O avanço do El Niño e a previsão de um período de maior volume de chuva no Sul de Santa Catarina voltaram a alertar pescadores e moradores de Jaguaruna, principalmente com a situação da Barra do Camacho. O assoreamento do canal, que liga a Lagoa do Camacho ao mar, voltou a ser alvo de cobranças por parte da comunidade, que pede uma nova dragagem antes da intensificação das instabilidades previstas para os próximos meses.
Em entrevista ao 4oito, o presidente da Associação de Pescadores de Garopaba do Sul, Jaime Mariano Porto, conhecido como Pitbull, afirmou que o banco de areia formado na barra já compromete a pesca artesanal e pode agravar os impactos das chuvas.
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Segundo ele, o principal prejuízo é a dificuldade de entrada dos peixes na lagoa. "O peixe chega na barra, encontra aquele banco de areia e volta para o mar. Tivemos um período de boas chuvas e de barra aberta, mas os peixes não conseguiram entrar na lagoa. Para quem vive da pesca artesanal, isso representa uma perda muito grande", afirmou.
Produção diminui sem manutenção do canal
De acordo com Pitbull, comunidades como Garopaba do Sul, Camacho, Cigana e Riacho Francisco dependem da circulação natural dos peixes para manter a atividade pesqueira. Sem a manutenção da barra, a produção diminui e afeta diretamente a renda das famílias que vivem da pesca.
Além dos impactos econômicos, o presidente da associação demonstra preocupação com um possível agravamento dos alagamentos caso o canal permaneça assoreado durante o período de influência do El Niño. "A água precisa escoar para o mar. Hoje existe um banco de areia que funciona como um funil, dificultando essa passagem. Se tivermos chuvas fortes, isso pode causar transtornos para toda a região", alertou.
A preocupação coincide com os alertas emitidos pela Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil, que aponta este como o primeiro período de instabilidade com influência direta do El Niño desde a confirmação do fenômeno, em junho. Segundo os meteorologistas, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico favorece temperaturas acima da média e aumenta a frequência de episódios de chuva intensa no Sul do Brasil.
Barra do Camacho deve ser tratada como prioridade
Para esta semana, a previsão é de temporais entre terça-feira (21) e quarta-feira (22), com risco de chuva intensa, rajadas de vento e queda de granizo. No Sul catarinense, a Defesa Civil classifica o risco entre moderado e alto para ocorrências como alagamentos, enxurradas, queda de árvores, destelhamentos e danos à rede elétrica.
Nesse cenário, Pitbull defende que a dragagem da Barra do Camacho deve ser tratada como prioridade. Segundo ele, a última intervenção ocorreu em 2022 e, desde então, não houve manutenção do canal. "O problema já deveria ter sido resolvido. A cada chuva forte aumenta a preocupação de quem vive aqui. A dragagem não beneficia apenas os pescadores, ela também ajuda no escoamento da água e reduz os riscos para toda a região", afirmou.
O presidente da associação também criticou a demora para uma nova intervenção. O processo de licenciamento ambiental segue em análise, enquanto o banco de areia continua avançando.
Com a previsão de um período mais chuvoso impulsionado pelo El Niño, pescadores temem que a combinação entre o aumento das precipitações e o assoreamento da barra agrave tanto os prejuízos à pesca quanto o risco de alagamentos nas comunidades do entorno.
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