Ir para o Conteúdo da página Ir para o Menu da página
Carregando Dados...
4
* as opiniões expressas neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do 4oito

Gravidez, Covid e vacinas

Por Dr. Renato Matos 17/05/2021 - 09:20Atualizado em 17/05/2021 - 09:23

A gravidez é um fator de risco para complicações da Covid-19, assim como é para a Influenza.

Um estudo publicado na JAMA Pediatrics, em 22 de abril deste ano, reforça essa associação: 2.130 mulheres de 18 países foram acompanhadas sob a supervisão de pesquisadores da Universidade de Washington e de Oxford. 

As grávidas que contraíram o vírus tiveram um risco 22 vezes maior de morrer do que as não infectadas.

Elas também apresentaram um risco maior de pré-eclâmpsia (hipertensão arterial durante a gravidez), parto prematuro e maior necessidade de internação em unidades de tratamento intensivo.

Comorbidades, como diabetes, e doença sintomática amplificaram o risco de complicações e mortes.

Recém-nascidos de mulheres diagnosticadas com Covid-19 tiveram mais chance de serem prematuros e necessidade de permanência em unidades de tratamento intensivo.

Cesarianas aumentaram o risco de testes positivos para Covid-19 nos recém-nascidos, mas não a amamentação.

A Organização Mundial da Saúde recomenda que todas as mulheres grávidas que têm maior risco de exposição ao SARS-CoV-2 ou que tenham comorbidades sejam vacinadas após consulta e concordância do profissional de saúde que acompanha o caso.

Os dados de segurança sobre vacinação nesse grupo são limitados. Mulheres grávidas habitualmente são excluídas dos estudos de eficácia das vacinas.

Um estudo pequeno, com 131 mulheres, publicado na American Journal of Obstetrics & Gynecology, em março, mostrou que as vacinas da Pfizer e Moderna, que utilizam a técnica do RNA mensageiro, eram seguras e efetivas em grávidas e em mulheres que estavam amamentando. 

Em 21 de abril, o New England Journal of Medicine publicou um estudo mais robusto, avaliando as vacinas da Pfizer e Moderna em 35.000 mulheres grávidas.

Não houve aumento de complicações durante a gravidez ou riscos identificados nas crianças nascidas de mães vacinadas.

A partir daí, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA passou formalmente a recomendar a vacinação de grávidas, mas especificamente com essas vacinas.

No Brasil, em 26 de março, o Ministério da Saúde decidiu incluir todas a grávidas e puérperas (mulheres no pós-parto) no grupo prioritário para receber a vacina contra a Covid-19.

Todas as vacinas disponíveis no país estavam sendo utilizadas: Coronavac, Oxford/AstraZeneca e as raras Pfizer.

Essa determinação mudou após a morte, no Rio de Janeiro, de uma gestante de 35 anos, por AVC, após ter recebido a vacina da AstraZeneca.

Até que a associação entre a vacina da AstraZeneca e o óbito da gestante esteja esclarecida, o uso dessa vacina está suspenso em grávidas no país.

Agora, também, a vacinação está restrita somente a grávidas e puérperas com comorbidades. 

E apenas com as vacinas CoronaVac e Pfizer.

Importante ressaltar que enquanto o risco de trombose associado à vacina da AstraZeneca é de 0,0004%, o risco relacionado ao uso de anticoncepcionais é de 0,05%.

E naqueles infectados pela Covid-19, 16,5%!

4oito

Deixe seu comentário