O El Niño segue ganhando força e já registra 1,8°C de anomalia na temperatura do Oceano Pacífico, entrando na categoria de fenômeno forte e se aproximando da intensidade considerada muito forte.
Diante da evolução, a Defesa Civil de Santa Catarina mantém o monitoramento contínuo das condições climáticas e dos possíveis impactos no Estado.
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De acordo com a classificação utilizada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), o El Niño é considerado forte quando a anomalia de temperatura na região do Niño 3.4 fica entre 1,5°C e 1,9°C. Acima de 2°C, o fenômeno passa a ser classificado como muito forte, também chamado de “Super El Niño”.
O gerente de monitoramento e alerta da Defesa Civil de Santa Catarina, Frederico de Moraes Rudorff, explica que outros fatores atmosféricos precisam ser considerados para avaliar o risco de temporais, enchentes e demais ocorrências.
“As enchentes que atingiram o Vale do Itajaí em 2023 e o Rio Grande do Sul em 2024 ocorreram sob influência de um El Niño moderado, e foram mais intensas do que as registradas em 2015, quando o fenômeno atingiu uma das maiores intensidades já registradas”, destaca.
Primavera deve concentrar maior atenção
Historicamente, o El Niño tende a aumentar a frequência de chuvas em Santa Catarina principalmente durante as estações de transição. Por isso, a primavera de 2026 e o outono de 2027 são apontados como os períodos que exigem maior atenção.
Durante essas épocas, há uma intensificação do transporte de umidade, com maior canalização de umidade da Amazônia em direção a Santa Catarina. No verão, esse fluxo tende a se deslocar para o Sudeste, reduzindo a influência direta sobre o Estado.
“Essas duas janelas tendem a ser as mais críticas com relação ao El Niño: a primavera de 2026 e, depois, o outono de 2027”, explica Rudorff.
Outro fator que preocupa os meteorologistas é o aumento geral da temperatura dos oceanos. Segundo Rudorff, um oceano mais aquecido significa maior disponibilidade de umidade na atmosfera, que pode atuar como combustível para tempestades e chuvas intensas.
Eventos extremos fazem parte da história de Santa Catarina
A preocupação com os efeitos do clima em Santa Catarina não é recente. O Estado tem um histórico marcado por diferentes tipos de fenômenos severos, registrados em praticamente todas as épocas do ano.
Entre os principais episódios estão:
- 1974 Enchente em Tubarão: o Rio Tubarão transbordou e cerca de 90% da cidade ficou submersa. Dos aproximadamente 70 mil habitantes, quase 60 mil perderam seus bens. A correnteza arrastou animais, imóveis e pessoas. Ao todo, 119 pessoas morreram
- 1983 Enchente em Blumenau: o Rio Itajaí-Açu transbordou e a cidade permaneceu alagada por cerca de 32 dias, entre julho e agosto. Casas foram arrastadas, a água chegou à altura dos semáforos e cerca de 40 mil pessoas ficaram desabrigadas. Outros 168 municípios também foram afetados.
- 1983, 1984 e 2008 Enchentes no Estado: os três anos somaram mais de 1,5 milhão de pessoas impactadas, 175 mortes e 70 municípios que decretaram situação de emergência.
- 1984 e 2013 Neve no Morro da Cambirela: o pico da montanha, em Palhoça, ficou coberto por cerca de 40 centímetros de neve. Outros municípios do litoral também registraram o fenômeno, considerado incomum para a região.
- 2004 Furacão Catarina: considerado o único furacão registrado no Brasil, atingiu principalmente o Sul de Santa Catarina, com ventos de até 160 km/h. Cerca de 27 mil pessoas ficaram desalojadas, 36 mil casas foram danificadas e 11 pessoas morreram.
- 2009 Tornado em Guaraciaba: os ventos chegaram a quase 200 km/h. Cerca de 80 famílias tiveram residências e plantações destruídas, com prejuízo estimado em R$ 160 milhões para o município.
Defesa Civil orienta população a se preparar
Diante da possibilidade de períodos mais chuvosos e de maior ocorrência de temporais, a orientação é para que a população se prepare antecipadamente.
A Defesa Civil recomenda que os moradores conheçam os riscos da região onde vivem, saibam se estão em áreas sujeitas a inundação e identifiquem o abrigo mais próximo.
Também é possível receber alertas diretamente no celular. Para isso, basta enviar um SMS com o CEP para o número 40199.
Durante temporais com ventos fortes ou granizo, a orientação é procurar um local seguro e manter distância de árvores e postes. Dentro de imóveis que não sejam de alvenaria, o banheiro costuma ser uma das estruturas mais resistentes.
A Defesa Civil também reforça que nunca se deve tentar atravessar ruas alagadas, pontes submersas ou áreas com correnteza. Grande parte das mortes durante enchentes ocorre quando pessoas tentam passar por locais inundados e acabam sendo arrastadas pela água.
Em situações de possível deslizamento, sinais como rachaduras em paredes ou muros, postes inclinados e surgimento de água barrenta em barrancos devem ser tratados como indicativos de risco.
Nesses casos, a orientação é deixar imediatamente o imóvel e acionar a Defesa Civil pelo 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
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