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MPF lança campanha digital sobre violação de direitos na Ditadura

Novo site disponibiliza mais de 850 mil páginas de processos movidos contra presos políticos durante a ditadura militar
Arthur Lessa
Por Arthur Lessa Criciúma, SC, 18/08/2017 - 16:54Atualizado em 18/08/2017 - 17:21

Com o slogan "Não deixe a história desaparecer, muito menos se repetir", o Ministério Público Federal (MPF) lançou nesta semana o site Brasil: Nunca Mais Digit@l, com o acervo do projeto Brasil: Nunca Mais, disponibilizando virtualmente mais de 850 mil páginas de processos judiciais movidos contra presos políticos durante a ditadura militar.

Os documentos históricos foram digitalizados, tratados e indexados, permitindo a pesquisa e a consulta de termos no interior dos arquivos. Além dos processos do Superior Tribunal Militar (STM), a base de dados disponível inclui documentos históricos do Conselho Mundial de Igrejas e da Comissão de Justiça e Paz de São Paulo.

O site BNM Digit@l também conta a história do projeto Brasil: Nunca Mais, desenvolvido pelo Conselho Mundial de Igrejas e pela Arquidiocese de São Paulo, sob a coordenação do Reverendo Jaime Wright e de Dom Paulo Evaristo Arns. O Brasil: Nunca Mais é a mais ampla pesquisa realizada pela sociedade civil sobre a tortura política no país.

Natural de Braço do Norte, João Batista Rita sumiu aos 25 anos, em 1973, e virou símbolo da luta contra a ditadura 

 

Acervo em textos e imagens

Antes do fim da ditadura, advogados e ativistas em direitos humanos trabalharam sigilosamente, fazendo cópias em xerox de todos os processos em tramitação do STM, muitos dos quais comprovavam as torturas e outras violações de direitos durante o regime militar. Foram cinco anos de trabalho. As mais de 850 mil páginas de processos copiadas foram microfilmadas e enviadas ao exterior.

O resultado foi a publicação de um relatório e um livro em 1985. O sucesso da publicação continua influenciando gerações e impulsionou o compromisso do Estado brasileiro com o enfrentamento à tortura.

Os 543 rolos de microfilmes do projeto estavam nos Estados Unidos e, em 2011, foram repatriados a pedido do Ministério Público Federal e disponibilizados na internet.

Assista ao video da campanha Brasil: Nunca Mais Digit@l