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“O atleta é condicionado a ter o corpo virado em uma máquina”

Edson Luciano fala sobre treinamentos e escândalos de corrupção no esporte
Erik Behenck
Por Erik Behenck Criciúma - SC, 09/10/2017 - 16:35Atualizado em 09/10/2017 - 16:40
(foto: Amanda Farias)
(foto: Amanda Farias)

Morando em Criciúma há quatro meses, o velocista Edson Luciano possui duas medalhas olímpicas, uma de prata e outra de bronze. Ele participou do Programa do Avesso, da Som Maior FM, onde falou sobre o início de carreira, resultados e corrupção no esporte.

“Você abre mão de muita coisa para chegar numa Olimpíada. São muitas questões que fazem um atleta desistir. Aí você consegue vencer tudo isso, e vê que a política esportiva é isso aí que estamos vendo”, destacou Edson.

Ele acabou virando atleta profissional quase por acaso. Aos 19 anos, servia ao exército, quando acabou selecionado para provas de atletismo. “Um sargento selecionou para um competição militar. Acabei escalado para os 100 metros e 1.500 metros. Eu peguei medalha no peso, altura, 1.500 e arremesso de granada”, lembrou. Os resultados de Edson Luciano foram tão bons que ele superou um atleta profissional nesta competição.

Treinar para provas de atletismo possibilita que o corpo adquira novas características, ganhando resistência. De acordo com o medalhista olímpico, um copo e meio de cerveja faz perder uma semana de treinamentos. “O atleta é condicionado a ter o corpo virado em uma máquina, muito mais pela ambição de resultados do que pelo dinheiro”, afirmou. 

Os Jogos Olímpicos foram transformados em um mercado, exigindo que os atletas fujam das reais condições de seus corpos. “A tecnologia hoje tem permitido correr até os 40 anos. O Gatlin foi campeão mundial com 35 anos, o mais velho até hoje”.

O velocista ainda falou sobre os patrocinadores, que segundo ele, só pensam em aparecer ao lado do atleta que está em destaque. “De repente você acaba descobrindo que foi utilizado como um produto, e que os atletas podem ser trocados facilmente”, finalizou.