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Rubens Angelotti passa a limpo seu primeiro ano no comando do futebol catarinense

Em entrevista exclusiva, presidente faz um balanço do mandato e comenta o ano das principais equipes do estado
Erik Behenck
Por Erik Behenck Criciúma - SC, 06/12/2017 - 06:09
(foto: Marco Búrigo)
(foto: Marco Búrigo)

A Federação Catarinense de Futebol (FCF) foi comandada durante 32 anos por Delfim Peixoto, uma das 71 vítimas do Voo LaMia 2933, o avião da Chapecoense. Com sua morte, coube ao vice mais velho assumir o poder. No dia 6 de dezembro de 2016, há exatamente um ano, Rubens Angelotti, o Rubinho, foi empossado presidente. Neste período mudou o estatuto, permitindo apenas uma reeleição, assim como alterou seus negócios pessoais.

Ele é natural de Curitiba, tem 64 anos e iniciou sua trajetória como dirigente esportivo no Criciúma, seu mandato vai até 12 de abril de 2019. Em entrevista exclusiva ao 4oito, Angelotti contou como recebeu a notícia da tragédia, falou sobre a situação econômica da FCF e explicou as mudanças que realizou na instituição.

Como ficou sabendo que seria o presidente da Federação Catarinense de Futebol?

Rubens Angelotti - Quando eu soube do acidente, no primeiro momento não me passou pela cabeça a possibilidade de eu assumir. Mas depois eu fui comunicado que era o vice mais velho e que a vez de assumir seria minha. Eu fiz uma reunião com a família, e com os irmãos Angeloni, que foi através deles que eu vim servir, na época do Criciúma. A família deu total apoio e eles também, agora estou completando um ano da minha chegada na Federação.

É uma experiência desgastante ser presidente?

Rubens Angelotti - Não, não é. São bastante atribuições, principalmente nessa época do ano, com os términos dos campeonatos. Envolve o presidente em muitos estádios, muitas viagens, muitas reuniões e planejamento do ano seguinte. Vamos entrar em recesso, mas antes deixar tudo redondinho, para quando voltar, em seguida tem a pré-temporada dos árbitros e o início do Campeonato Catarinense no dia 17 (de janeiro). Então, digamos assim, é bastante corrido.

Como passou a gerir os negócios pessoais?

Rubens Angelotti - Os meus negócios pessoais, nos primeiros meses eu me deslocava todo final de semana a Criciúma, eu vinha na segunda e voltava na quinta à noite. Nos fins de semana eu dava um apoio nos negócios, para o meu filho que assumiu. Eu tinha outros negócios e acabei me desfazendo, ficamos apenas com o empreendimento Famiglia Angelotti, no Nações Shopping, que hoje meu filho Ricardo administra. Eu acabei abandonando, só no início dando apoio para ele. Hoje tem finais de semana que não vou para Criciúma, fico viajando, indo em jogos, marcando presença em finais de ligas e eventos que precisamos marcar presença.

Qual era a situação econômica da Federação quando assumiu?

Rubens Angelotti - Tinha algumas pendências, mas era pouco. A gente conseguiu nesse primeiro ano regularizar tudo, está tudo regularizado. Talvez o presidente Delfim, em sua viagem quando voltasse, ele iria sanear essas poucas coisas que tinha, alguns impostos e coisas atrasadas. Talvez ele tinha programado para o seu retorno e infelizmente não voltou mais. Não tem muito o que se preocupar, o presidente deixou um bom legado para o futebol catarinense, tanto material humano como a sede física.

O presidente Delfim ficou mais de 30 anos no comando da Federação, quais foram as principais mudanças nesse primeiro ano?

Rubens Angelotti - A principal mudança que eu acho que fiz foi logo em seguida convocar uma assembleia e fazer uma mudança no estatuto, onde hoje o presidente só tem direito a uma eleição e uma reeleição. Então no máximo irá ficar no poder oito anos.

