Esperidião Amin atribuiu a derrota na eleição para o Senado em SC à falta de alinhamento com o núcleo bolsonarista, mas afirmou que seguirá na política. O senador catarinense, que encerra o mandato em janeiro, disse que ainda tem uma agenda de trabalho até o fim da legislatura e que, por enquanto, não pensa em disputar outro cargo.
Para Amin, a eleição de 2026 foi marcada por um sentimento de indignação, principalmente em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), que o PL foi o partido que melhor representou. O senador citou as posições do ministro Alexandre de Moraes e episódios envolvendo o Banco Master como fatores que, na avaliação dele, alimentaram esse sentimento e influenciaram o resultado das urnas.
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“Na minha opinião, o que prevaleceu no Brasil foi a indignação que chegou, digamos, à maré da indignação, especialmente em relação ao STF. Eu acho que a revolta chegou ao nível máximo e resultou nesse conjunto de números que hoje demonstram que a hora da mudança, em termos de governo federal, ligou para a maioria da sociedade brasileira”, afirmou.
Para ele, o resultado precisa ser analisado considerando as diferenças entre estados e regiões, já que a reação do eleitorado não ocorreu da mesma forma em todo o país.
Amin diz que resultado das eleições deixou recados
O senador comparou o cenário atual com a eleição de 2018, quando, segundo ele, imagens relacionadas à Operação Lava Jato e aos casos de corrupção envolvendo a Petrobras ajudaram a formar um sentimento de revolta entre os eleitores. Para Amin, em 2026, a insatisfação com o STF ocupou papel semelhante.
“Eu lembro que na eleição de 2018, aquela imagem do duto, todo dia no Jornal Nacional aquele duto jogando dólar e a Operação Lava Jato, aquilo foi preponderante para alimentar o sentimento de revolta do cidadão. E nesse momento, na eleição deste ano, as posições do STF, do ministro Alexandre de Moraes, foram preponderantes para alimentar o sentimento de indignação da sociedade. E isso acabou influenciando na eleição.”
Na avaliação dele, a não reeleição não ocorreu por uma mudança em suas posições políticas. Amin afirmou que sempre procurou se posicionar de acordo com o que acreditava e que o eleitor catarinense é quem deve explicar o resultado.
- Amin afirma que não vê outra razão para a derrota além da falta de alinhamento com o núcleo bolsonarista;
- senador diz que o PL foi o partido que melhor encarnou o sentimento de indignação demonstrado nas urnas;
- ele considera que o resultado eleitoral representa um recado de mudança no governo federal;
- Amin defende que investigações sobre o Banco Master e eventuais irregularidades relacionadas ao INSS sejam concluídas;
- senador afirma que não pretende, neste momento, definir uma nova candidatura.
Amin também afirmou que pretende continuar acompanhando questões de infraestrutura, como o Morro dos Cavalos.
“Eu não paguei a conta. Eu apenas não estava na carteira de crédito. A carteira de crédito é o PL. Ou seja, o PL encarnou, o partido que encarnou essa revolta, você mesmo sabe disso. O sujeito achou no 22 a forma, a maioria achou no 22 a forma de expressar esse sentimento, que é profundo”, declarou.
“Quem votou não fui eu, eu fui candidato e defendi as minhas posições. Procurei defender com coerência, procurei demonstrar a minha aplicação. Agora, a decisão é do povo, tanto o brasileiro quanto o catarinense. E voto não se discute. Decisão expressa em voto se cumpre”, completou.
Senador quer cumprir mandato até o fim
Apesar de já ter sido citado como possível candidato à Prefeitura de Florianópolis em 2028 ou a uma vaga na Câmara dos Deputados ou no Senado em 2030, Amin descartou que esteja pensando atualmente em uma nova disputa eleitoral. Ele afirmou que pretende, primeiro, concluir o mandato e discutir o futuro do partido.
“Não, isso nem me passa pela cabeça. Do ponto de vista de disputa política, eu não cogito qualquer espécie de participação pessoal. Vamos encaminhar a situação do nosso partido, vamos ter uma reunião e cuidar do futuro do nosso partido”, disse.
“Do ponto de vista de disputa política, eu não cogito qualquer espécie de participação pessoal”, disse.
Até 31 de janeiro, Amin afirma que pretende manter uma agenda de trabalho no Senado. Entre os assuntos que pretende acompanhar estão projetos em tramitação, a discussão sobre a escala de trabalho 6 por 1 e a elaboração do Orçamento da União para 2027.
“Vou cumprir com a maior exação possível o meu mandato até o último dia. Vamos ter na semana que vem sessão deliberativa, provavelmente a respeito de assuntos importantes, com uma escala 6 por 1. Então eu tenho, tanto do ponto de vista legislativo, vários projetos que eu quero ver encaminhados e também cuidar do orçamento da União e defender o máximo possível Santa Catarina.”
O senador também pretende participar das discussões internas do partido. Segundo ele, uma reunião da executiva deve ocorrer na próxima semana para avaliar o resultado das eleições e os próximos passos da sigla.
Amin destacou ainda a eleição de Zé Milton para a Câmara dos Deputados. Para ele, o resultado representa a volta de um deputado federal ligado ao partido e deve fazer parte da avaliação sobre o desempenho da legenda em Santa Catarina.
“Conseguimos eleger um grande deputado federal, o Zé Milton, voltamos a ter um deputado federal na Câmara e isso é muito importante. Acho que pelo menos nisso aí nós acertamos como consequência da federação”, afirmou.
Infraestrutura continua entre as prioridades
Mesmo com o fim do mandato no Senado, Amin afirmou que pretende continuar acompanhando temas de interesse de Santa Catarina, principalmente na área de infraestrutura. Entre as questões citadas está o Morro dos Cavalos, na BR-101, em Palhoça.
O senador disse que pretende acompanhar os compromissos relacionados à obra e defender que sejam fiscalizados a partir de janeiro. Segundo ele, o período será importante para reunir informações e verificar quais providências deverão ser cobradas.
Amin afirmou que pretende cumprir o mandato no Senado até janeiro e, por enquanto, não cogita disputar outro cargo
“Vou continuar apelando nos temas de infraestrutura, principalmente, vamos resumir aí no Morro dos Cavalos. Temos que ter uma fiscalização neste momento, para saber se o compromisso está de pé e se a partir de janeiro caberá ou não a cobrança das providências para início da obra”, afirmou.
Amin reconheceu que não estará mais no Senado quando chegar o momento decisivo para algumas dessas discussões, mas disse que pretende contribuir até o fim do mandato para que o problema avance com mais informações e menos incertezas.
“Infelizmente eu não estarei no Senado em fevereiro, mas é um mês decisivo e eu vou fazer tudo para que se chegue a ele com o maior número de informações e de menos incerteza e mais certeza a respeito do deslindamento desse problema”, afirmou.
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