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"Eu fui o depositário da fé e da esperança de muitas pessoas"

Napoleão Bernardes, ex-prefeito de Blumenau, falou sobre seus sonhos e planos na política
Por Clara Floriano Criciúma - SC, 21/05/2018 - 10:49Atualizado em 21/05/2018 - 11:07
(foto: Clara Floriano/ 4oito)
(foto: Clara Floriano/ 4oito)

Jovem, ex-vereador e ex-prefeito (reeleito) de Blumenau, Napoleão Bernardes (PSDB) é a cara nova da política catarinense. Recentemente ele renunciou ao cargo de prefeito e agora percorre o Estado lançando sua pré-candidatura, provavelmente ao Senado. Hoje Bernardes esteve no Programa Adelor Lessa.

Como foi tomar a decisão de deixar a Prefeitura de Blumenau?

Napoleão Bernardes: Essa é uma decisão muito difícil. Para ser validada, aprovada e compreendida, é preciso ter todo um conjunto de circunstâncias. Sonhar ser prefeito, eu sonhei. Eu desejei, foi um sonho que partiu de mim e foi compartilhado com a comunidade. Disputei minha primeira eleição aos 17 anos. A segunda bateu na trave e na terceira eu venci e fui o mais votado da história para um vereador de primeiro mandato. Fui construindo minha trajetória passo a passo, degrau a degrau. Sonhei em ser prefeito e fui compartilhando esse sonho. Houve um contagiamento e aí houve a maior votação da história de Blumenau. Fui eleito o prefeito mais jovem da história, aos 30 anos, com mais de 70% dos votos. E a nossa reeleição foi a maior do segundo turno em Santa Catarina, proporcionalmente. Tivemos um mandato com ações que foram premiadas e reconhecidas. Estou fazendo essa analogia para dizer que agora o meu passo além não partiu de mim, não brotou de um sonho individual meu. As coisas tem que começar na base da gente. Neste caso específico a cidade e a região passaram a sonhar com a possibilidade deste passo. Este foi um sonho externo que foi compartilhado comigo. Eu fui o depositário da fé e da esperança de muitas pessoas.

Blumenau aprova a sua decisão?

Napoleão Bernardes: A minha renúncia, por exemplo, foi prestigiada por mais de 2 a 3 mil pessoas. O Teatro Carlos Gomes ficou muito acima da sua lotação possível. Estavam lá lideranças da cidade e da região. Todas as igrejas, todas as entidades empresarias, entidades de classe, clubes de serviço, sociedade civil. Tanto é que as capas dos jornais, sabendo que eles fazem um olhar crítico, para demonstrar a veracidade disso, diziam em suas manchetes: “O sim de Napoleão”. Significa dizer que eu fui chamada àquilo, fui provocado, aceitei o desafio que me foi compartilhado pela fé e esperança. Do ponto de vista local, cheguei no momento em que eu teria dificuldade para explicar o porquê de não ir. Então no meu caso específico eu não deixo nada, mas de continuar cumprindo meu propósito de vida pública com ética, respeito e modernização em outras posições. Eu entendo que o senado pode ser uma boa oportunidade, pela luta daquilo que é real, que é a vida nas cidades.

Por que candidatar-se ao senado e não ao Governo do Estado?

Tive duas passagem: uma no Executivo e uma no Legislativo. Minha formação é jurídica, é na área do Direito Público. Então gosto de atuar nas duas praias. De fato, o Brasil espera uma renovação no congresso nacional e eu sempre digo que a renovação não é uma questão de idade, mas sim de postura, de valores e de práticas. No meu caso coincide a renovação com a idade, mas a renovação está num campo de ideias e ideais. Sempre digo que Santa Catarina tem uma opção literal de renovação para o Senado, porque eu tenho 35 anos e essa é a idade exatamente mínima que a Constituição estabelece para ser senador. Eu, nunca tendo sido deputado ou senador, terei a oportunidade de levar a noção da vida real. O caos e dificuldades do transporte coletivo, o quanto essa prática de concentração de recursos em Brasília dificulta a vida nos municípios e o quanto estes problemas que são comuns vão afetar a vida de todos nós. Isso é muito importante.

Por outro lado, eu respeito muito a questão partidária e nós no PSDB temos o pré-candidato Paulo Bauer lançado ao Governo do Estado. Ele já disputou as Eleições 2014 com uma votação expressiva. Então, se entende como natural a candidatura de Paulo Bauer ao Governo, conosco ao Senado, e assim o PSDB buscando força máxima nas Eleições 2018.

É seu projeto ser candidato ao Governo do Estado futuramente?

Napoleão Bernardes: Eu sempre digo que aqueles que fazem política por paixão ou vocação tem várias formas de atuar, alguns atuam, por exemplo, em associação de moradores, Apae, Rede Feminina de Combate ao Câncer, e neste trabalho comunitário e voluntário fazem a diferença. Para aqueles que tem a vocação de disputar a eleição, eu imagino que cada um tem o sonho de ser prefeito da sua cidade. Então, nesta analogia, quem é político por vocação sonha em ser prefeito, isso eu fui, e sonha em ser governador do seu Estado, ainda mais um Estado tão encantador, rico e com tanto diferencial como Santa Catarina. Mas eu acredito que tudo no seu tempo. Sou um cara do degrau a degrau, do passo a passo.  Eu trabalho como se tudo dependesse só de mim e confio como se tudo dependesse só de Deus. Então na mescla do trabalho com a fé, da garra e da esperança, tudo acontece no momento certo.