Uma nova etapa da investigação sobre um esquema de lavagem de dinheiro foi deflagrada nesta quinta-feira (24). A Operação Crédito Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto, cumpre mandados de busca e apreensão contra 13 pessoas físicas e 19 empresas em sete estados, incluindo Santa Catarina.
A ação é realizada pela Receita Federal, Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Secretaria da Fazenda e Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, além das polícias Militar e Civil. Conforme os órgãos envolvidos, a operação investiga estruturas financeiras que teriam sido utilizadas para ocultar patrimônio e viabilizar a aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.
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Ao todo, são 28 endereços alvos da operação, 26 em São Paulo e um em cada um dos estados de Santa Catarina, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
A investigação aponta a utilização de empresas, fundos de investimento, holdings e instituições financeiras para dificultar a identificação dos responsáveis pelos recursos.
Investigação aponta estruturas sobrepostas
De acordo com a investigação, o esquema teria começado com a ocultação dos verdadeiros proprietários de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo.
A estrutura societária teria sido formada por fundos e empresas aparentemente independentes, mas os investigadores apontam que o controle econômico continuava ligado aos reais beneficiários.
Um dos principais negócios analisados envolve cerca de R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina. Segundo os levantamentos, parte dos recursos usados na operação teria origem em fundos controlados pelo mesmo grupo investigado, criando um fluxo financeiro que, conforme a investigação, dificultava a identificação dos beneficiários.
Na etapa seguinte, a usina teria sido utilizada na estrutura montada para a aquisição da distribuidora de combustíveis. Segundo os investigadores, cerca de R$ 100 milhões foram enviados à empresa para financiar o negócio.
A investigação aponta ainda que os recursos passaram por diferentes empresas e contas antes de chegarem à usina.
Posteriormente, o dinheiro teria sido direcionado a um fundo de investimento criado para a operação e utilizado em negócios envolvendo um banco e duas empresas de fachada.
Empresa financeira movimentou R$ 11,6 bilhões
Segundo a investigação, uma empresa financeira utilizada na aquisição simulada da usina movimentou aproximadamente R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.
Para os investigadores, o volume, analisado junto às demais evidências, reforça os indícios de uso da estrutura para ocultação patrimonial, dissimulação da origem dos recursos e lavagem de capitais.
A operação também identificou a utilização de fundos imobiliários. Conforme os investigadores, imóveis ligados aos envolvidos teriam sido transferidos para empresas patrimoniais e, depois, para esses fundos, mantendo o controle econômico dos bens, mas afastando-os da titularidade direta dos investigados.
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A investigação aponta que as diferentes estruturas, como fintechs, fundos, holdings, empresas de fachada e empresas patrimoniais, teriam funções complementares para movimentar recursos, adquirir ativos e dificultar a identificação dos beneficiários finais.
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