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As narrativas em campo

Por Upiara Boschi Edição 14/01/2022
Foto: Divulgação
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Por mais que ainda seja um tanto nebuloso o cenário de candidaturas para o governo de Santa Catarina, o que vai começando a ficar mais claro são os principais discursos que os catarinenses vão ouvir na campanha eleitoral deste ano. As narrativas já estão entrando em campo antes mesmo de ficarem nítidos quem serão os narradores.

No campo governista é óbvio que o candidato será o governador Carlos Moisés (ex-Psl). A dúvida que será dirimida com o tempo é quem estará com ele na empreitada - se vai por um partido pequeno ou escolhe o tradicional Mdb, principalmente. Qualquer que seja a opção, já podemos antever que o discurso de Moisés será o de alguém que veio de fora da política e que alcançou resultados que nenhum político conseguiu no comando do Estado. 

Vamos ouvir bastante sobre gestão e entregas, uma palavra muito usada em seu governo. A narrativa é de que o enxugamento da máquina administrativa resultou em economia de recursos que hoje sobram no caixa e permitem que o governo estadual invista em obras federais e repasse recursos bilionários para as prefeituras tocarem projetos de infraestrutura. A cereja do bolo é o Plano 100, que promete um volume imenso de recursos para os todos municípios nos próximos cinco anos - sim, contando com o segundo mandato. 

Prepare-se para ouvir muito sobre municipalismo, outro termo que Moisés gosta muito. Aliás, quem sempre gostou muito do termo era o Mdb, especialmente no governo de Paulo Afonso Vieira nos anos 1990. Não deu muita sorte e acabou substituído por descentralização nos governos de Luiz Henrique da Silveira. A diferença básica era que na descentralização o próprio Estado, através de uma estrutura própria regional, fazia a obra.

Aliás, por falar em LHS, ele talvez tenha sido o último, com a descentralização, a trazer uma bandeira própria para a disputa eleitoral. Neste ano não surge nada disso no horizonte. A narrativa de Moisés é a do bom governo que merece continuar. Os adversários, por sua vez, começam a armar discursos de desconstrução dos méritos dessa gestão.

Na semana que passou, o senador Jorginho Mello (Pl) e o ex-governador Raimundo Colombo (Psd) deram entrevistas em que classificam de forma muito semelhante o atual momento de sobra de recursos no caixa do Estado e o Plano 1000 de Moisés. São narrativas que começam a ganhar corpo e que serão contrapostas ao discurso do governador na campanha eleitoral. 

Nessa construção, o caixa cheio não é fruto de boa gestão, mas efeito colateral da inflação que afeta fortemente a sociedade. Perversa para o cidadão, a inflação é uma delícia para a arrecadação estadual porque o Icms é definido em alíquotas percentuais. Quanto mais caro o produto, mais imposto entra no caixa. Assim, combustíveis e energia elétrica pesam no bolso do contribuinte, mas puxam essa exuberância arrecadatória do governo Moisés. 

O mérito do governo Jair Bolsonaro (Pl) também vai entrar na narrativa - com tintas mais fortes no discurso de Jorginho Mello, o aliado local. Nas medidas para combater a pandemia estava a suspensão do pagamento da dívida dos Estados com a União por um ano. Um refresco que ajudou Estados falimentares como o Rio Grande do Sul a colocar as contas em dia. Onde a situação estava menos tenebrosa, como Santa Catarina, o Estado voou.

O Plano 1000, por sua vez, seria um engodo e uma conta para o sucessor pagar. A lógica é que não há tempo hábil para grandes desembolsos de recursos porque a partir de abril a legislação eleitoral veda convênios do Estado com as prefeituras. A conferir. 

Para concluir a desconstrução do governo Moisés, os adversários vão continuar lançando a questão sobre o paradeiro dos R$ 33 milhões pagos adiantadamente pelos 200 respiradores comprados e nunca entregues no auge da pandemia. É a cicatriz do governo - causadora da perda de popularidade e do processo de impeachment que não se consumou por um voto. Moisés vai contrapor dizendo que os recursos estão bloqueados pela Justiça e que a economia que o governo gerou em outras áreas supera em muito esse volume.

Teremos também discursos pontuais para além da disputa governo/oposição. Jorginho Mello vai abusar da vinculação com Bolsonaro, torcendo por uma reprise da onda de 2018. A candidatura mais ao centro e ligada à tradição política - que pode se representada por Colombo, Gean Loureiro (Democratas, futuro União Brasil) e/ou Esperidião Amin (Progressistas) - vai falar em experiência em contraposição à aventura de eleger um desconhecido como aconteceu na eleição passada. A frente da esquerda, liderada por Dário

Berger (a caminho do Psb) ou por Décio Lima (Pt) vai tentar verticalizar os votos do ex-presidente Lula (Pt) no Estado como caminho para um segundo turno. 
Pode se preparar, (e)leitor. Mais do que isso não vamos ter.

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