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Alckmin vice de Lula

Por Upiara Boschi Edição 17/12/2021

Ninguém é candidato a vice - seja prefeito, governador ou presidente - no ano anterior às eleições. O número dois da chapa é um espaço de construção, de composição política e, muitas vezes, prêmio de consolação a quem não conseguiu viabilizar voos maiores. Toda conversa sobre candidatos a vice em 2021 é, então, mera especulação ou balão de ensaio. É nesse segundo quesito que parece estar a possibilidade ventilada de que o quase ex-tucano Geraldo Alckmin possa ser o companheiro de chapa do ex-presidente Lula (Pt) em 2022. 

Eleito três vezes governador de São Paulo e duas vezes candidato a presidente pelo Psdb, Alckmin sempre encarnou as vestes do antipetismo - seja nas disputas locais em que venceu nomes como José Genoíno, Aloizio Mercadante e Alexandre Padilha, seja na derrota para o próprio Lula no segundo turno de 2006. Em 2018, foi demitido da função de candidato dos antipetistas, com a ascensão de Jair Bolsonaro para o posto e amargou o quarto lugar com menos de 5% dos votos. 

O que ganhariam Lula e Alckmin com a inusitada aliança em 2022? Talvez seja para obter melhores resultados para essa pergunta que gente ligada ao petista e ao tucano deixou vazar que existia a conversa sobre uma possível filiação do ex-governador ao Psb para ser o vice do ex-presidente. A resposta, por enquanto, animou as partes. 

Na maior parte das vezes, a escolha do vice atende mais a questões simbólicas do que à soma de votos dos postulantes - especialmente nas eleições presidenciais. Depois de 2018 e fora do Psdb, o ativo eleitoral de Alckmin é pequeno em número de votos para uma eleição nacional. No terreno do símbolo, no entanto, o paulista de Pindamonhangaba ainda é interessante.

Em 2022, Lula precisará mandar um sinal para a classe política, para o mercado e para setores mais conservadores da sociedade de que seu eventual retorno à presidência não significará uma guinada à esquerda. O petista entende esse tipo de gesto, pois buscou no empresário e então senador mineiro José Alencar, filiando-o ao Partido Liberal, justamente para dar esse recado. Trazia, de quebra, um nome do segundo maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais. Deu certo.

Alckmin pode ser essa mensagem em 2022 - o aceno ao centro, a um governo de equilíbrio e uma dissidência com alguma relevância no maior colégio eleitoral. A esquerda, mesmo que resmungue, não vai deixar de votar em Lula por causa do passado tucano do colega de chapa. Para o ex-governador, a aliança faria com que - em caso de vitória - voltasse a ser personagem do primeiro time da política nacional e reacenderia o sonho de conquistar a presidência. A opção é uma candidatura ao governo paulista, mais uma, pelo Psd de Gilberto Kassab, contra a máquina tucana que ele conhece tão bem e que estará nas mãos do atual vice-governador Rodrigo Garcia, aliado de João Dória - desafeto principal de Alckmin. 

Assim, a prancheta parece aceitar que Lula/Alckmin seja uma chapa em 2022. Mas, como disse, ninguém é vice um ano antes. Outros balões devem ser lançados e testados. Quebrou-se o gelo, pode-se dizer.

Em 2017, Alckmin esteve em Santa Catarina para um evento de pré-candidatura presidencial que reuniu todo o tucanato local e nomes de outros partidos como Esperidião Amin e Eduardo Pinho Moreira, além dos representantes do Pib catarinense. Esbanjando confiança na composição política que estava montando, dizia não temer um "tira-teima" com Lula, que estava preso, e que o Brasil vivera sob os governos do Pt um "populismo destrutivo" e que estava "dominado por corporações". No ano seguinte, na reta final de uma campanha fracassada, boa parte daqueles políticos evitou a melancólica visita de Alckmin ao Centro de Florianópolis, entrando nas lojas do comércio local para cumprimentos protocolares. Luiz Henrique da Silveira dizia que o político é o único animal que ressuscita. O balão de ensaio sobre a vaga de vice de Lula, talvez seja o começo do retorno de Alckmin ao jogo. Ou sua retirada completa.

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