Depois de 34 dias retido na aduana de Mendoza, na Argentina, o caminhoneiro Jairo Luan Gomes, de Sombrio, no Sul de Santa Catarina, voltou a seguir viagem. O motorista ficou mais de um mês impedido de avançar por causa da nevasca histórica que atingiu a Cordilheira dos Andes e provocou bloqueios na fronteira com o Chile.
Em entrevista à reportagem, Jairo contou que já deixou a aduana e retomou o deslocamento. A viagem havia começado em Sorocaba, em São Paulo, com destino a Concón, na região de Viña del Mar, no Chile.
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Inicialmente, o caminhoneiro esperava ficar parado entre dez e 15 dias. Com o passar do tempo, porém, a espera se prolongou. Quando chegou a cerca de 20 dias, os motoristas perceberam que a situação estava fora do previsto.
“Na verdade, o momento mais difícil que a gente tem é a saudade da família e quando chegaram as primeiras notícias de que não ia ser só 15 a 20 dias, que ia ser além do esperado”, relatou Jairo.
Rotina dentro do caminhão
Apesar das condições adversas, os caminhoneiros precisaram adaptar a rotina enquanto aguardavam a liberação da passagem. Jairo explicou que permanecia no próprio caminhão, onde tinha espaço para dormir e preparar refeições.
“A gente fica dentro do caminhão, porque acaba tendo tempo para dormir no caminhão, tranquilo. É o normal do motorista que viaja para o Mercosul”, explicou.
Os veículos utilizados em viagens internacionais contam com cama e uma caixa de cozinha, estrutura que ajudou os motoristas a enfrentar o longo período de espera.
No local onde Jairo permaneceu, houve apenas um dia de neve. A maior intensidade ocorreu em uma área próxima à cidade, onde as condições da estrada impediram o avanço dos veículos.
Estrutura precária
Durante os dias em que permaneceu na aduana, Jairo também relatou dificuldades relacionadas à estrutura disponível para os caminhoneiros. Segundo ele, o local tinha pouca assistência, sem banheiro adequado, chuveiro ou atendimento médico permanente.
As refeições também precisaram ser improvisadas. A Associação de Caminhoneiros de Mendoza auxiliou os motoristas com água potável e sopa, enquanto outras refeições eram preparadas nas cozinhas dos próprios caminhões.
As baixas temperaturas foram outro desafio. Em relato anterior, Jairo contou que a temperatura chegou a ficar abaixo de zero durante o dia.
Outros caminhoneiros também ficaram retidos
A situação atingiu diversos profissionais que utilizavam a rota entre Argentina e Chile. Empresas de Santa Catarina tiveram veículos parados na região e relataram preocupação com os atrasos nas entregas e os prejuízos operacionais.
Em diferentes momentos, mais de mil caminhões chegaram a ficar retidos na região em razão dos bloqueios provocados pela neve.
Agora, após mais de um mês parado, Jairo conseguiu deixar a aduana e retomar a viagem. O motorista segue em deslocamento, enquanto a situação na região da Cordilheira continua sendo acompanhada pelos profissionais que dependem da passagem entre os países.
Depois de 34 dias de espera, a sensação, segundo o caminhoneiro, é de mais uma etapa superada. “Mas, por fim, superamos mais uma”, resumiu.
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