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Ser mulher, por Deise Duarte

Ananda Figueiredo
Por Ananda Figueiredo 08/03/2018 - 17:41Atualizado em 08/03/2018 - 18:19

Você está acompanhando a série colaborativa de posts sobre "Ser Mulher"? Já tivemos textos da Patrícia Guollo, da Márcia Silva, da Laís Costa e, hoje, te convido a experimentar o olhar da incrível Deise Duarte*:

 

"Eu nasci mulher e desde o início não me perguntaram o que eu preferia.
Quando disseram que nasci mulher, vieram os brincos e laços, trazidos pelas mãos de todos aqueles que me amavam mesmo antes de saber "o que" eu seria.
A fragilidade começava a ser expressada nos tecidos macios e nas cores pastéis. 
Me disseram sempre que a delicadeza é que me caia bem.

Insistiram tanto nessa fragilidade que por algum tempo, acreditei na "proteção" de ser incapaz de fazer escolhas.

Hoje, não vejo proteção nas orelhas furadas, nos sapatos apertados de saltos altíssimos, nos peitos amassados e empinados, no jeans estreito e em tudo o que me disseram que eram "coisas de mulher".
Inclusive, por mais que digam que não há mais "Coisas de mulher", ainda vejo minhas amigas esconderem seus anticoncepcionais ou absorventes no fundo das sacolas na saída das farmácias, o que talvez demonstre que o termo não está em desuso. 

Como também não está em desuso o "papo de mulherzinha", sempre que mulheres se reúnem para conversar. Homens tem papo de macho. Mulheres têm “papo de mulherzinha”. Ser mulher dá ao mundo o direito de nos colocar no diminutivo.

Diminutivo onde também querem colocar a nossa voz...ah... Como mandam baixar a nossa voz.
Ela sempre é um incômodo.

Mulher argumentando é histérica, é descompassada.
Mulher que fala alto é deselegante.
Mulher bem sucedida é mal-amada.

Amélia que era a de verdade. Boa mesmo é a do lar. 

Fizeram tantas escolhas por nós… e nos beijaram, nos tocaram, nos enganaram. 
Nos deram ordens e  roupas cor de rosa.
Nos mandaram fazer silêncio.

Mas eles não sabiam que a gente ia conhecer o arco-íris e guardávamos um megafone chamado sororidade.

Eles não sabiam que ia chegar o dia que nasceríamos mulheres de nós mesmas é que faríamos nossas próprias escolhas: existir."

 

Deise, que bom poder encontrar com você no final do arco-íris. Obrigada!

* Deise Duarte é mulher, mãe de dois filhos e escritora.

4oito

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