A Selic, taxa básica de juros da economia, vai continuar em 13,75% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central interrompeu nesta quarta-feira (4) a sequência de cinco cortes seguidos. A decisão foi unânime e surpreendeu o mercado financeiro, que em sua maioria esperava uma nova redução de 0,25 ponto.
Segundo o comunicado do Banco Central, as incertezas aumentaram nas últimas semanas e as expectativas de inflação continuam acima da meta. Entre os motivos estão a instabilidade do dólar, o agravamento da guerra no Oriente Médio e o início do El Niño, fenômeno climático que pode afetar safras e o preço dos alimentos. O Copom não deu sinais sobre os próximos passos. A próxima reunião será em 8 e 9 de dezembro.
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Inflação segue acima do teto da meta
A meta de inflação é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo, ou seja, o limite é de 4,5%. Desde 2025, o cumprimento é verificado mês a mês, sempre considerando os últimos 12 meses.
A prévia da inflação de outubro, o IPCA-15, ficou em 0,32%, ajudada pela queda nas contas de luz. Mesmo assim, o acumulado em 12 meses subiu de 4,5% para 4,62% e passou do teto. Para o fim do ano, o mercado projeta inflação de 5,22%, segundo o boletim Focus, do Banco Central. Antes da guerra no Oriente Médio, a estimativa era de 3,95%.
Crédito continua caro
Com a Selic parada, os juros do crédito devem continuar altos, já que a taxa básica serve de referência para empréstimos e financiamentos. Juros altos seguram o consumo e ajudam a conter os preços, mas também freiam a economia. O Banco Central prevê crescimento de 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, e o mercado espera 1,76%.
Antes dos cortes, a Selic ficou em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, o maior nível em quase 20 anos.
Decisão vem em meio a debate sobre juros
A manutenção ocorre no meio da discussão sobre a proposta do economista André Lara Resende, que defende reduzir a Selic para 7,5% em 12 meses. Na terça-feira (3), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a ideia tem “várias deficiências” e não está em análise pelo governo.
O Copom também trabalha com dois diretores a menos. Os mandatos de Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro, e de Diego Guillen, diretor de Política Econômica, terminaram no fim de 2025. O presidente Lula ainda não enviou os nomes dos substitutos ao Congresso.
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