A história da imigração italiana ao Brasil começa muito antes dos navios cruzarem o oceano. É esse percurso pouco explorado que guia o novo documentário do cineasta catarinense Sandro Luiz Pagnan, que voltou recentemente da Itália após quase um mês de gravações.
A equipe percorreu cerca de 20 cidades italianas em busca de reconstruir o caminho feito por famílias que deixaram suas casas rumo aos portos. O material reúne imagens e depoimentos que ajudam a entender como viviam esses imigrantes antes da viagem.
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Segundo Pagnan, o foco é justamente mostrar o que quase não aparece nas narrativas tradicionais. “A proposta sustenta um olhar atento às múltiplas dimensões da imigração, reunindo memória, identidade e deslocamento”, explica.
O caminho antes do embarque
O documentário destaca o deslocamento interno enfrentado por milhares de famílias, que chegaram a percorrer até 470 quilômetros dentro da Itália antes de embarcar para o Brasil. Esse trajeto, muitas vezes ignorado, revela as dificuldades já enfrentadas antes mesmo da travessia.
De forma indireta, o diretor aponta que o contexto da época era marcado por escassez de trabalho, crises agrícolas e condições de vida limitadas. Nesse cenário, a saída para o Brasil surgia como uma alternativa, embora cercada de incertezas.
“O recorte mostra não só o deslocamento, mas as condições sociais e humanas desse processo. Queremos mostrar como viviam e o quanto sofreram até chegar ao Brasil”, afirma.
Rupturas e decisões difíceis
A produção também aborda o momento da despedida como um dos mais marcantes. Deixar a terra natal e romper vínculos familiares fazia parte de uma decisão difícil, tomada diante de poucas perspectivas.
Pagnan avalia que, apesar dos desafios enfrentados no Brasil, a situação na Itália era ainda mais dura. “Olhando hoje, acredito que foi melhor para eles, porque lá havia falta de alimento e condições muito difíceis”, relata.
O diretor ainda destaca que nem todos os italianos seguiram o mesmo caminho. Enquanto alguns migraram para cidades maiores dentro da própria Itália, a maioria dos que vieram ao Brasil era formada por trabalhadores rurais, com menos recursos e oportunidades.
A produção também enfrentou desafios durante as gravações. Segundo Pagnan, foi necessário o apoio de moradores locais para identificar as regiões de origem e reconstruir os trajetos. Ele afirma que, apesar das dificuldades, o planejamento foi cumprido.
O documentário, com cerca de 50 minutos, entra agora na fase de edição. A proposta é preservar a identidade do material e manter o foco na história dessas famílias antes da travessia.
Novo olhar sobre a imigração
Idealizado por Pagnan, o projeto amplia o trabalho do cineasta, que já produziu outros documentários com foco em histórias locais e culturais. Desta vez, o olhar se volta para um tema histórico, trazendo uma nova perspectiva sobre a imigração italiana.
A produção conta com apoio da Lei de Incentivo à Cultura e patrocínio que viabiliza o projeto.
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