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Siecesc e a greve dos mineiros: "Estamos pautados na legalidade"

Representante das mineradoras cita estudo da Fiesc e reforça disposição em negociar. Categoria está no quarto dia de mobilização
Denis Luciano
Por Denis Luciano Criciúma, SC, 27/02/2020 - 12:10Atualizado em 27/02/2020 - 12:12
Arquivo / 4oito
Arquivo / 4oito

Definida no último sábado, 22, e deflagrada na segunda-feira, 24, a greve dos trabalhadores das minas de carvão da região de Criciúma avança para o quarto dia. O impasse nas negociações salariais motivou o movimento, que engloba cerca de 2,8 mil trabalhadores. "As empresas carboníferas fizeram a proposta dentro de critérios de razoabilidade, legalidade e realidade", garante o diretor executivo do Sindicato da Indústria de Extração de Carvão de Santa Catarina (Siecesc), Márcio Cabral. "Os empresários da mineração estão oferecendo o maior reajuste salarial de Santa Catarina", pondera.

Cabral afirma que a proposta dos sindicatos dos trabalhadores "é injusta e está fora da realidade econômica e social do país". Inicialmente, os representantes dos trabalhadores haviam pedido reajuste de 9,8%, baixando para 8,2% e agora batendo na tecla dos 7%. 
“Quanto as cláusulas sociais, estamos respeitando todas elas, inclusive aquelas que a CLT prega um valor e nós oferecemos acima destes valores", afirma o diretor. O Siecesc fez uma consulta à Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) sobre o acordo oferecido. "Quanto ao reajuste, propusemos o pagamento do valor integral do INPC, que serve de base para o reajuste dos salários no Brasil, e ainda estamos dando um ganho real de 16% sobre o INPC, que está acima de qualquer reajuste em Santa Catarina", destaca. "O trabalhador mineiro tem a melhor Convenção Coletiva de Trabalho do estado de Santa Catarina, e isso não é atestado por nós, é atestado pela FIESC, que tem acesso a todas as convenções estabelecidas no estado", completa.

Ainda sob o argumento dos ganhos oferecidos pelas mineradoras aos trabalhadores, Márcio Cabral sublinha que "nos últimos seis anos concedemos o INPC todo o ano, regularmente, recompondo salários e concedemos mais 22% de ganho real. Temos um produto que, no mesmo período, teve reajuste de 40%, enquanto que os salários aumentaram mais que isso". Entre outros ganhos já consolidados aos trabalhadores da mineração da região estão o abono anual de férias, de quase R$ 2 mil, que funciona como um décimo quarto salário além do que é determinado por lei para o gozo de férias, mais os pagamentos além do determinado para horas extras e adicionais noturnos. Ontem, em entrevista ao 4oito, o presidente do Sindicato dos Mineiros de Criciúma e Região, Djonatan Elias, afirmou que "até as cláusulas sociais, que não trazem prejuízo financeiro às empresas, eles não estão negociando". Cabral respondeu que "estamos sempre abertos à negociação".

A extensão do movimento grevista, que começou na Carbonífera Metropolitana, em Treviso, na segunda-feira, e hoje atingiu os empregados da Rio Deserto de Içara e Lauro Müller e da Gabriella, de Siderópolis, poderá redundar em pesados prejuízos ao segmento carbonífero na relação com seu único cliente, a Engie, de Capivari de Baixo, que adquire carvão para manter em funcionamento o Complexo Termelétrico de Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo. Há uma preocupação com os estoques de carvão para queima e geração de energia para as próximas semanas. Nos próximos dias, a greve chegará às carboníferas Belluno e Catarinense.