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Promessa de Porsche e festas: como funcionava suposto golpe imobiliário em SC

Construtora de Criciúma é investigada por estelionato e lavagem de dinheiro; prejuízo causado pode ultrapassar os R$ 5 milhões

Por Thiago Hockmüller Criciúma, SC, 22/01/2026 - 16:26 Atualizado há meio minuto
Estruturas de empreendimento da Construtora BS | Foto: Construtora BS/redes sociais/4oito
Estruturas de empreendimento da Construtora BS | Foto: Construtora BS/redes sociais/4oito

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Novos detalhes da investigação sobre o golpe imobiliário supostamente aplicado pela Construtora BS, de Criciúma, revelam o contexto no qual as negociações eram feitas, aponta vida de luxo aproveitada pelos dois sócios e a oferta de um Porsche como prêmio para corretores.

A empresa teria enganado dezenas de compradores, provocando prejuízo que facilmente extrapola os R$ 5 milhões. A Polícia Civil também amplia as apurações para Itapema, no Litoral Norte de Santa Catarina, região onde os suspeitos promoviam festas para lançamento de empreendimentos.

“Faziam um estardalhaço, anúncios com festas e até falsas promessas de sorteio de um Porsche, um carro de luxo, e nunca entregaram sequer esse Porsche para os corretores”, revela o delegado da 1ª Delegacia de Polícia Civil, Márcio Campos Neves, responsável pelo inquérito.

A construtora é investigada por crimes de estelionato e levagem de dinheiro.

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Como golpe imobiliário causou prejuízo superior a R$ 5 milhões  

De acordo com o delegado, a construtora negociava imóveis sem possuir matrícula dos terrenos, e as obras nunca saíram do papel. Um casal de Nova Veneza foi o primeiro a prestar queixa, relatando ter sofrido prejuízo superior a R$ 5 milhões.

As suspeitas estão embasadas em documentos apresentados pelo advogado do casal de Nova Veneza, ainda em 2025, além de depoimentos colhidos na delegacia.

Criciúma concentra parte da investigação do suposto golpe imobiliário | Foto: Construtora BS/redes sociais/4oito 

A Construtora BS teria vendido imóveis para o casal, entretanto, não teria entregado nenhum. “E sequer tinha matrícula do terreno onde seriam construídos estes empreendimentos, tanto prédios aqui em Criciúma quanto também em Itapema”, explica Neves.

Como garantia de ressarcimento, a construtora teria oferecido uma sociedade de 10% nos imóveis que seriam construídos em um empreendimento e chegou a contratar o casal para trabalhar.

“Não entregou nenhum deles e foi captando mais dinheiro. [O casal] trabalhou mais de três meses, não recebeu um real e quando foi cobrar, como era já era verba trabalhista, eles entregaram um apartamento que estava financiado e tinham vendido para outra pessoa”, relata.

Fraude milionária extrapola Criciúma e chega a Itapema

O delegado revela que a bola de neve foi aumentando. Há uma vasta documentação levantada pela investigação e, com a repercussão dos fatos, novas vítimas apareceram. Mais de 50 pessoas já procuraram a polícia relatando prejuízos e o rombo pode alcançar cifras ainda maiores, além de extrapolar os limites de Criciúma, com desdobramentos no Litoral Norte do estado.

Polícia Civil investiga construtora de Criciúma, que teria aplicado golpes milionários | Foto: Construtora BS/redes sociais/4oito  

“Essa fraude é maior do que eu imaginava e a situação vai acabar indo para outro lado também. A gente espera desbaratar uma quadrilha, uma organização criminosa que está fazendo um estrago grande agora não mais em Criciúma, mas especialmente em Itapema”, afirma o investigador.

Número de vítimas cresce e investigação avança

Há advogados representando até dez clientes, e a Polícia Civil suspeita de atuação em conjunto com uma organização criminosa, com possíveis ramificações no Paraná e São Paulo, inclusive para lavagem de dinheiro.

“A gente vai expandir essa investigação para tentar esclarecer tudo e se for o caso trabalhar para prender esses criminosos. O estrago, pelo que eu estou vendo, guardadas as devidas proporções, é mais ou menos no estilo de uma outra construtora que a gente conhece que teve um caso um tempo atrás aqui em Criciúma”, compara.

Para ilustrar o tamanho do prejuízo que pode ser apurado ao final do inquérito, uma única advogada de Florianópolis, representante de sete clientes, relatou que o menor prejuízo individual está na casa dos R$ 300 mil, sem contar juros e correção monetária.

Delegado tem 30 dias para finalizar o inquérito | Foto: Reprodução/redes sociais/4oito

Algumas das vítimas teriam pago parcelas em dinheiro ou entradas à vista. Teve quem deu apartamento ou veículos como entrada.

“[A construtora] entregou alguma coisa até 2019, depois de 2019, não entregou mais nada. Então, mesmo sabendo que não ia entregar, ficava enganando com mais promessas. Eu vi que tem casos que são vítimas exclusivas da região de Itapema, então tudo isso está sendo apurado”, explicou.

Contratos sob suspeita: construtora teria tentado aplicar o ‘golpe do golpe’

A investigação apura ainda um esquema paralelo dentro da própria assembleia de credores, o que seria uma tentativa de “golpe do golpe” para retardar a tramitação do caso. Em assembleia com 58 credores, um advogado de São Paulo se manifestou dizendo que era procurador de outros 27 credores. A suspeita é que ele estaria agindo em conluio com a construtora, com o objetivo de fazer com que os sócios ganhassem tempo ou desviassem o foco, mantendo o caso longe da esfera criminal.

“Há uma suspeita muito grande de que os contratos são fraudulentos e que foram feito pra poder ter maioria e controlar a assembleia”, conta o delegado, revelando também que a Construtora BS já teria pedido duas vezes recuperação judicial, ambas negadas pela Justiça.

Investigação está concentrada em Criciúma e Itapema | Foto: Construtora BS/redes sociais/4oito 

“Ele ainda fica no luxo em Balneário Camboriú, enquanto essas vítimas amargam prejuízos consideráveis. Não dá mais pra aceitar esse tipo de coisa e a gente tem que apurar para se for o caso levá-los ao banco dos réus o mais rápido possível", completa.

Construtora BS alega divergência societária

A reportagem tentou contato com a Construtora BS, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. Em comunicado publicado nas redes sociais, a Construtora BS sustentou que a repercussão em torno da investigação não reflete “a realidade operacional ou a idoneidade da empresa”.

“A narrativa divulgada trata-se, na verdade, de um desdobramento unilateral de uma divergência societária com um antigo integrante da empresa, fato este que já está sendo devidamente tratado na esfera jurídica competente”.

A empresa afirmou que segue com suas atividades, passando por um processo de reestruturação. A nota foi publicada no Instagram, mas o perfil foi fechado ainda ao longo da quarta-feira (21).

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