Cerca de 130 médicos que compõem o corpo clínico do Hospital Materno Infantil Santa Catarina (Hmisc), em Criciúma, continuam sem receber os honorários referentes aos meses de abril e maio de 2026. A dívida acumulada, estimada em R$ 4 milhões, é de responsabilidade da antiga gestora da unidade, o Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (Ideas).
Diante do esgotamento das tentativas de negociação direta, a categoria se organiza para acionar a Justiça do Trabalho por meio do Sindicato Médico do Sul Catarinense (Simersul).
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Apesar dos dois meses sem receber os honorários, os profissionais mantiveram integralmente os atendimentos a gestantes, puérperas e crianças. Não houve paralisações, greves ou desfalques nas escalas. Em junho, com a entrada da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Bernardo do Campo nova gestora responsável pelo Hmisc, o pagamento dos serviços prestados a partir de junho passou a ser honrado rigorosamente em dia. No entanto, os repasses do período gerido pelo Ideas seguem travados.
Sindicato buscou dialogar com o Ideas
A presidente do Simersul, Cristiane Lopes Coral, ressalta que o sindicato buscou o diálogo e notificou diversos órgãos, como o Conselho Regional de Medicina (CRM), a Secretaria de Estado da Saúde (SES), o Ministério Público, a Câmara de Vereadores e o próprio Ideas, mas não obteve retorno efetivo da antiga gestora.
"Tentamos marcar reunião com o Ideas, mas não fomos atendidos. Vimos que não conseguiremos mais conversar e teremos que ir pela Justiça. Obviamente um processo contra uma Organização Social vai demorar, mas agora a ideia é entrarmos com a força do sindicato para sermos reconhecidos como representantes desses médicos na Justiça do Trabalho", destacou Cristiane.
Antiga gestão deve cerca de R$ 4 milhoes para o corpo clínico
O médico radiologista e diretor clínico do Hmisc, Luiz Mario Enderle Signor, explica que o grupo aguardou um período técnico para que a antiga administração apresentasse uma proposta de quitação. Como não houve avanço, a judicialização tornou-se uma decisão tomada.
"Estamos na fase de reunir a documentação dos envolvidos para protocolar a ação conjunta. É importante ressaltar que os R$ 4 milhões não correspondem simplesmente a salários mensais, mas a serviços efetivamente prestados. São horas trabalhadas em plantões presenciais, sobreavisos, cirurgias, exames e atendimentos ambulatoriais. Cumprimos nossa responsabilidade; a remuneração é que permanece pendente", explicou o diretor clínico do Hmisc.
O diretor clínico também descartou, no momento, qualquer tipo de paralisação presencial, reforçando que a nova administração vem cumprindo todos os compromissos desde que assumiu a gestão e que a cobrança foca exclusivamente nos débitos deixados pelo Ideas.
Procuramos o posicionamento do Ideas porém não obtivemos resposta, o espaço segue aberto.
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