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O fim da pandemia e o carnaval

Por Dr. Renato Matos Edição 10/12/2021

No seu divertido “O carnaval da Guerra e da Gripe”, Ruy Castro conta o início, desenvolvimento e término da pandemia da gripe espanhola no Rio de Janeiro – comemorado com o carnaval, é claro.

A primeira grande guerra, iniciada em 1914, estava prevista para durar poucos meses. 

“Os mais cínicos diziam que nem precisava acontecer: o rei Jorge V, da Inglaterra, o Kaiser Guilherme II, da Alemanha e o tsar Nicolau II, da Rússia, eram primos, descendentes da rainha Vitória – e poderiam resolver suas diferenças num torneio de tiro aos pombos numa de suas casas de campo”.

Terminou por arrastar países de todos os continentes – e durou 4 anos, até 1918. 

Ao final, quase 10 milhões de soldados mortos e 20 milhões de feridos.

O Brasil vinha levando a situação em banho maria até que em 1917 os alemães afundaram alguns navios mercantes brasileiros e, sob pressão, em outubro daquele ano o presidente Wenceslau Braz declarou guerra contra aquele país.

Conta Ruy Castro: “Não se sabe como o kaiser reagiu ao ser informado disso, mas não deve ter se alterado muito – se necessário os alemães aprenderiam a viver sem café”.

Já no final da guerra, surgiu uma estranha e agressiva gripe. Apesar de chamada de espanhola – o país não participava da guerra e não havia censura à imprensa – os dados sugerem que tenha sido levada para a Europa por soldados americanos.

Estima-se que a doença chegou ao Brasil em setembro de 2018, trazida por um navio inglês, o Demerara.

Rapidamente espalhou-se pelo país.

No auge da pandemia, em meados de novembro, morriam por dia em São Paulo – na época com 500 mil habitantes – em torno de 250 pessoas. 

Se trouxéssemos estes números para Criciúma de hoje, seria como ter absurdas 100 mortes diárias. 

Entre os mortos estava Rodrigues Alves, ironicamente fundador do Instituto Butantan, presidente eleito do Brasil e falecido antes da posse marcada para em novembro de 2018. 

Em fins de outubro a pandemia perdeu força e as mortes começaram a cair. 

O carnaval de 2019 selaria a paz com a gripe espanhola. Melhor, seria o carnaval da revanche, “a grande desforra contra a peste”.

“Quem não morreu na espanhola/quem dela pôde escapar/não dê mais tratos à bola/toca a rir, toca a brincar”

Apesar do afrouxamento das medidas sanitárias, em 1919 houve poucos registros de novos casos da doença.

A gripe espanhola, que chegou ao Brasil em setembro teve seu auge durante algumas semanas e já no final do ano entrava em rápida regressão.

Este é o comportamento habitual das epidemias de gripe. 

A gripe suína de 2019, causada por um vírus Influenza H1N1 (como a espanhola), teve comportamento semelhante.

Pensávamos que teríamos uma situação parecida com a pandemia da Covid. 

Ou na pior das hipóteses, 1 ano, como no caso da SARS-CoV-1.

Mas já vamos para 2 anos e, apesar das eficientes vacinas, ainda não sabemos como serão os próximos meses.

Diferente de 1919, parece que ainda não dará para comemorarmos o seu fim no próximo Carnaval.

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