O fechamento da unidade da Dexco em Urussanga, anunciado pela empresa nesta semana, deve resultar na demissão de 159 trabalhadores. Outros 30 funcionários permanecerão temporariamente para atuar na venda do estoque atual da fábrica, enquanto 24 empregados serão realocados para a unidade de Criciúma.
Diante do encerramento das atividades produtivas, o Sindicato dos Trabalhadores Ceramistas e Construção Civil afirmou ter sido pego de surpresa pela decisão, mas garantiu que acompanhará todo o processo de rescisão dos funcionários atingidos.
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Segundo o presidente da entidade, Itaci de Sá, o sindicato ainda não possui um plano estruturado de recolocação profissional para os trabalhadores demitidos, especialmente pela dificuldade logística entre Urussanga e Criciúma. Apesar disso, ele acredita que o mercado regional ainda possui demanda por mão de obra.
“O que o sindicato entende é que hoje está faltando muita mão de obra. Inclusive, naquela unidade, se abrissem oportunidade para quem queria sair, boa parte já teria pedido demissão”, afirmou, ao portal 4oito.
O sindicalista relatou que houve negociação com a empresa para impedir descontos relacionados a períodos de paralisação e licenças remuneradas concedidas anteriormente. “O sindicato não aceitou que fossem descontados dias parados ou compensados em banco de horas. A empresa entendeu nossa posição e concordou em não fazer esses descontos”, disse.
Ainda conforme o presidente, os pagamentos de aviso prévio, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e multa rescisória devem ocorrer nos dias 3 e 4 de junho, com acompanhamento sindical.
Sindicato descarta crise generalizada no setor
Além do impacto imediato das demissões, o sindicato também rebateu rumores de que outras empresas cerâmicas do Sul de Santa Catarina possam encerrar atividades nos próximos meses.
Segundo Itaci, o caso da Dexco seria isolado e ligado a uma estratégia específica do grupo, e não a uma crise estrutural do setor da região. "A única que está fechando é a do grupo Dexco, e nós já vínhamos alertando os trabalhadores há mais de um ano sobre essa possibilidade”, garantiu.
Apesar das críticas à condução da empresa, Itaci destacou que outras indústrias do setor seguem operando normalmente no Sul catarinense. “Eliane está vendendo bem, Angelgres está vendendo bem, Elizabeth está vendendo bem. Não existe esse risco generalizado de fechamento”, pontuou.
O que diz a Dexco
Em nota oficial, a Dexco informou que o encerramento das atividades produtivas em Urussanga faz parte de uma “decisão estratégica de reorganização operacional”, com o objetivo de aumentar a eficiência, competitividade e sustentabilidade do negócio diante do cenário atual do setor cerâmico.
A companhia afirmou ainda que a produção será concentrada nas unidades de Criciúma e Botucatu, mantendo os padrões de qualidade e atendimento das marcas Portinari e Ceusa.
A empresa também declarou que os colaboradores afetados terão acesso a um plano de apoio, incluindo pacote de desligamento com benefícios adicionais e oportunidades de aproveitamento em outras unidades do grupo.
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