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Estrada esburacada, impacto na economia

Economista Egídio Martorano foi a Praia Grande comentar os impactos que a economia sofre com a infraestrutura inadequada
Denis Luciano
Por Denis Luciano Praia Grande, SC, 30/10/2019 - 13:46Atualizado em 30/10/2019 - 13:52
Fotos: Denis Luciano / 4oito
Fotos: Denis Luciano / 4oito

No extremo sul de Santa Catarina há alguns recantos de beleza natural exuberante. De canyons a rios e cachoeiras, completando com o verde por vezes intocado, são cenários mais que adequados para fazer daquele torrão espaço para o turismo. Mas para desenvolver essa indústria sem chaminés, é necessário ter meios para chegar. Por isso que as estradas da região de Araranguá pautaram reunião realizada na noite desta terça-feira, 29, em Praia Grande.

"Não fazer rodovias gera custos e perda de recursos. Uma região com boa rodovia é outro aspecto. A definição de investimentos tem a logística como prioridade", comentou o economista e secretário-executivo da Câmara de Transporte e Logística da FIESC (Federação das Indústrias de Santa Catarina), Egídio Martorano. Ele participou do encontro promovido pelo deputado José Milton Scheffer em parceria com a Câmara de Vereadores de Praia Grande no Salão Paroquial da comunidade de Cachoeira de Fátima.

Egídio comentou o estudo apresentado pelo engenheiro Ricardo Saporiti, que levantou as condições de rodovias que precisam passar por investimentos. "As rodovias daqui possuem um padrão. Vemos a necessidade de restauração, manutenção preventiva e rotineira, isso é um problema crônico, e esse trecho bastante ruim, necessitando pavimentação"
"É um trecho com produção grande no arroz, maracujá, e tem potencial turístico importante, a Fiesc está dando importância", destacou o economista.

Ele lembrou a importância do investimento em infraestrutura para atração de empresas. "O critério para resolver a expansão de um negócio é a logística, muitas vezes supera os incentivos fiscais", apontou. "Não é nossa área, nós trabalhamos com a indústria, mas sabemos que são dezenas de pousadas, a natureza, os cenários, isso já tem investimentos com falta de estrutura, a região pode desenvolver muito o turismo. A questão da logística é componente importante", reforçou.

Defesa da concessão

Em Santa Catarina há um processo de concessão de rodovias à iniciativa privada em andamento pela União. Trata-se da BR-101, cujo edital está por ser lançado. Martorano defendeu esse modelo para conserva de rodovias estaduais também. "Nós sabemos, a Fiesc tem demonstrado isso, não tem a simpatia de políticos, mas sabemos a restrição fiscal dos governos. Sabemos que o governo não tem dinheiro para cumprir a agenda logística do Estado que é ampla. Projetamos um investimento de R$ 6 bilhões ao ano só para manutenção. Temos que envolver o setor privado. O governo levará muito tempo para se recuperar, a situação das prefeituras é dificílima, do Estado também. Uma das soluções é a participação privada, é um bom negócio para o investidor, se bem feita. Não falamos em concessão para duplicar, mas para manutenção, roçada, sinalização. Isso não precisa de grandes investimentos", apontou. "Para cada 1 dólar não investido em manutenção preventiva e rotineira gasta 4 dólares para recuperar", enumerou. "Seria ótimo que o governo tivesse dinheiro para fazer isso tudo, mas temos que achar alternativas", completou.

Egídio Martorano com o engenheiro Ricardo Saporiti ontem, em Praia Grande

O economista citou os custos que a logística tem em Santa Catarina, mais elevados que a média nacional, como um fator que não incentiva investimentos. "Temos um custo logístico de 14 centavos por real faturado, muito por conta do estado de nossas rodovias. No Brasil são 11 centavos, perdemos competitividade aqui no Brasil já, com nossos estados vizinhos. Se pensar no comércio exterior, nos Estados Unidos se estima em 8 centavos. A logística é importantíssima", afirmou. "Temos a noção da importância econômica do sul", completou.

A principal razão da reunião em Praia Grande foi a exposição do projeto de pavimentação da SC-108 entre Praia Grande e Jacinto Machado, em um trecho de 31,1 quilômetros. O evento contou com a participação do secretário de Estado da Infraestrutura, Carlos Hassler.

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