“Você se sente insignificante”. Foi assim que Marcos Pontes descreveu a sensação de ver a Terra do espaço ao comentar a histórica missão Artemis II, que levou astronautas ao ponto mais distante já alcançado por humanos desde a era Apollo.
Em entrevista à rádio Som Maior, no programa Cá Entre Nós, o primeiro brasileiro a ir ao espaço relembrou a experiência vivida na Missão Centenário, em 2006, e analisou os avanços e os próximos passos da exploração espacial.
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“Poucas pessoas tiveram esse privilégio de ver a Terra do espaço. Ao contrário do que muita gente pensa, não sentimos orgulho, mas nos sentimos insignificantes, pois percebemos que o que importa são as pessoas”, desabafa.
Na missão Artemis II, ele atuou como comentarista especializado, analista e divulgador. Já na condição de senador, empregou seu conhecimento técnico para esclarecer os procedimentos, os riscos e a relevância estratégica da missão à Lua para o programa espacial brasileiro.
Artemis II faz história no espaço
A missão atingiu 252 mil milhas de distância da Terra, superando o recorde anterior da Apollo 13, que havia chegado a 248 mil milhas. Para efeito de comparação, a Lua está a cerca de 238 mil milhas do planeta. Nesse momento, a tripulação da Artemis II tornou-se o grupo de pessoas que esteve mais longe da Terra em toda a história.
A composição da tripulação também marca um novo momento na exploração espacial. Pela primeira vez, um astronauta canadense deixou a órbita terrestre rumo ao espaço profundo, rompendo o histórico domínio exclusivamente norte-americano nesse tipo de missão. Além disso, a equipe conta com a presença de uma mulher e de um astronauta negro, ampliando a representatividade em um programa que inaugura uma nova fase da exploração lunar.
Mais do que simbólica, a missão teve caráter técnico decisivo ao abrir caminho para a próxima etapa do programa, que prevê o pouso humano na Lua.
“Quando a missão começa, ela passa por várias fases e diferentes tipos de desafios. O foguete é testado na decolagem, depois vêm o controle da espaçonave, a navegação, os sistemas de suporte à vida da tripulação e a comunicação em longas distâncias. Tudo isso precisa funcionar perfeitamente”, explica o astronauta e senador brasileiro Marcos Pontes.
A fase mais crítica: a reentrada
Segundo Pontes, o maior desafio não é a ida, mas a volta. A cápsula retorna à atmosfera terrestre a cerca de 28 mil km/h, e o atrito com o ar pode gerar temperaturas próximas de 3 mil graus Celsius.
“A reentrada é intensa. Você está a poucos centímetros do painel térmico. Se ele falhar, há poucos segundos de sobrevivência. É uma fase em que a tripulação praticamente vira passageira da física”, relata.
O primeiro brasileiro no espaço
Marcos Pontes tornou-se o primeiro brasileiro e sul-americano a ir ao espaço em março de 2006, durante a Missão Centenário, a bordo da nave Soyuz TMA-8, com destino à Estação Espacial Internacional. Ao acompanhar a Artemis II, ele relembra a própria experiência de retorno à Terra.
“Durante a reentrada, a nave se separa em partes, a comunicação é interrompida por causa do plasma, há muita vibração e você sabe que está ali a poucos centímetros do painel térmico. É uma mistura de emoção, risco e reflexão sobre a vida”, recorda.
Caminhos para o futuro: Lua, Marte e recursos minerais
Para o senador, a Artemis II inaugura uma nova etapa que vai além da ciência. A exploração da Lua também envolve estudos sobre o potencial uso de recursos do solo lunar, como o hélio-3, além do desenvolvimento de tecnologias que permitirão missões mais longas, incluindo futuras viagens a Marte e a asteroides.
Ao observar as imagens da Terra a partir do espaço profundo, o astronauta destaca a mudança de perspectiva que essa visão provoca. “Você percebe que a Terra é uma única espaçonave com bilhões de tripulantes. Isso muda a forma de enxergar as pessoas, a vida e o nosso papel aqui”, afirma.
Ouça entrevista completa no Cá Entre Nós:
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