O terceiro bloco do primeiro debate entre candidatos ao Senado, promovido pela Rádio Som Maior, foi marcado por embates sobre corrupção, impunidade, economia, endividamento, juros e o fim da escala 6x1.
A rodada seguiu o sistema de rodízio definido previamente. Cada candidato teve um minuto para fazer a pergunta, dois minutos para responder e um minuto para réplica e tréplica.
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Participaram da etapa Esperidião Amin (PP), Jeferson Rocha (PRD), Décio Lima (PT), Antídio Lunelli (MDB) e Afrânio Boppré (PSOL). As discussões tiveram momentos de confronto direto entre os candidatos.
Corrupção e impunidade dominam primeira rodada
Antídio Lunelli abriu o bloco questionando Jeferson Rocha sobre medidas para combater a corrupção no país. O candidato do PRD defendeu o endurecimento das leis e punições mais severas para crimes contra o patrimônio público.
“Nós temos que acabar com esse estigma, endurecendo as leis e fazendo com que o crime de corrupção tenha penas severas de prisão”, afirmou Jeferson.
Jeferson citou o caso dos descontos indevidos em benefícios de aposentados do INSS e defendeu a investigação de todos os envolvidos. Para ele, quem tiver participação comprovada em desvios deve responder criminalmente.
O candidato também propôs mudanças no processo de análise de pedidos de impeachment no Congresso Nacional. Segundo ele, decisões dessa natureza não deveriam ficar concentradas nas mãos de uma única autoridade do Legislativo.
Antídio concordou com a necessidade de punições mais rigorosas e afirmou que os recursos desviados prejudicam diretamente áreas como saúde e educação.
“Quem rouba dinheiro público tem que sair no camburão da polícia, seja no Legislativo, seja no Executivo”, disse Antídio.
Na tréplica, Jeferson defendeu que crimes relacionados ao desvio de dinheiro público não prescrevam e voltou a pedir apoio aos eleitores catarinenses.
Escala 6x1 gera cobrança durante debate
Afrânio Boppré questionou Esperidião Amin sobre o fim da escala 6x1. Na mesma pergunta, o candidato do PSOL fez referência à trajetória de Amin durante o período da ditadura militar.
Amin respondeu sobre sua passagem pela Prefeitura de Florianópolis e afirmou que sua nomeação ocorreu conforme as regras constitucionais daquele período. Também destacou as administrações que comandou na capital e sua trajetória política em Santa Catarina.
“Meu currículo consta com muito orgulho. Eu fui prefeito, coisa que você tentou ser também”, afirmou Amin.
Na réplica, Afrânio criticou o que considerou uma fuga do tema principal e voltou a cobrar uma posição sobre a mudança na jornada de trabalho. “Como candidato a senador do time do presidente Lula, eu tenho compromisso com os trabalhadores e defendo o fim da escala 6x1”, disse Afrânio.
Amin afirmou que a discussão precisa considerar as características de cada setor. Para ele, investimentos em tecnologia e automação podem ajudar a indústria a se adaptar a uma eventual redução da jornada.
“O Brasil tem que ter a sua indústria atualizada e capaz de absorver uma redução na escala”, afirmou Amin.
O senador também defendeu maior investimento em automação para elevar a produtividade brasileira.
Justiça e condenações entram no confronto
Em seguida, Amin questionou Antídio sobre decisões judiciais relacionadas a casos de corrupção e às condenações decorrentes dos atos de 8 de janeiro.
Amin citou pessoas condenadas e questionou diferenças que considera existentes no tratamento dado pela Justiça. Também mencionou propostas relacionadas à dosimetria das penas e à anistia.
Antídio concordou com as críticas e afirmou que o país precisa revisar o funcionamento da Justiça e de outras instituições. “O Brasil está de ponta cabeça. Eu quero ser senador para ajudar a resolver esta situação”, afirmou Antídio.
O candidato do MDB defendeu ainda mudanças nas áreas tributária, política e judiciária. Segundo ele, a situação atual contribui para reduzir a confiança da população nas instituições.
Amin, por sua vez, defendeu a revisão de processos e voltou a mencionar investigações relacionadas às fake news e aos atos de 8 de janeiro.
Endividamento leva candidatos a discutir juros
Jeferson Rocha questionou Décio Lima sobre o endividamento dos brasileiros e dos produtores rurais. O candidato citou o crescimento das dívidas no setor agropecuário e o aumento dos pedidos de recuperação judicial.
Antes de responder sobre os juros, Décio criticou os adversários por, segundo ele, adotarem um discurso seletivo sobre corrupção. O candidato citou investigações envolvendo políticos e mencionou o caso do Banco Master.
Na parte econômica, Décio atribuiu a autonomia do Banco Central a uma decisão tomada durante o governo Jair Bolsonaro e criticou o nível das taxas de juros no país.
Jeferson rebateu e afirmou que consumidores enfrentam taxas elevadas, especialmente no cartão de crédito. Ele defendeu uma limitação constitucional para os juros. “Eu quero ser o senador para restabelecer o crime de usura e colocar de novo na Constituição um teto aos juros de 12%”, afirmou Jeferson.
O candidato também criticou a concentração do sistema financeiro brasileiro e defendeu maior concorrência entre os bancos.
Décio utilizou a tréplica para defender o governo Lula e citar programas sociais e medidas de inclusão. “Foi ele que tirou o Brasil do mapa da fome e fez a inclusão”, disse Décio.
O candidato também mencionou iniciativas como o Mais Médicos e o Pé-de-Meia.
Bets e salário mínimo fecham a rodada
Na última pergunta, Décio questionou Afrânio sobre economia e corrupção. O candidato do PT destacou a necessidade de ampliar políticas de inclusão e combater desigualdades.
Afrânio defendeu a valorização do salário mínimo e afirmou que o aumento do poder de compra das famílias ajuda a movimentar a economia. “Nós temos que acelerar esse crescimento, dar poder de compra para as famílias e fazer a economia circular”, afirmou Afrânio.
O candidato também voltou a criticar as apostas esportivas e defendeu o fim das chamadas bets, em vez de apenas regulamentar o setor. “Nós temos que acabar com as bets. São R$ 30 bilhões por mês jogados na jogatina”, disse Afrânio.
Segundo ele, os valores destinados às apostas deixam de circular no orçamento das famílias.
Décio respondeu destacando a necessidade de ampliar o acesso ao crédito para pequenos negócios e trabalhadores. “O que nós temos que produzir nas políticas públicas é a proteção do Estado aos pequenos e aos trabalhadores”, afirmou Décio.
Na tréplica, Afrânio ampliou a discussão para a política internacional, criticando a postura de aliados do bolsonarismo diante das medidas adotadas pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil.
O candidato defendeu a soberania nacional e afirmou que as decisões econômicas precisam considerar os impactos sobre o país.
Com o encerramento da rodada, o terceiro bloco chegou ao fim. Os candidatos tiveram cinco minutos de intervalo antes da próxima etapa do debate, que contou com perguntas de jornalistas e comentaristas da Rádio Som Maior e do Portal 4oito.
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