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Dos tropeiros à estrada de ferro: a história de Morro da Fumaça

Programa Adelor Lessa especial relembrou capítulos marcantes do município, que comemora 60 anos de emancipação nesta sexta
Por Stefanie Machado Criciúma (SC), 19/05/2022 - 09:54 Atualizado em 19/05/2022 - 10:15
Foto: Divulgação
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Do caminho dos tropeiros à ferrovia e indústria cerâmica. A história de Morro da Fumaça tem capítulos marcantes que merecem ser resgatados. O município comemora 60 anos de emancipação político-administrativa nesta sexta-feira (20), mas a festa começou antecipada. 

A história da cidade, bem como sua evolução e desenvolvimento, foi relembrada durante o programa Adelor Lessa especial em comemoração ao aniversário, nesta quinta-feira (19), direto de Morro da Fumaça. Quem resgatou o passado da cidade foi o presidente do Conselho Municipal de Cultura, Roque Salvan. 

A origem do nome 

Muito se fala sobre o motivo pelo qual a cidade tem o nome de Morro Fumaça. Talvez uma das crenças mais populares vem das famosas olarias presentes há décadas no município. Mas, segundo as pesquisas e estudos de Salvan, não seria esta a origem correta. "Sempre defendi que o nome Morro da Fumaça vem do caminho dos tropeiros. Na nossa história lá atrás, todo mundo sabe que nós tínhamos vários caminhos de tropeiros que desciam da Serra para fazer a comercialização dos  produtos", conta.

No caminho, os condutores precisam de um lugar para descansar e se alimentar. "Tínhamos o morro do hospital que era um paradouro porque os tropeiros precisavam se alojar, dormir, fazer café, chimarrão, almoço e janta. E, por isso, havia sempre ali fumaça das fogueiras. E era o Morro da Fumaça.  Depois, muito tempo depois, que veio as olarias", explica o presidente. A mesma história de repete na Rua do Fogo, onde também haviam várias fogueiras. 

A estrada de ferro e o desenvolvimento 

Muito antes da emancipação, a história de Morro da Fumaça começa há aproximadamente 112 anos, no período de colonização. Morro da Fumaça nasceu da comunidade de Linha Torres, de Cocal do Sul.

Muito do desenvolvimento do município é consequência da instalação da estrada de ferro. Por volta de 1917, a ferrovia partia da cidade de Pedras Grandes para Urussanga. Segundo Salvan, as lideranças políticas da época conseguiram trazer o transporte ferroviário para a cidade. "Eles conseguiram mudar o traçado da estrada de ferro de lá para trazer aqui para a esplanada", conta. 

Assim, Morro da Fumaça passou a ser um grande centro de recebimento de mercadorias na década de 1920. O embarque e desembargue de todo o comércio acontecia na estação ferroviária, que até hoje é importante para a região. "Eu cresci ao lado da ferrovia. É uma atração para o município, para as pessoas que nos visitam acabam gostando e vendo algo diferente que existe na cidade", salienta o prefeito de Morro da Fumaça, Noi Coral. 

Além da estrada de ferro, outro fator que contribuiu para o desenvolvimento do município foi o transporte terrestre. Anos antes do surgimento da BR-101, quem precisava fazer o caminho de Porto Alegre (RS) até São Paulo (SP), passava por Morro da Fumaça. 

As primeiras olarias surgiram por volta de 1928, que deram o impulso para a forte presença da indústria cerâmica até hoje. O setor se desenvolveu e, atualmente, conta com tecnologia de ponta e exportação de mercadorias para diversas regiões do Brasil. 

Amadurecimento do município

Não se tem o registro do ano exato em que Morro da Fumaça se tornou uma vila. Mas, o Distrito que pertencia à Urussanga nasceu em 1931. Assim, aproximadamente 30 anos depois, em 1962, o município fumacense amadureceu e conseguiu a tão desejada emancipação político-administrativa, por meio da luta da comunidade. 

"Morro da Fumaça tentou por várias vezes se desvencilhar. Levaram o projeto de emancipação várias vezes para a Câmara de Vereadores. Foram conversando, articulando com os vereadores e o prefeito. Não dava. Até que a comunidade subiu em cima de caminhões. 'Ou aprova o projeto de emancipação por bem ou por mal'", afirma Salvan. 

A partir da emancipação, Morro da Fumaça continuou se desenvolvendo em todos os sentidos. "Agora, temos 60 anos de município. Na época, a população não chegava 700 pessoas [da emancipação] e hoje nos temos em torno de 18 mil habitantes", conclui o presidente.

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