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Operação Aletheia traz à tona a rotina do 'sextorsion' (VÍDEO)

Nessa modalidade de crime, os atraídos são posteriormente extorquidos a partir de chantagens de cunho sexual
Denis Luciano
Por Denis Luciano Criciúma, SC, 07/07/2020 - 15:35Atualizado em 07/07/2020 - 15:40
Alguns dos itens apreendidos na operação desta terça-feira em Criciúma e Içara / Divulgação
Alguns dos itens apreendidos na operação desta terça-feira em Criciúma e Içara / Divulgação

A notícia do dia trouxe à tona, nesta terça-feira, 7, uma nova modalidade de crime amparada nas redes sociais e na conotação sexual de determinados conteúdos. Foi o desenrolar da Operação Aletheia, que cumpriu quatro mandados de prisão e oito de busca e apreensão.

"É o sextorsion, crime que está sendo praticado em série em cidades catarinenses", referiu o delegado Yuri Miqueluzzi, da Divisão de Repressão a Roubos da Polícia Civil de Criciúma (DRR/DIC), que esteve à frente da operação. "Houve extorsões, lavagem de capitais, falsidade documental e ideológica e corrupção de menores", conferiu. "Era uma verdadeira organização criminosa", reforçou.

Em Criciúma, a Polícia Civil bateu logo cedo à porta de residências nos bairros Operária Nova, Nova Esperança, Santa Luzia e Imperatriz. Em Içara, os criminosos estavam nos bairros Jaqueline e Boa Vista.

Depois de uma investigação de 15 meses, a Polícia Civil chegou aos quatro presos na ação da manhã desta terça. Estiveram envolvidos na operação cerca de 50 policiais e até o helicópter do Serviço Aeropolicial (Saer), que chamou a atenção pouco depois das 6h com rasantes em Criciúma e Içara. Armas de fogo e veículos clonados também foram apreendidos.

Confira também - Operação Aletheia: quatro líderes criminosos presos

'Sextorsion': como funciona

"A atuação dos criminosos começava com a criação de perfis falsos de mulheres jovens em redes sociais", explicou o delegado Yuri. A partir daí, esses perfis eram utilizados como iscas para chamar a atenção de potenciais vítimas. "As conversas migravam para outros aplicativos de mensagens, onde eram realizadas conversas de cunho sexual e trocas de fotos e vídeos íntimos", relatou.

Atraída a vítima, vem à tona o trunfo decisivo do grupo criminoso: o uso do argumento de que a suposta participante da conversa é menor de idade. Essa "descoberta" se dava com a simulação de que os pais da jovem teriam acesso ao conteúdo trocado nas conversas. "A partir daí, os criminosos passavam a extorquir dinheiro para que o conteúdo íntimo não fosse divulgado para familiares da vítima ou para a polícia. O grupo assumia identidade de policiais e até criava mandados de prisões para dar veracidade aos golpes", detalhou o delegado. "Com medo, as vítimas realizavam pagamentos de grandes quantias em contas bancárias. Em uma das contas do grupo, a movimentação mensal superou R$ 80 mil", detalhou.

Carros apreendidos na operação

O crime pelo Mundo

No Brasil ainda não há dados concretos sobre a prática do 'sextorsion', que é bastante recente, mas nos Estados Unidos, onde a prática encontra-se difundida, o FBI - agência de inteligência do Departamento de Justiça dos Estados Unidos -, registrou um crescimento substancial de queixas. Os hackers são considerados os agentes mais comuns do crime, que também pode ser efetivado por ex-parceiros. Uma das dicas nas redes sociais é evitar aceitar convites de amizade sem razões aparentes e de desconhecidos.

Em agosto do ano passado a agência de cibersegurança Cofense referia que mais de 200 milhões de contas de e-mails já eram alvos do golpe. Calculava-se, na ocasião, que os endereços disponibilizados em listas de vazamentos da internet já haviam permitido prejuízos de 1,5 milhão de dólares.