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Entenda por que o real é a moeda que mais desvalorizou em relação ao dólar

Queda nos juros vem tornando o cenário brasileiro menos atrativo aos investidores estrangeiros
Paulo Monteiro
Por Paulo Monteiro Criciúma - SC , 20/05/2020 - 15:52Atualizado em 20/05/2020 - 15:53
Foto: reprodução
Foto: reprodução

Nos últimos meses e semanas temos presenciado uma onda de aumento do dólar em relação ao real. Neste ano, a moeda brasileira acumulou menos 32% de valorização em relação ao câmbio norte-americano, ficando atrás do rand sul africano e do peso mexicano e se tornando a moeda mais desvalorizada, em comparação ao dólar, do mundo.

O economista e assessor de investimentos da Wise Advisors, Gustavo Guarnieri, explica o porquê desta baixa tão significativa em tempos de pandemia do novo coronavírus. “Antes nós éramos um país com juros altíssimos de 14% ao ano e com uma moeda artificialmente valorizada em relação ao dólar. Com isso, o investidor norte-americano pensava: se eu coloco aqui, rende 3%, lá no Brasil rende 14%. Valia a pena investir de fora”, disse.

Por conta da pandemia, uma série de mudanças econômicas vêm sendo realizadas, e uma delas é a queda exponencial dos juros, que chegou aos 3% e periga cair para até 2%. “Visto que pode chegar a 2%, o investimento em renda fixa no Brasil não é algo mais tão interessante assim para o estrangeiro”, pontuou Gustavo.

Além disso, o fato das empresas brasileiras como um todo dependerem muito da China, faz com que o país tupiniquim também não seja tão bem visto aos olhos do estrangeiro está prestes a investir. “Não querem investir em empresas e nem na renda fixa. Não tem tantos pontos atrativos, por isso o dólar começa a sair, começa a sair dinheiro estrangeiro e temos uma alta atrás da outra”, ressaltou.

Apesar disso, o economista destaca que as perspectivas econômicas para daqui cinco ou dez anos são um tanto quanto positivas. O gráfico do ibovespa dolarizado, existente desde 1963, conta com uma linha de baixa que, historicamente, quando o Brasil alcança essa linha, tende a voltar a crescer economicamente - e nós já a atingimos neste ano.

“Haverá uma recuperação da economia interna. As empresas se tornarão empresas mais lucrativas, irão enxugar custos, aumentar o consumo interno e isso valoriza a nossa moeda em relação ao dólar e os demais câmbios”, destacou.