Qual sua relação com a CBF, principalmente o presidente Marco Polo Del Nero, que não pode viajar para fora do país?

Rubens Angelotti - Se ele pode ou não viajar, isso ai eu não sei, só sei que o meu relacionamento com ele é muito bom, não só com ele, mas com todas as pessoas da CBF a quem eu tenho contato, doutor (Walter) Feldman, Manoel Flores, enfim, todas as pessoas que mantenho contato na CBF tenho bom relacionamento em todos os setores. As portas da CBF desde o dia em que cheguei sempre estão abertas a Federação Catarinense.

O momento da Chapecoense um ano após a tragédia

Rubens Angelotti - A Chapecoense passou por um momento muito delicado, essa reconstrução no primeiro ano, uma coisa assim que ninguém acreditava de início, tanto que foi oferecido para eles ficar três anos na Série A sem descenso, eles não aceitaram, até porque pensávamos que demorariam para se reestruturar, mas felizmente, um trabalho muito árduo do presidente, Plínio De Nes, o Maninho, com seus cargos de diretoria conseguiram nos primeiros meses do ano, após a tragédia, foram campeões do Campeonato Catarinense, fizeram uma boa campanha na Libertadores, infelizmente tiveram aquele problema de atleta irregular, que se não poderia ser eles no lugar do Lanús, que foi o Lanús que ganhou os pontos, chegaram a ganhar o jogo em Buenos Aires, mas perderam, e esse clube que decidiu com o Grêmio, talvez poderia ser a Chapecoense. 

A reconstrução da Chapecoense foi uma coisa fenomenal, o trabalho deles, no primeiro ano chegar a tudo isso, final de Campeonato Catarinense, campeão, boa campanha na Libertadores e agora no Campeonato Brasileiro também fazendo uma bela campanha.

Existe possibilidade da Primeira Liga ser realizada em 2018? Quais equipes participariam por Santa Catarina?

Rubens Angelotti - A Primeira Liga não passa pela Federação Catarinense, ela é independente. Pelos comentários que a gente sabe, no ano que vem, parece que eles estavam querendo fazer na Copa do Mundo, mas como a Rede Globo vai estar muito envolvida na Copa do Mundo, parece que não vai haver transmissão, não tem a disputa da Primeira Liga. Isso são informações de bastidores, porque a Primeira Liga não tem nenhuma relação com a Federação Catarinense.

Desempenho das equipes do Estado em 2017

Rubens Angelotti - Realmente este ano, o desenho das equipes tanto na Série A quanto na Série B não foram excelentes, mas também pelas condições de verbas, vamos dizer assim, da relação entre nossas equipes da Série em relação as outras. O Criciúma mantendo-se na Série B, não teve o desempenho que todos esperavam, de subir para a Série A, mas manteve-se na Série B, o Figueirense também passou por dificuldades, mas manteve-se na Série B também. 

O Joinville, que a gente esperava que viesse a ascender a Série B, infelizmente não conseguiu, ficou na Série C. E o desempenho da Chapecoense que está sendo o melhor de todos, brigando por uma pré-libertadores. Não foi excelente, mas também não foi nada desesperador.

Sofreu algum tipo de pressão por não ser da capital e ser do sul?

Rubens Angelotti - Não, não, houve algumas brincadeiras no começo porque eu trouxe gente de Criciúma. Lógico, fiz algumas mudanças de pessoas na Federação, trouxe pessoas de minha confiança, para ter do meu lado, porque todos que estavam aqui eu conhecia um ou outro só, então eu trouxe pessoas, aí teve brincadeiras, que era todo mundo do sul, que o sul ia dominar, mas só brincadeira, não houve nada de anormal. 

A República do Sul, como eles frisaram, até citando a brincadeira deles, que fosse como a República de Curitiba, que tá moralizando o Brasil, então podíamos nos comparar a República de Curitiba, podíamos nos comparar que assim como a República de Curitiba moralizando o Brasil nós também faríamos um trabalho bom com o futebol catarinense.