O primeiro debate entre os candidatos ao Senado por Santa Catarina, promovido pela Rádio Som Maior nesta segunda-feira (17), foi marcado pelo confronto direto entre os cinco participantes.
Esperidião Amin (PP), Jeferson Rocha (PRD), Afrânio Boppré (Psol), Antídio Lunelli (MDB) e Décio Lima (PT) discutiram temas que vão desde as obras de infraestrutura no Estado até apostas esportivas, endividamento das famílias, escala de trabalho, agronegócio e a relação política entre Santa Catarina e o governo federal.
LEIA MAIS:
- Candidatos respondem sobre segurança, reforma tributária, obras, endividamento e STF
- Corrupção, juros e escala 6x1 elevam tensão em debate ao Senado em SC
- AO VIVO: Som Maior realiza primeiro debate com candidatos ao Senado em SC
Lula, democracia e a relação com Brasília
Décio Lima e Afrânio Boppré protagonizaram troca de opiniões sobre os resultados do governo federal e destacaram indicadores econômicos e sociais. Boppré defendeu o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que Santa Catarina teria recebido investimentos importantes da União.
O candidato citou obras de infraestrutura e defendeu a aprovação do fim da escala 6x1, sem redução salarial e com jornada de 40 horas semanais. “Ninguém pode viver só para trabalhar”, disse Boppré.
Na réplica, Décio reforçou a defesa da aproximação entre Santa Catarina e Brasília. O candidato afirmou que grande parte dos problemas do Estado depende de decisões tomadas na capital federal. “Quero ser, portanto, um senador que trabalhe e traga resultados para o nosso povo”, declarou.
Boppré, por sua vez, criticou a relação entre o Governo Estadual e Federal e classificou o período recente como uma “década perdida”. Para ele, o Estado precisa superar conflitos políticos e buscar maior articulação com Brasília. “A nossa função é aproximar Santa Catarina de Brasília”, afirmou.
Apostas esportivas entram no debate
Antídio Lunelli questionou Esperidião Amin sobre o avanço das bets e os impactos do endividamento sobre as famílias brasileiras.
Lunelli relatou que o problema também é percebido entre trabalhadores de sua empresa e afirmou que há famílias comprometendo recursos destinados a necessidades básicas.
Amin defendeu medidas de contenção e redução da publicidade relacionada às apostas. “Isso é uma epidemia”, afirmou ao defender ações para conter o avanço do problema.
Na réplica, Lunelli voltou a defender uma atuação mais dura contra o setor. “Não teremos mais lobby que destrua a família brasileira”, declarou.
O debate sobre as apostas acabou sendo usado pelos dois candidatos para defender uma atuação firme do Senado na regulamentação do setor e no combate ao endividamento.
Democracia e polarização
Afrânio Boppré também direcionou uma pergunta a Décio Lima sobre o cenário político nacional e a disputa entre grupos de direita e esquerda. Boppré afirmou que a eleição ao Senado seria decisiva para a governabilidade do país e para a democracia.
Décio concordou com a necessidade de fortalecer a representação política do governo federal no Congresso e voltou a defender a eleição de candidatos alinhados ao projeto de Lula.
Na réplica, Boppré criticou parlamentares catarinenses que, segundo ele, votaram contra o fim da escala 6x1. “É uma vergonha”, afirmou ao mencionar os votos contrários à proposta.
Décio respondeu defendendo uma representação política capaz de trazer resultados para Santa Catarina e criticou o que classificou como “ódio da mentira”.
“Nós precisamos que a nossa representatividade em Brasília traga resultados”, afirmou.
Morro dos Cavalos vira centro de discussão
A situação do Morro dos Cavalos foi outro dos principais temas do debate. Esperidião Amin questionou Jeferson Rocha sobre quais medidas deveriam ser tomadas para avançar na solução do problema de infraestrutura.
Rocha defendeu maior fiscalização das obras federais e aproveitou o tema para defender uma mudança na relação entre União e estados.
“Não quero que os problemas sejam resolvidos em Brasília. Os problemas têm que ser resolvidos aqui em Santa Catarina”, afirmou.
O candidato também defendeu maior autonomia financeira para os estados e criticou a concentração de recursos em Brasília.
Amin concordou com a necessidade de fiscalização e defendeu a criação de um cronograma para a obra. “Nós temos que resgatar essa obra o mais rapidamente possível”, afirmou.
Ele também destacou a importância de acompanhar de perto os prazos e a execução dos trabalhos. “Esquece partido. Nós temos que resgatar essa obra o mais rapidamente possível”, reforçou.
Agronegócio e crise de preços
O setor rural foi tema da pergunta de Jeferson Rocha para Antídio Lunelli. Rocha citou a diferença entre o custo de produção do arroz e o valor recebido pelo produtor e questionou quais medidas poderiam melhorar a renda no campo.
Lunelli respondeu a partir de sua própria experiência como produtor rural e defendeu políticas de proteção ao agronegócio. “Estando no Senado Federal, defenderei a causa do agronegócio, dos nossos empreendedores e dos nossos agricultores”, afirmou.
O candidato também criticou a abertura de importações em momentos de dificuldade para os produtores brasileiros e defendeu maior controle do mercado.
Rocha acrescentou à discussão uma crítica à concentração do mercado de carnes e citou a atuação de grandes empresas do setor. Segundo ele, é necessário combater os chamados oligopsônios e rever o uso de recursos públicos destinados a grandes grupos empresariais.
Lunelli concordou com a necessidade de ampliar a competitividade. “Eu defendo o nosso agricultor, defendo o nosso empresário e principalmente os nossos colaboradores”, declarou.
Debate encerra com propostas distintas para o Senado
O primeiro debate entre os candidatos ao Senado por Santa Catarina apresentou diferentes posicionamentos sobre temas de interesse estadual e nacional. Ao longo dos blocos, os participantes responderam a perguntas dos adversários, jornalistas e comentaristas, abordando assuntos como infraestrutura, apostas esportivas, endividamento, relações de trabalho, agronegócio, reforma tributária, democracia e atuação do Senado.
Entre os assuntos que mais apareceram esteve a relação entre Santa Catarina e o Governo Federal. Enquanto Décio Lima e Afrânio Boppré defenderam maior articulação com Brasília e destacaram a atuação federal no Estado, Jeferson Rocha apresentou uma proposta de maior autonomia financeira para Santa Catarina. Esperidião Amin enfatizou a articulação institucional e a fiscalização de obras, enquanto Antídio Lunelli destacou a gestão pública e a defesa do setor produtivo.
O encontro também permitiu que os cinco candidatos apresentassem suas trajetórias e prioridades para um eventual mandato. As respostas mostraram diferenças nas propostas e nas avaliações sobre o cenário político e econômico do país, além de pontos de convergência, como a necessidade de avançar em obras de infraestrutura e discutir medidas para setores como agricultura, trabalho e economia.
Confira a live do primeiro debate com candidatos ao Senado de Santa Catarina:
DEIXE AQUI SEU PALPITE PARA O JOGO DO CRICIÚMA!