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Depois do ataque de Salvaro, o contra-ataque do vereador

Em vídeo na semana passada, prefeito criticou cinco que votaram contra aprovação de contas do Município
Denis Luciano
Por Denis Luciano Criciúma, SC, 21/09/2020 - 18:39Atualizado em 21/09/2020 - 18:56
Reprodução
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Um embate político que começou nas redes sociais e foi parar na tribuna da Câmara. Eis o resumo das farpas trocadas pelo prefeito Clésio Salvaro (PSDB) e pelo vereador Júlio Colombo (PL), outrora aliados e agora distantes politicamente. Em campos e palanques opostos. Enquanto Salvaro busca a reeleição, Colombo tem sua nora, Júlia Zanatta (PL), como uma das mais combativas na campanha contra o atual prefeito.

Salvaro usou sua rede social na semana passada para alfinetar os cinco vereadores, entre os quais Colombo, que votaram contra as contas de Criciúma relativas ao ano de 2018. "Temos a Câmara, a Controladoria do Município, o Observatório Social, o Ministério Público e depois é analisada com muito rigor pelos competentes técnicos do Tribunal de Contas do Estado. As nossas contas de 2018 foram aprovadas por unanimidade por todos os conselheiros daquela corte, que analisa as contas. Depois vem pra Câmara", disse.

"Pela primeira vez na história, alguns vereadores tentaram derrubar o parecer do TCE. Sabem por quê? Por que as contas, quando são rejeitadas, tornam inelegíveis o prefeito. Esses covardes, que tem medo da urna, cinco vereadores apenas, que são uns covardes, uns frouxos, que tem medo de me enfrentar nas urnas, votaram pela derrubada do parecer do TCE", disparou Salvaro.

Na sequência, no vídeo postado, ele aparece apontando para uma tela branca na qual aparecem os nomes dos vereadores. "Esse vereador aqui é um covarde (aparece o nome de Júlio Colombo). Este é outro covarde (surge o nome de Júlio Kaminski, do PSL). este é um outro covarde que não merece o seu voto (vai à tela o nome de Zairo Casagrande, do PDT). E nem este (merece o seu voto, Ademir Honorato, do MDB), e nem este (Edson Paiol, do PSL)". "Todos covardes, que tem medo da urna, que querem levar no tapetão. Mas não vão. É no voto que o eleitor criciumense vai escolher o próximo prefeito desta cidade", finalizou.

A resposta

O vereador Júlio Colombo, um dos que participaram na via remota da sessão desta segunda-feira, 21 - o Legislativo retomou as sessões presenciais -, usou seu espaço para rebater o prefeito. "O meu assunto não poderia ser outro senão a agressão através de um vídeo efetuado pelo prefeito a alguns vereadores", afirmou. "Eu fiquei órfão aos nove anos, com dez irmãos. Meu primeiro emprego foi aos 14 anos limpando chiqueiro de porco, somos trabalhadores como 99,9% do município de Criciúma são", apontou.

"No vídeo feito pelo prefeito tem algumas inverdades", sinalizou Colombo. "Primeira, as contas de 2017 não foram aprovadas por unanimidade, houve um voto contrário. As contas são analisadas pelo TCE que é meramente opinativo, quem aprova ou não aprova somos nós, vereadores", comentou. "Não tem nada de Observatório Social nem de Ministério Público", emendou. "Aliás, o MP tem atuado muito, são só seis processos por enquanto contra a prefeitura", frisou.

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Colombo mencionou a Operação Blackout. "Eu penso que o prefeito deveria ter coragem de informar para a população quais medidas tomou contra a Operação Blackout. Se o juiz aceitar a denúncia estaremos diante do maior caso de corrupção da história de Criciúma", sublinhou. "Que providências foram tomadas? Se não foram tomadas. A secretária de obras é citada nove vezes por ilegalidades, hoje acabou de ser preso o assistente de gestão da Secretaria de Infraestrutura, ali, no mesmo órgão da prefeitura", destacou.

Por fim, o vereador pediu ao prefeito respeito à independência dos poderes. "Nós vereadores temos a nossa opinião, nós vereadores não somos funcionários do prefeito, nós vereadores teomos que ser respeitados", refletiu. Por fim, Colombo pediu ao presidente da Câmara, Tita Belloli (PSDB), que "vossa excelência tomasse providências para a defesa da prerrogativa do vereador". 

O vereador concluiu dizendo que "o que foi cometido, esse sim é um ato de covardia, não com esse vereador mas com todos os colegas".