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Eleições 2020

Eles querem comandar a cidade: Coronel Cosme

4oito inicia uma série de entrevistas com os pré-candidatos a prefeito de Criciúma. O primeiro é o ex-comandante da PM que se filiou ao Podemos
Denis Luciano
Por Denis Luciano Criciúma, SC, 01/09/2020 - 16:15Atualizado em 01/09/2020 - 19:31
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O 4oito começa nesta terça-feira, 1, uma série de entrevistas com pessoas que estão dedicando seu tempo a construir candidaturas a prefeito de Criciúma. Eles querem envergar a faixa verde e vermelha, sentar na cadeira de Marcos Rovaris e, do Paço Municipal, ditar os rumos da cidade entre janeiro de 2021 e dezembro de 2024.

O desafio não é dos menores. Criciúma é hoje a oitava economia do Estado, mas vive as dores da pandemia.

O período escolhido para essas entrevistas é o das convenções partidárias. Ou seja, prazo no qual os partidos definem seus futuros para as eleições de 15 de novembro. Há os candidatos consolidados entre os grandes partidos, como Clésio Salvaro (PSDB) e Dr Anibal (MDB). E os ideológicos, que prometem uma boa briga, casos de Júlia Zanatta (PL) e Chico Balthazar (PT). E os que ainda buscam se afirmar no cenário, como Allison Pires (PSL) e Coronel Cosme (Podemos). A extrema esquerda também marca presença com Ederson da Silva (PSTU). E há os que ainda não bateram o martelo 100%, mas que vão à disputa, como Rodrigo Minotto (PDT).

O Coronel quer o comando

Natural de Nova Veneza, Cosme Manique Barreto comemora 59 anos no próximo dia 20. Casado com Edna Maria da Cruz, pai de Lucas e Ana Vitória, viveu 37 anos a carreira de policial militar, retirando-se da ativa e partindo à reserva remunerada no começo de abril.

"Mas eu sou bisneto de Giácomo Sônego", respondeu, orgulhoso, quando perguntam se não nasceu em Criciúma. "Meu bisavô veio lá da Itália com todos aqueles imigrantes, e ele descobriu o carvão aqui", recordou, com a história na ponta da língua. O Sônego é um parentesco do lado materno, mas do lado paterno vem a política. Cosme é primo-irmão do saudoso ex-prefeito Algemiro Manique Barreto, falecido em 2016.

Como está

Cosme tem sido o mais discreto dos pré-candidatos a prefeito até aqui. Tanto que há quem não o coloque na lista. E ele não se importa com isso. "Estamos trabalhando. Vamos com o pé no chão, bem tranquilos, bem organizados. Dentro daquilo que podemos trabalhar, tranquilos, sossegados, mostrando a possibilidade de ser uma diferença", ressaltou. "Vamos fazer com que a cidade veja o nosso nome", acrescentou.

O Podemos, partido do Coronel Cosme, tem sido bastante cortejado. "Somos sim constantemente chamados para conversas", reconheceu. E os convites são, via de regra, para que o Podemos indique o vice - que poderia ser o próprio Cosme - de alguma das candidaturas colocadas. "É, para de repente entrarmos de vice am alguma chapa, ou fazer parte nos apoios brancos que se têm, como não ter candidato na majoritária e estar apoiando com os nossos vereadores pedindo voto", contou.

Mas Cosme garante: seu projeto segue sendo sim concorrer a prefeito. Ele confirma os assédios de lideranças do MDB, PSL e PDT para estar com as candidaturas de Dr Anibal, Dr Allison ou Rodrigo Minotto. "A ideia é realmente compor eu e o Cesinha, com uma chapa pura do Podemos", reforçou, citando seu pré-candidato a vice, o ex-vereador Pedro César Faraco. "Até agora, todos os convites vieram para a gente indicar o vice, nós queremos mais. Queremos nos mostrar como um bom partido", sublinhou.

Porém, o pré-candidato do Podemos reconhece uma chance de mudança no cenário. "Não vou dizer que essa é uma ideia fechada, que não vai mudar. Eu me reporto ao comando estadual do partido para decisões. Acatamos os superiores, mas hoje, em nível de cidade, a decisão do Podemos é sim ter candidato a prefeito", frisou. "A ideia é tentar viabilizar a majoritária para dar uma dimensão de partido", esclareceu.

E o discurso?

Quem olha para um ex-comandante da Polícia Militar na região imagina que seu discurso será embasado na segurança pública, certo? Nem tanto. "Se houver um bom discurso da nossa parte, mostrando nossas propostas, acredito na vitória", sentenciou, otimista. "Mas se não vier a vitória, nós marcamos uma posição enquanto partido na cidade, até para nos prepararmos a uma próxima situação", emendou.

A decisão de ser candidato a prefeito não vem de hoje. "Sempre gostei muito de acompanhar a política", reconheceu. "Agora, vi como é difícil montar um partido, ainda mais como o nosso, que nem existia na cidade. Vi que é difícil buscar pessoas que queiram ser candidatas. Descobrir pessoas com potencial para isso é muito complexo", argumentou. Porém, havia um sonho. "E o sonho de um dia ser político, de trabalhar na política, gente sempre teve", revelou.

Daí, a experiência na PM entra na conversa. "Quando se comanda uma região, ela tem algo de cidade, um batalhão também, tem algo de administração pública. Como agente de segurança, tem que pensar na cidade, nos bairros, você vê todos os problemas. De uma maneira ou outra, somos gestores públicos, não como prefeito, mas na área de segurança", destacou. "E temos várias situações de uma prefeitura dentro de um quartel", observou.

E a proposta?

Cosme entende que é preciso "vender" melhor os potenciais de Criciúma. "Temos que mostrar o quanto a nossa cidade é atrativa", comentou. "Temos uma cidade entre duas capitais, bem localizada, somos um polo. Mas muitas vezes não sabemos vender a cidade, uma empresa para vir para cá precisa saber disso", salientou. "Temos que mostrar também a capacidade de Criciúma, a gente tem cursos técnicos, temos mão de obra", relatou. "Temos que segmentar a cidade, criar uma base para a cidade crescer", detalhou.

Uma relação harmoniosa com o Governo do Estado será importante. "A partir do momento em que a pessoa se torna um prefeito de uma cidade, ela tem que deixar as suas particularidades de lado e pensar na cidade", afirmou. "Não adianta eu ser prefeito de uma cidade, de um partido, e tratar como inimigo o meu governador, o governador do Estado", comentou.

O pré-candidato do Podemos entende que será necessário trabalhar em sintonia com o Estado. "Buscar uma aproximação melhor possível, independente das alas e partidos onde se encontram, independente de ser o Moisés ou um outro governador, tem que buscar a proximidade", observou.

Em relação ao atual prefeito, Clésio Salvaro, o Coronel Cosme elogiou mas também elencou críticas. "Tem várias obras, tem um histórico dentro da prefeitura, mas é um governo com alguns senões", avaliou. "Eu não admito mais uma pessoa ter que pegar uma fila para fazer uma consulta médica, temos tecnologia e o Município tem que investir nisso para facilitar a vida do cidadão", refletiu. "O prefeito fez várias obras, estão aí os parques, mas o que a gente coloca é uma maneira diferente de olhar a cidade, a gente está com esse olhar diferenciado", finalizou.

A próxima entrevista

Nesta quarta-feira, 2, o entrevistado será o pré-candidato do PSL à prefeitura, Dr Allison Pires.