A cirurgiã dentista e moradora de Criciúma, Marlene Soccas de 92 anos, irá se candidatar ao Senado pelo partido Unidade Popular (UP). O anúncio foi feito durante a convenção do partido na última segunda-feira (20).
Nascida em Laguna, a candidata é formada em Odontologia pela Faculdade e Farmácia e Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 1955 e em história pela Unesc em 2010. Segundo informações de 2014 do site da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), como Secretária, a candidata iniciou o Centro de Defesa dos Direitos Humanos, ajudou a formar o Comitê Brasileiro pela Anistia, na subseção de Criciúma. Em 1980, ela também contribuiu na fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), assinando sua ata de fundação, em São Paulo.
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Trajetória política
Marlene Soccas construiu sua trajetória política a partir da militância de esquerda durante a década de 1960, em um contexto marcado pela repressão da ditadura militar brasileira. Influenciada por lideranças como Paulo Stuart Wright, participou de organizações que se opunham ao regime, entre elas a Ação Popular (AP), a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e a Rede Democrática (REDE).
Em 1970, foi presa por motivos políticos e permaneceu encarcerada por mais de dois anos, período em que, conforme seus relatos e pesquisas históricas, foi submetida a torturas nos órgãos de repressão do regime. Essa experiência marcou profundamente sua atuação posterior e consolidou seu compromisso com a defesa da democracia e dos direitos humanos.
Após sua libertação, Marlene Soccas deu continuidade à sua militância política e social em Santa Catarina. Participou da fundação do Centro de Defesa dos Direitos Humanos em Criciúma e da subseção local do Comitê Brasileiro pela Anistia, atuando em favor dos perseguidos políticos e da preservação da memória sobre a ditadura.
Também esteve entre os fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980, embora tenha deixado a legenda dois anos depois por divergências políticas. Em 1985, filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), partido pelo qual manteve sua atuação e foi candidata ao Governo de Santa Catarina em 2014. Ao longo de sua trajetória, destacou-se pela defesa dos direitos humanos, da justiça social e pela preservação da memória das vítimas da repressão política no Brasil.
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