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A volta do renunciômetro: quais as chances de renúncia dos prefeitos pré-candidatos a governador

Por Upiara Boschi Edição 24/12/2021
Foto: Divulgação
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Na última terça-feira, o prefeito chapecoense João Rodrigues (Psd) anunciou em transmissão ao vivo em suas redes sociais que abdica da condição de pré-candidato ao governo do Estado pelo Psd. Não por falta de desejo, segundo ele, mas por entender que seu projeto seria incompatível com a intenção do Psd nacional de lançar o senador Rodrigo Pacheco (Psd) como candidato à presidência da República. João Rodrigues já era bolsonarista antes do termo existir e não é agora que vai deixar de ser - e manifestou claramente que vai se engajar na reeleição do presidente Jair Bolsonaro (Pl). 
A saída - ou anúncio de saída - do prefeito de Chapecó do jogo da sucessão do governador Carlos Moisés é um bom momento para retomarmos uma brincadeira que fiz em julho aqui mesmo na Toda Sexta, quando lancei o Renunciômetro - uma ferramenta para medir as chances de renúncia dos seis prefeitos catarinenses que por iniciativa própria ou estímulo de aliados ostentavam a condição de pré-candidato a governador do Estado. Bastante coisa mudou.

Renunciômetro:

Antídio Lunelli (Mdb), Jaraguá do Sul - 50% (era 90%)

Não foi o ímpeto do prefeito emedebista de Jaraguá do Sul que diminuiu, o jogo interno do Mdb catarinense é que mudou. Em julho, a prévia do partido para definir a candidatura ao governo entre ele, Celso Maldaner e Dário Berger estava suspensa pela pandemia, mas ainda era considerada viável dentro do partido. Hoje é um cadáver insepulto. Mesmo que Antídio tenha mais viabilidade que Maldaner e que Dário esteja com o pé fora do Mdb, o que cresceu foi a tendência de apoio do Mdb ao governador Carlos Moisés (ex-Psl). A bancada estadual não esconde mais o desejo e é o setor mais fortalecido da sigla no momento. Assim, o prefeito de Jaraguá do Sul aguarda que essa composição não se viabilize. Tem dito a interlocutores que para vice e senado, não deixa a prefeitura - o que fez reduzir seu potencial de renúncia.

Gean Loureiro (Democratas), Florianópolis - 75% (manteve o percentual)

O prefeito de Florianópolis manteve um percentual alto de chance de renúncia, mas isso não significa que a situação esteja clara para seu projeto de disputa pelo governo estadual. Ainda carece das mesmas dificuldades apontadas em julho: a dificuldade de conquistar espaço e eleitores fora da Grande Florianópolis e a dependência quase extrema do apoio de uma grande legenda - no caso, o Psd. Por mais que esteja afinado com o deputado estadual Júlio Garcia e mantenha conversas com o ex-governador Raimundo Colombo (Psd), também pré-candidato, não está ainda definida qual a equação que vai fazer com que o apoio formal pessedista seja concretizado. Gean não caiu no percentual porque de julho para cá foi anunciada a fusão do Democratas com o Psl para formar o União Brasil. A soma não representa muito em estrutura partidária e capilaridade, mas é um interessante reforço de recursos e tempo de horário eleitoral. 

João Rodrigues (Psd), Chapecó - 15% (era 45%)

O prefeito chapecoense João Rodrigues deixou claro que não será candidato ao governo pelo Psd por causa da incompatibilidade com o projeto nacional e que não renunciaria à prefeitura sem um projeto sólido para a disputa da eleição para o governo. Não zerei o percentual porque não sou maluco de cravar que alguém não será alguma coisa em política. Quando diz que não será candidato "pelo Psd", o próprio João Rodrigues deixa uma fresta aberta para outro projeto. Conversas e convites ele já teve com Progressistas, Republicanos e Ptb. Inicialmente, deve atrelar-se ao projeto de Carlos Moisés, até para reforçar a rejeição interna a uma nova candidatura de Colombo no Psd. Mas se em março o governador ainda não tiver decolado e alguma pesquisa diga que as chances são boas, ninguém deveria duvidar de nada que João Rodrigues possa fazer.

Clésio Salvaro (Psdb), Criciúma - 5% (era 35%)

Se fosse o prefeito Clésio Salvato escrevendo este texto, talvez ele cravasse o zero no percentual. É o que ele tem dito reiteradamente e há bons argumentos para acreditar que o tucano vai mesmo completar o mandato e tentar o sonho da majoritária estadual em 2026. É outro que mantém conversas de aproximação com Moisés. Um dos pontos que segura Salvaro na cadeira é justamente o volume inédito de recursos que a prefeitura terá para obras. Como não acredito em zero percentual, indico que o tucano tem 5% de chance de renunciar, beirando o improvável.

Joares Ponticelli (Progressistas), Tubarão - 1% (era 25%)

Foi forte a tentação de reduzir a zero as chances de renúncia de Joares Ponticelli à prefeitura de Tubarão, mas critérios existem para ser seguidos. Então, deixo o progressistas com um protocolar 1% das causas impossíveis. Espremido pela sempre constante presença do senador Esperidião Amin como possível candidato a governador e pelo grupo governista de Zé Milton Scheffer e Altair Silva que querem ver Moisés no Progressistas, Ponticelli anunciou a saída da disputa e colocou o vice Caio Tokarski no Pl de Jorginho Mello para concorrer a deputado federal. A única possibilidade de renúncia de Ponticelli seria justamente a vaga de vice na chapa de Jorginho, algo que hoje parece inviável no Pp. E que se fosse viável, não iria para o prefeito.

Fabrício Oliveira (Podemos), Balneário Camboriú - 30% (era 15%)

Em julho, o prefeito Fabrício Oliveira era o lanterninha do renunciômetro e agora foi o único a crescer o percentual. As dificuldades permanecem, especialmente a unidade do próprio Podemos em torno do projeto. O partido tem um grupo que quer compor com Gean Loureiro e outro que quer compor com qualquer um que esteja à frente das pesquisas na época das convenções partidárias. O cenário que dificulta a decisão da renúncia, que precisa ser tomada em abril. Mesmo assim, Fabrício subiu pela visibilidade que ganhou com a conclusão da obra do alargamento da praia central de Balneário Camboriú e pelos indicativos de que vai investir em uma comunicação mais estadualizada.

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