No passo calmo de um cavalo, nasce a esperança de encontrar um caminho de cura. O cavalegar lento estimula o equilíbrio, o aprendizado e a segurança, onde a sintonia em cada movimento mostra que o medo faz parte, mas os laços entre animal e ser humano transcendem as palavras.
Esse é o trabalho da equoterapia, uma alternativa terapêutica que vem ganhando espaço e auxiliando crianças, jovens e adultos a melhorar a coordenação motora, a autoestima e o bem-estar emocional por meio do contato com cavalos.
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Um programa de equoterapia proporciona às pessoas com deficiência a oportunidade de viver uma experiência única que, de forma lúdica, trabalha corpo e mente. A evolução é acompanhada por profissionais que direcionam cada momento como uma ferramenta terapêutica. “Não é só andar; há todo um cuidado, com uma equipe que trabalha coordenação, percepção e profundidade”, explica a fisioterapeuta Luana Uggioni do Livramento.
Além disso, o cavalo possui mais de 25 mil estímulos que transmite para as pessoas e o contato com o animal também estimula a fala e a socialização, permitindo que a base da linguagem seja desenvolvida durante as aulas. Segundo a profissional, o apoio dos pés é fundamental para o desenvolvimento da fala. “A base da fala vem do pé, subindo para a região pélvica e até o abdômen. Um bom exemplo é a cantora Beyoncé: para alcançar as notas mais altas, ela precisa estar com os pés firmes no chão”, comenta.
Segundo a fisioterapeuta, a sensibilidade dos cavalos é única e é nítido o cuidado do animal com cada paciente. “Eles percebem quando a pessoa tem alguma deficiência. Com os PCDs (pessoas com deficiência), eles são mais atentos e cuidadosos, conectando-se de forma incrível e respeitando os limites de cada um. Até com pessoas de mesmo perfil, peso, altura e gênero, mas sem deficiência, eles percebem a diferença”, explica.
A equoterapia também atua como uma forma de alinhar sentimentos e o sistema corporal. “Às vezes estamos estressados, nervosos ou cansados, mas eles sincronizam os batimentos cardíacos, ajustam a circulação e ajudam a organizar os pensamentos. Quando percebemos, estamos renovados”, relata Luana.
Parceria com a APAE
O Centro Equestre Inspira mantém parceria com a APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), oferecendo atendimento personalizado. O método tem duração de três meses, com aulas semanais de 30 minutos. “Fizemos um trabalho de três meses para que todos tenham a oportunidade de participar do programa. Os alunos conseguem uma grande evolução nesse período, desde a coordenação até a socialização”, afirma Luana.
Tipos de programa
Ao todo, existem quatro programas, pelos quais o praticante evolui ganhando autonomia:
1. Programa Hipoterapia: Nível iniciante, sem autonomia; trabalha estímulos, coordenação e confiança.
2. Programa Educação e Reeducação: O participante utiliza uma rédea falsa e realiza alguns comandos básicos, como andar em linha reta. A veterinária acompanha o processo.
3. Programa Pré-Esporte: Já possui autonomia e realiza alguns cuidados com o cavalo, como escovar e alimentar, montando sozinho.
4. Programa Esporte: O participante tem autonomia total.
Na equoterapia direcionada a pessoas com deficiência, o programa é chamado paraenduro, enquanto para pessoas sem deficiência é a equoterapia convencional.
Terapia que se transformou em algo essencial
Diagnosticado com autismo aos 2 anos, Raul Gerônimo Freitas encontrou na equoterapia um caminho decisivo para seu desenvolvimento. Iniciado no tratamento aos 5 anos, o acompanhamento com cavalos contribuiu para avanços significativos na comunicação, atenção, coordenação motora e equilíbrio emocional.
“Ao longo dos anos, Raul passou a se expressar melhor, ganhou autonomia, confiança e criou vínculos afetivos, participando ativamente das sessões e até auxiliando nos cuidados com os animais”, conta a mãe, Vanessa Fernandes Gerônimo.
Hoje, aos 10 anos, ele integra o Terceiro Programa (Pré-Esporte), e a família destaca a equoterapia como um verdadeiro divisor de águas, ressaltando o trabalho humanizado e transformador dos profissionais. “Ele realiza sozinho todo o manejo do cavalo, precisando de ajuda apenas ao encilhar, e mesmo assim, apenas em alguns momentos. Hoje ele já monta de um degrau de 15 cm, sem necessidade da rampa, o que representa uma evolução muito grande”, relata Vanessa.
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