionalista de 1932 e, no ano seguinte, foi eleito Deputado Federal Constituinte Na Câmara foi um dos 26 deputados integrantes da Comissão encarregada de examinar e dar parecer ao projeto de Constituição Federal escrito pelo Governo Provisório da Revolução de 30, presidido por Getúlio Vargas. Em 1934 foi eleito Governador do Estado e nomeado Interventor Federal em Santa Catarina, cargo que exerceu até 8 de novembro de 1945, quando entregou o cargo ao Interventor Federal, 18º Governador, Luiz Galotti, que governou até 5/2/46 sando substituído por Udo Deeke, também Interventor Federal, nosso 19º Governador.

Em 1946 foi eleito, simultaneamente, Deputado Federal e Senador da República, pela legenda do PSD. Nesse ano, depois da eleição do General Eurico Gaspar Dutra à presidência, foi eleito, em pleito indireto, pelo Congresso Nacional, Vice-Presidente da República,  no dia 19 de setembro de 1946, com 178 votos, contra 139 dados a José Américo de Almeida, da UDN, e outros menos votados. 

Em 1950 foi eleito Deputado Federal para o mandato de 1951-1955, quando presidiu a Câmara Federal (1951). Cinco anos depois era eleito Senador e escolhido 1º Vice-Presidente da Câmara Alta do Congresso Nacional. Como 1º vice-presidente do Senado, de acordo com a Constituição vigente à época, era o terceiro na linha de sucessão constitucional da Presidência da República. Em 11 de novembro de 1955, assumiu a Presidência do Brasil em virtude da ocorrência de três fatos históricos: o suicídio do titular, Getúlio Vargas, ocorrido em 24 de agosto de 1954; o pedido de licença por motivos de saúde do presidente Café Filho (sucessor de Getúlio, que sofre posterior impeachment, já no governo Nereu Ramos), ocorrido em 8 de novembro de 1955; e o impeachment do presidente Carlos Luz, liderado pelo General Henrique Lott, no Movimento de 11 de Novembro que garantiria a posse do Presidente  eleito Juscelino Kubitschek de Oliveira. Desse governo foi ministro da Justiça até 1957, quando retornou ao mandato de Senador. Todo o período em que Nereu presidiu o Brasil o fez com o país em ‘estado de sítio’.

Bibliografia: Corrêa, Carlos Humberto, Os Governantes de Santa Catarina de 1739 a 1982, Editora da UFSC, 1983; Arquivo Público de Santa Catarina; Wikipédia, Internet; Governo do Estado de Santa Catarina. 
Contato com o autor: naspolini@engeplus.com.br